Iluminado por Lukaku, o United buscou uma virada enorme peso contra o Chelsea

As vitórias ainda acontecem, mas não com muita regularidade. Por isso mesmo, o questionamento sobre o futebol do Manchester United, que já era considerável em momentos melhores da temporada, cresceu demais nas últimas semanas. E, diante do cenário, o resultado conquistado neste domingo contra o Chelsea se torna tão importante aos Red Devils. Não foi uma equipe solta e ofensiva, como muitos esperam pelo nível de investimento. Independentemente disso, os mancunianos se superaram para buscar a virada por 2 a 1 em Old Trafford. Comemoração que valeu por Romelu Lukaku, em grande atuação que andava em falta. E também por José Mourinho. Dentro de seu pragmatismo, o treinador acertou sua equipe durante o embate e mexeu nas peças certas para assegurar a reviravolta no placar. Em seu aguardado encontro com Antonio Conte, o português riu por último.
Mourinho entrou em campo com algumas mudanças em relação ao time que empatou com o Sevilla pela Liga dos Campeões. Paul Pogba voltou aos titulares, suplantando o lesionado Ander Herrera, enquanto Anthony Martial compôs a trinca de ataque com Romelu Lukaku e Alexis Sánchez. Conte, por sua vez, encorpou mais o time após o duelo contra o Barcelona. Tirou Pedro e Cesc Fàbregas, para as entradas de Álvaro Morata e Danny Drinkwater. Eden Hazard atuou no apoio, adicionando velocidade ao lado de Willian.
E assim como havia acontecido no meio da semana, o encaixe do Chelsea ficou evidente em Old Trafford. Os Blues começaram a partida bem mais agressivos, se impondo no campo de ataque. Aos três minutos, o gol quase saiu em uma belíssima jogada coletiva, que Morata arrematou no travessão. Na sobra, David de Gea ainda faria boa defesa em tentativa de Eden Hazard. Os londrinos trabalhavam os passes e deixavam a defesa do United em apuros constantes, embora não conseguissem concluir da melhor maneira as jogadas. De qualquer maneira, pareciam mais prontos a sair em vantagem.
O Manchester United começou a se acertar apenas a partir dos 25 minutos. Primeiro, corrigiu a marcação. E, enfim, passou a atacar de maneira mais constante e rondar a área do Chelsea. As primeiras finalizações aconteceram neste momento, com Lukaku travado pela defesa e Alexis Sánchez desperdiçando a oportunidade de fuzilar Thibaut Courtois. O problema é que o momento positivo dos Red Devils também concedia espaços aos contra-ataques do Chelsea. Uma temeridade, diante da qualidade dos adversários. E o pior aconteceu aos 31 minutos, com o primeiro gol da partida.
Foi uma aula de velocidade e construção de jogada oferecida pelo Chelsea. Willian, especial, sublinhou sua ótima fase. Roubou a bola nas proximidades de sua área e arrancou. Abriu com Hazard e o camisa 10 inteligentemente aguardou a passagem do companheiro. Com três marcadores aguardando o belga, deu sua tacada de sinuca entre eles, enfiando a bola para Willian. Sem que Scott McTominay o acompanhasse, o brasileiro invadiu a área e aludiu o passe a Álvaro Morata. No entanto, soltou a bomba para cima de De Gea. Mesmo com a bola próxima a seu corpo, o espanhol não reagiu a tempo.
A virtude do Manchester United foi não mudar a sua postura, apesar dos riscos que continuava sofrendo. E o prêmio aconteceu aos 38, com o gol de empate dos anfitriões. Romelu Lukaku tem todos os méritos na jogada. Após passe de Alexis Sánchez, brigou duas vezes pela bola – em uma das disputas, Andreas Christensen reclamou de falta. O lance seguiu em frente e o centroavante se projetou para dentro da área. Na sequência, Alexis passou a Anthony Martial e o francês fez muito bem o pivô, protegendo a bola e rolando para Lukaku arrematar. O final do primeiro tempo, de qualquer forma, viu o Chelsea novamente ser melhor, mais consistente em suas ações.
Para o segundo tempo, o Manchester United voltou ainda mais sólido na marcação e a partida era aberta, com os dois times buscando atacar. O Chelsea passou a chegar um pouco mais, arriscando contra a meta de De Gea, que fez boa defesa em batida de Drinkwater. Diante do crescimento dos londrinos, Mourinho fez sua primeira alteração, com a entrada de Jesse Lingard no lugar de Martial. E os Red Devils retomaram sua ascensão. Courtois evitou um golaço de Lukaku aos 22, em belíssimo voleio do centroavante, que o compatriota desviou com a ponta dos dedos. A pressão aumentava principalmente nos cruzamentos, embora neste momento De Gea tenha dado um susto em sua torcida, soltando uma bola fácil que quase o complicou.
Antonio Conte tentou retomar a velocidade no contragolpe, com Pedro na vaga de Hazard. Mas o cenário se transformou apenas três minutos depois. Aos 30, saiu a virada do Manchester United, com Lingard se provando mais uma vez como talismã de Mourinho. Os papéis se inverteram no lance. Lançado por McTominay, Lukaku fez jogadaça de digna de ponta, pelo lado direito. Pedalou para cima de Antonio Rüdiger e, quando a marcação dobrou com Pedro, o belga passou entre ambos. Enquanto isso, Lingard aproveitava a lacuna deixada pelo companheiro e, sem os cuidados devidos da zaga, cumpriu a missão do centroavante. Apareceu livre dentro da área e cabeceou com firmeza o cruzamento preciso. Sem sair do chão, Christensen apenas assistiu ao voo.
Willian quase arrancou o empate logo depois, ao disparar pela direita, mas seu chute rasteiro parou em De Gea. Diante da desvantagem, Conte partiu para cima. Colocou Fàbregas e Olivier Giroud nos lugares de Drinkwater e Victor Moses. Enquanto isso, Mourinho reforçou a sua marcação, com Alexis Sánchez dando vaga a Eric Bailly. Então, a partida se tornou um ‘ataque versus defesa’, com os mancunianos se restringindo a se proteger, com raras escapadas. Ainda assim, os anfitriões eram mais perigosos – com destaque a uma arrancada de Lukaku que, mesmo acompanhado por três, ganhou na corrida de todos e chutou prensado. Mas mais importante, o United não concedeu espaços na defesa. A única ameaça real dos Blues nestes instantes finais aconteceu aos 40. Morata recebeu livre dentro da área e bateu cruzado, balançando as redes. Contudo, o lance acabou anulado por impedimento, em marcação muitíssimo difícil e discutível. Não alterou o resultado.
Ao final, o Manchester United conquista uma vitória que traz grande impacto. Não apenas ao moral do time, mas também por tudo o que representa na tabela. Primeiro, porque os Red Devils retomam a segunda colocação, com 59 pontos, dois a mais que o Liverpool. Depois, porque deixam o Chelsea para trás. Os Blues saem do Top Four, ultrapassados pelo Tottenham. Estão em quinto, com 53 pontos, dois abaixo dos Spurs. Na briga parelha pelas vagas restantes à Liga dos Campeões, o time de Antonio Conte fica em prejuízo. São três derrotas nas últimas quatro rodadas, e com a duríssima visita ao Manchester City na próxima semana.



