Premier League

Guia da Premier League 2022/23 – Tottenham: Agradando Conte

O técnico italiano recebeu uma das melhores janelas de transferências da Inglaterra para tentar desafiar Manchester City e Liverpool

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Cidade: Londres
Estádio: Tottenham Hotspur Stadium (62.000 pessoas)

A temporada passada – 4º lugar

Começou com uma vitória: Harry Kane ficou. O presidente Daniel Levy bateu o pé e conseguiu rechaçar o interesse do Manchester City. Lá pela 15ª rodada, estava pensando: será que eu deveria ter vendido? Kane havia feito apenas um gol pela Premier League, e embora os resultados estivessem começando a melhorar com Antonio Conte, ainda não dava para vislumbrar que o Tottenham terminaria entre os quatro primeiros.

Um dia talvez Levy descubra por que contratou Nuno Espírito Santo. O cargo havia sido recusado por meia dúzia de treinadores de perfis diferentes, e o português foi anunciado com um discurso – “recuperar o DNA ofensivo do Tottenham” – que não tinha nada a ver com o que havia apresentado no Wolverhampton: uma equipe muito segura na defesa que castigava no contra-ataque, vencia, mas fazia poucos gols. Nuno ainda começou seu trabalho ganhando do Manchester City, mas nunca engrenou e foi demitido no começo de novembro depois de levar uma sapatada do Manchester United – o que poucos tiveram a proeza de conseguir na última temporada.

Curiosamente, Ole Gunnar Solskjaer estava balançando no United, e Antonio Conte era um dos especulados para o seu lugar. Mas a maneira como domina os departamentos de futebol que assume gerava resistência em Old Trafford. Levy não tem esse problema. Entregou as chaves para Mauricio Pochettino e para José Mourinho. Diante da possibilidade de contratar um dos melhores técnicos do mundo, não hesitou. E Conte, mesmo com um ou outro percalço, entregou o que se esperava dele.

Percalços estão na conta. Conte reclamou dos negócios na janela de janeiro, dizendo que “em vez de se reforçar”, o Tottenham havia “se enfraquecido numericamente”, porque emprestou vários encostados e contratou apenas Rodrigo Bentancur e Dejan Kulusevski. Em fevereiro, após quatro derrotas em cinco rodadas, disse que se o problema fosse ele, “estava pronto para ir embora”. Uma hora Conte acaba se tornando um problema, mas naquele caso ainda não era ele. O Tottenham perderia apenas mais duas vezes até o fim da Premier League.

A arrancada final rumo ao G4 não seria possível sem a ajuda do Arsenal, que queimou toda a sua gordura com uma sequência de derrotas pesadas. Na antepenúltima rodada, o Tottenham recebeu o Arsenal em seu estádio e, se perdesse, não teria mais possibilidade de chegar à Champions League. Ganhou por 3 a 0. Alguns dias depois, bateu o Burnley pelo placar mínimo, aproveitou novo tropeço dos Gunners, e chegou ao último fim de semana precisando apenas derrotar o super rebaixado Norwich para garantir a classificação. Fez 5 a 0.

Foi uma reviravolta incrível a uma temporada que começou tão ruim e que mesmo em fevereiro parecia toda bagunçada. Após duas temporadas na Liga Europa e na Conference, o Tottenham está de volta à Champions League.

O mercado

Richarlison é anunciado pelo Tottenham (divulgação)

 

Principais chegadas: Ivan Perisic (Internazionale), Fraser Forster (Southampton), Djed Spence (Middlesbrough), Yves Bissouma (Brighton), Richarlison (Everton), Clément Lenglet (Barcelona)

Principais saídas: Steven Bergwijn (Ajax), Cameron Carter-Vickers (Celtic)

O Tottenham não perdeu nenhum dos seus principais jogadores e se reforçou consideravelmente. Melhorou em qualidade e se fortaleceu “numericamente”, como diz Antonio Conte, que adora um mercado de transferências. O nome mais badalado é o do brasileiro Richarlison. Um atacante comprovadamente de elite da Premier League que tem a capacidade de jogar ao lado de Harry Kane e substituir o artilheiro quando necessário, uma demanda antiga do recrutamento do Tottenham.

