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Guia da Premier League 2020/21 – Tottenham: O caminho de volta ao cume

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Cidade: Londres
Estádio: Tottenham Hotspur Stadium (62.000 pessoas)
Técnico: José Mourinho
Posição em 2019/20: 
Projeção: Brigar por Liga Europa
Principais contratações: Pierre-Emile Hojbjerg (Southampton), Matt Doherty (Wolverhampton), Joe Hart (Burnley)
Principais saídas: Kyle Walker-Peters (Southampton), Jan Vertonghen (Benfica-POR), Michael Vorm (sem clube), Oliver Skipp (Norwich)

Quando se chega ao topo da montanha, há apenas um caminho: descer. O Tottenham chegou ao auge do projeto de Mauricio Pochettino na temporada passada, finalista da Champions League, a qual se classificou quatro vezes seguidas. Havia passado mais de um ano sem contratar, e o desgaste ficou claro nas 12 primeiras rodadas da Premier League. Os Spurs venceram apenas três delas. Ficaram a 11 pontos de vaga na Champions League, muito importante para as finanças de um clube que ainda está pagando seu estádio. Pochettino merecia a chance de construir um novo time, mas Daniel Levy achou que era melhor uma mudança de direção. Em vez de um profissional que traz identidade, trabalha com o que tem, desenvolve jovens, trouxe o treinador de mais curto prazo da Europa. Trouxe Mourinho para tentar ser campeão.

Mourinho está longe do seu auge, então há outros caminhos a seguir. Mesmo em seus piores trabalhos, quando deixou jovens talentos escaparem por não lhes dar chance, exigiu contratações caras que não se pagaram, tornou o clima quase insuportável, levantou alguns troféus. Em todos os lugares, e a aposta do Tottenham é que não será a exceção. Em 30 anos, conquistou apenas duas Copas da Liga, a última delas em 2007/08.

Foi a única coisa que faltou a Pochettino. O argentino conseguiu estabelecer os Spurs como um time de Champions League. Em suas últimas temporadas, era sempre colocado entre os favoritos aos quatro primeiros lugares da Premier League, em ocasiões até como integrante da briga pelo título. É o status que Mourinho terá que recuperar, após o sexto lugar na última edição, que pelo menos garantiu vaga na Liga Europa. E mais do que uma vez ou outra entrar no grupo de elite, precisa de fundações para fazê-lo consistentemente.

Mourinho lhe dirá que, se contassem apenas os pontos desde que assumiu o Tottenham, ele seria o quarto colocado da Premier League. Também é verdade que muitas vitórias e empates foram arrancados no sufoco, sem um nível de desempenho satisfatório. Foi eliminado pelo Norwich na Copa da Inglaterra e levou um baile do RB Leipzig na Champions League. Mas o português alerta, com razão, que pegou o bonde andando, em situação ruim na tabela, e conseguiu uma boa recuperação. Também sofreu com as lesões de Kane e Son. “Minha temporada mais importante é a próxima. Estou ansioso para a próxima temporada. Esta será minha missão”, disse.

Bom, ela chegou. E a pressão é para que Mourinho seja campeão de alguma coisa e consiga vaga na Champions League. Harry Kane foi muito bem na retomada do futebol inglês, Son também está recuperado e pode formar um quarteto interessante com Lucas Moura e Steve Begwijn. Um atacante mais alto e forte, mas também móvel, para vencer as bolas pelo alto, e três velocistas no apoio. Ainda há Dele Alli e Erik Lamela para aprofundar o setor, ou mesmo Lo Celso um pouco mais adiantado.

Mourinho reforçou o seu meio-campo com Pierre-Emile Hojbjerg. Ele fez uma boa temporada pelo Southampton, tem um bom físico e é bem experiente para 25 anos. A chegada do norueguês, porém, é um mau sinal para Tanguy Ndombélé, contratação mais cara da história do Tottenham, e que parece ser a bola da vez para as críticas públicas de Mourinho. Disputou 11 jogos da Premier League desde a demissão de Pochettino, cinco desde o início, e não foi substituído apenas uma vez. Segundo a ESPN, disse que nunca mais atuaria com o português e se tornou um problema de € 60 milhões.

Os outros dois reforços até agora foram para a defesa. Joe Hart será o reserva de Hugo Lloris – espera a torcida do Tottenham – e Matt Doherty chega para tomar conta da lateral direita, sem um dono desde a saída de Kieran Trippier. A zaga ainda merece atenção. Jan Vertonghen foi embora. Davinson Sánchez e Toby Alderweireld são teoricamente os dois melhores jogadores da posição. Mourinho fez experiências com Eric Dier recuado, como atuava no começo da carreira, e ele correspondeu. Ainda há o garoto argentino Juan Foyth.

De qualquer maneira, ainda parece um elenco em meio a uma transição, que provavelmente demorará mais do que o planejado pelos impactos econômicos da pandemia. Levy recorreu a um empréstimo de £ 175 milhões para manter o trem nos trilhos e ainda não fez grandes investimentos no mercado. Talvez não os faça, e Mourinho terá que se virar com o que tem – o que costuma fazer apenas se obrigado, e reclamando – para entregar o que promete: vitórias e títulos. Se essa é a régua pela qual gosta de ser cobrado, é por ela que será.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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