Inovador e inventivo, Graham Potter é um treinador empolgante para encarar o desafio no implacável Chelsea
Graham Potter fazia grande trabalho no Brighton, mas terá que lidar com um Chelsea que não tem paciência com insucessos, mesmo momentâneos
O Chelsea oficializou a contratação do técnico Graham Potter, de 47 anos, que estava no Brighton. Ele era a primeira opção do dono do clube, Todd Boehly, que tem atuado interinamente como diretor esportivo. Potter assina contrato de cinco anos com o Stamford Bridge. Inovador e inventivo, o treinador fazia um ótimo trabalho no Brighton e chega para um Chelsea caótico, mas que pode se beneficiar das suas ideias – se elas conseguirem funcionar rapidamente, ao menos. Será o primeiro treinador inglês a assumir permanentemente um time do chamado Big 6 desde a demissão de Frank Lampard, em janeiro de 2021.
Potter levará os auxiliares Billy Reid, Bjorn Hamberg, Ben Roberts e Bruno Saltor com ele para o Chelsea. Ele também levará o analista Kyle Macauley para o novo clube. Uma das suas características mais faladas no Brighton é a colaboração. Ele gosta de ouvir analistas e auxiliares sobre suas ideias e tenta compartilhar com eles planos de jogo para serem aprimorados. Parece o básico, mas não é sempre assim, especialmente quando falamos de grandes nomes. Sua integração com equipes de analistas de desempenho e preparação física costuma ser elogiada.
Ele chega com o desafio de recuperar rapidamente um time que começou mal a temporada, ao menos em termos do que se esperava da equipe: são três vitórias, duas derrotas e um empate em seis jogos da Premier League até aqui, além de uma derrota para o Dinamo Zagreb na estreia da Champions League. Resultados que ajudaram a demitir Thomas Tuchel do cargo. Ele era o último resquício da Era Abramovich no clube.
“Estou incrivelmente orgulhoso e empolgado em representar o Chelsea, este fantástico clube de futebol. Estou muito empolgado em fazer uma parceria com o novo grupo de donos e ansioso para trabalhar com este empolgante grupo de jogadores e desenvolver um time e cultura que nossos incríveis torcedores possam ficar orgulhosos”, afirmou o treinador em suas primeiras palavras no Chelsea.
“Eu também gostaria de prestar meus sinceros agradecimentos ao Brighton por me dar essa oportunidade e, em particular, Tony Bloom e todos os jogadores, funcionários e torcedores por seu apoio constante durante todo o meu tempo no clube”, continuou Potter.
“Estamos entusiasmados em trazer Graham para o Chelsea. Ele é um treinador comprovado e um inovador na Premier League que se encaixa com a nossa visão para o clube. Não apenas ele é extremamente talentoso no campo, ele tem habilidades e capacidades que vão além do campo e tornará o Chelsea um clube de mais sucesso”, disse Todd Boehly, dono do clube e presidente, sobre o contratado.
“Ele teve um grande impacto nos seus clubes anteriores e estamos ansiosos para ver o seu impacto positivo no Chelsea. Estamos ansiosos para apoiá-lo, sua comissão técnica e o elenco para realizarem todo o seu potencial nos próximos meses e anos”, continuou o dono do clube.
Uma trajetória incomum
Nascido em Solihull, na região metropolitana de Birmingham, Graham Potter estudou na Leeds Metropolitan University, onde fez um mestrado em liderança e desenvolvimento de pessoas, ele dirigia o time da universidade no que seria equivalente à nona divisão. Ele começou a estudar depois do fim da sua carreira como jogador, em que passou por diversos clubes de 1992 a 2005: Birmingham, Wycombe Wanderers, Stoke, Southampton, West Brom, Northampton, York City, Boston United, Shrewsbury e Macclesfield, onde terminou a carreira.
Seu primeiro trabalho como treinador foi um caminho pouco usual: foi para o Östersund, na Suécia, em 2011. Era um trabalho complicado: ele assumiu o clube na quarta divisão e subiu até a primeira. Jogou a Liga Europa em um jogo contra o Arsenal que chamou a atenção do seu país natal, na temporada 2017/18. Seria a sua última temporada na Suécia.
Ainda em 2018, o Swansea levou o técnico para o Reino Unido. Ele ficou apenas uma temporada no clube, que estava na segunda divisão, a Championship. O bom trabalho novamente chamou a atenção e ele foi contratado pelo Brighton em 2019.
Sua primeira temporada teve percalços no Brighton, mas o clube acreditou nele. Fez um trabalho notável, com ótimos jogos, um futebol atraente e mantendo o clube na primeira divisão, o que é essencial para o Brighton. Nesta temporada, vinha em uma ótima campanha, mantendo o time dentro dos quatro primeiros colocados. Deixa o Brighton com os Seagulls em quarto lugar, com 13 pontos em seis jogos. São quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota.
É um técnico inovador, capaz de fazer Marc Cucurella, uma das contratações do Chelsea nesta temporada, atuar como zagueiro em um trio defensores, como ala e como ponta, quando necessário. Suas inovações táticas chamam a atenção pela funcionalidade. Ele é visto como um treinador inquieto e que busca desenvolver os jogadores. Cucurella foi um deles, assim como Pascal Gross, alemão que atua no Brighton e que está na melhor fase da carreira aos 31 anos.
É de se esperar que ele faça algumas mudanças no Chelsea que podem causar estranhamento em um primeiro momento. É um técnico que quer tornar o time ofensivo e não esconde a inspiração em Pep Guardiola, agora um dos seus principais adversários. Seu esquema base, 3-4-3, já foi usado no Chelsea algumas vezes e há jogadores capazes de fazer as funções que ele gosta.
O mais importante, porém, é que ele é flexível e não faz os jogadores se encaixarem em um esquema. É capaz de se adaptar taticamente para tentar fazer os jogadores renderem mais. Por isso, mesmo que seu esquema mais frequente seja o 3-4-3, é muito possível que vejamos o Chelsea jogar em outros formatos também, até que ele entenda qual é o jeito de jogar que mais se adequa àqueles jogadores.
Potter era um nome muito falado para substituir Gareth Southgate na seleção inglesa quando a Copa do Mundo acabasse, já que é esperado que o treinador deixe o cargo. Só que o Chelsea é uma oportunidade boa demais para recusar, mesmo que ele esteja se transferindo para um clube com pouca paciência e implacável quando as coisas não funcionam bem. Ele terá menos tempo para fazer suas ideias funcionarem do que teve no Brighton. Com a vantagem, porém, que ele tem jogadores de um nível bastante superior e mais capazes de tornar suas ideias uma realidade.
O que o torcedor do Chelsea pode esperar é que o time produzirá entretenimento. Seus times costumam ser dos mais interessantes de ver. Foi assim no Östersund, no Seansea e no Brighton. O desafio, porém, será maior do que em todos os clubes anteriores. Aos 47 anos, Potter parece estar pronto para esse salto.