A contratação de Richarlison foi tão boa que supera a de Yves Bissouma, que em outras janelas seria o grande destaque. Meia de 25 anos, o famoso área-a-área, que era o melhor jogador do Brighton e entre os principais da Premier League fora do Big Six. Conte gosta do produto pronto. Por isso, recebeu de braços abertos o zagueiro Clément Lenglet, do Barcelona, e o seu queridinho da época de Internazionale, Ivan Perisic, para ter mais solidez pelas alas.

E também por isso, fez questão de deixar bem claro que o garoto Djed Spence, lateral direito que foi um dos destaques do Nottingham Forest, não foi contratado a seu pedido e precisa trabalhar muito para passar à frente de Matt Doherty e Emerson Royal por uma vaga na ala direita. Fraser Forster, após seu contrato com o Southampton terminar, será o reserva de Lloris.   

Conte ainda quer se livrar de quatro jogadores: Giovanni Lo Celso, Tanguy Ndombélé, Harry Winks e Sergio Reguilón. Mas o interesse não tem sido intenso. Também não há a necessidade de três laterais direitos. Por mais que Conte não tenha pedido Djed Spence, um dos outros dois pode ser negociado se uma boa proposta aparecer.        

O elenco

Capitão do Tottenham, Hugo Loris completará 10 anos de clube quando a temporada começar, com a companhia do experiente Fraser Forster, 34 anos, caso tenha problemas físicos ou só queira dar uma descansada. Conte é um dos maiores entusiastas do sistema com três zagueiros, e gosta de colocar laterais em um dos lados. Nos Spurs, esse cara foi o canhoto Ben Davies. Eric Dier vem de uma ótima temporada e Cristian Romero teve momentos inspirados em seu primeiro ano no norte de Londres. Lenglet foi contratado como uma opção de segurança caso o zagueiro argentino volte a se machucar. Davinson Sánchez e Japhet Tanganga completam o setor.

Com a chegada de Spence, o Tottenham tem três opções para a ala direita. Emerson Royal venceu a disputa com Matt Doherty na última temporada. Perisic foi contratado para assumir a ala esquerda, o que deve fazer com que Reguilón seja colocado no mercado. O garoto Ryan Sessegnon, outrora uma grande revelação do futebol inglês, precisa provar que não deixou o bonde passar.

Bissouma será intocável no meio-campo quando estiver saudável. O seu parceiro pode ser Rodrigo Bentancur ou Pierre-Emile Höjbjerg, se Conte quiser dobrar a aposta na fisicalidade, com o garoto Oliver Skipp nas margens. As coisas começam a ficar muito interessantes no ataque. Harry Kane jogará, Heung-min Son jogará. E a briga para ser o terceiro elemento será intensa, entre Richarlison, Kulusevski – que impressionou bastante desde que foi contratado em janeiro – e Lucas Moura.

O técnico

Antonio Conte, do Tottenham (Chris Brunskill/Getty Images)

Antonio Conte é um dos melhores técnicos do mundo. Mas tem formiga no bumbum. Não consegue parar quieto. Está sempre pedindo mais e mais reforços, mesmo quando tem todos os recursos que precisa em mãos. Isso lhe deu um prazo de validade e também afasta o interesse de clubes que querem um comandante mais maleável. O Tottenham quer títulos e contratou um dos técnicos mais vencedores do momento. Espera que seja possível conquistá-los durante a janela de satisfação de Conte, e a grande reviravolta que ele comandou na última temporada foi um ótimo sinal.

O futuro

Conte não ama usar garotos. O que pode ter mais espaço na próxima temporada é o meia Oliver Skipp, de 21 anos. Ele vinha jogando bastante quando sofreu uma lesão na pélvis em fevereiro e ficou fora até o fim da temporada. Recuperado e em forma, teve outro problema físico durante a pré-temporada que o deve obrigar a perder as primeiras semanas da Premier League. Formado em casa, fez 51 jogos pelo Tottenham, o que não é ruim para a sua idade. Também ajudou o Norwich a subir em 2020/21.

Expectativa para a temporada

Conte tem que equilibrar duas prioridades. A principal é se classificar para a próxima Champions League. Financeiramente, presença constante na principal competições de clubes da Europa é essencial. Se o fizer em terceiro lugar, dando um calorzinho em Liverpool e Manchester City, melhor ainda. A segunda é conquistar um título, o que o Tottenham não consegue desde 2008. O mais plausível é fazê-lo nas copas inglesas. Em terceiro lugar, uma boa campanha na Champions League também seria bem-vinda. O Tottenham reforçou o seu elenco com o objetivo de ter recursos suficientes para tentar tudo de uma vez.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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