Premier League

Guia da Premier League 2022/23 – Southampton: Como evitar a estagnação?

Ainda sofrendo com oscilações e sem grandes investimentos, o trabalho de Ralph Hasenhüttl não sai do lugar

Este texto faz parte do Guia da Premier League 2022/23. Clique e leia sobre todos os times.

Cidade: Southampton
Estádio: St. Mary’s Stadium (32.384 pessoas)

A temporada passada – 15º lugar

O Southampton disputou a Premier League. Eu tenho quase certeza que isso é verdade. Porque se você não torce para o clube foi fácil passar batido. Não chegou a entrar na zona de rebaixamento, não passou muito tempo entre os dez primeiros. A maioria das suas nove vitórias – quarto time que menos venceu junto com o Leeds, à frente apenas dos rebaixados – não chamou muito a atenção. Teve uma boa contra o West Ham em Londres, uma goleada sobre o Brentford quando o Brentford perdia de todo mundo e, ok, derrotou o Tottenham em um jogo doido e bateu o Arsenal, atrapalhando a classificação do time de Mikel Arteta à Champions League.

Mas mesmo esse 1 x 0 sobre os Gunners foi o único alento na pior sequência da temporada. O Southampton terminou a Premier League com nove derrotas, dois empates e apenas aquele triunfo nas últimas 12 rodadas. Uma boa sequência em outubro, outra em fevereiro e uma terceira razoável em dezembro foram suficientes para chegar aos 40 pontos e garantir a 11ª participação seguida na Premier League. Mas os ventos começaram a mudar de direção no St. Mary’s Stadium.

Durante a maior parte de três anos e meio, o consenso era que Ralph Hasenhüttl fazia o melhor que podia com um elenco pouco qualificado. Ele superou até duas goleadas por 9 a 0 e conseguiu um 11º lugar em sua primeira campanha completa. Mas o Southampton estagnou. Parou até de produzir jogadores que interessam aos grandes e investe muito pouco além das vendas médias de jogadores como Danny Ings, Jannik Vestergaard e Pierre-Emile Höjbjerg. Parece satisfeito em simplesmente existir.

Ou pelo menos parecia. Houve mudanças importantes na direção. Começando por um novo dono, o sérvio Dragan Solak, que comprou o clube em janeiro, falando em montar um time entre os dez melhores da Inglaterra. Joe Shields foi contratado como chefe de recrutamento para o lugar de Martyn Glover, que foi para o Leicester. Também houve mudanças profundas na comissão técnica. Tudo para tentar tirar o Southampton de um ponto de estagnação que é o pior pesadelo do torcedor.

O mercado  

Joe Aribo, do Southampton

Principais chegadas: Gavin Bazunu (Manchester City), Roméo Lavia (Manchester City), Sékou Mara (Bordeaux), Armel Bella-Kotchap (Bochum), Joe Aribo (Rangers), Mateusz Lis (Altay)

Principais saídas: Fraser Forster (Tottenham), Shane Long (Reading)

Pela primeira vez desde… sempre, o Southampton não vendeu nenhuma das suas principais peças e ainda botou € 56 milhões na mesa para aumentar as opções de Hasenhüttl. Colocou esse dinheiro na qualidade das categorias de base do Manchester City porque quase metade foi gasta no goleiro Gavin Bazunu e no volante Roméo Lavia, o reforço que mais empolgou os torcedores. Aos 18 anos, gera comparações com Paul Pogba e fez um jogo completo pelo time de Pep Guardiola na Copa da Liga Inglesa contra o Wycombe Wanderers.

Com Willy Caballero chegando aos 40 anos e a saída de Fraser Forster, o Southampton contratou dois goleiros. O irlandês Bazunu tem apenas 20 anos, mas já fez duas temporadas como titular na terceira divisão, emprestado ao Rochdale e ao Porstmouth. Até espera-se que o titular da seleção irlandesa comece jogando à frente do experiente Alex McCarthy. Outro goleiro, Mateusz Liz, polonês de 25 anos chegou do Altay, da Turquia, para compor elenco. Armel Bella-Kotchap é mais uma aposta na juventude. Zagueiro de 20 anos que teve sequência como titular do Bochum na Bundesliga e contribuiu para um bom 13º lugar.

Um grande achado (não que estivesse escondido) foi o nigeriano Joe Aribo, que fez nove gols e deu dez assistências pelo Rangers na última temporada. Tem sido regular no clube escocês há três anos e não se importa de quebrar o galho como lateral ou até centroavante. Sékou Mara, 20 anos, fez seis gols em 26 rodadas do Campeonato Francês pelo Bordeaux e é a mais recente tentativa de encontrar um atacante que saiba onde ficam as traves.

O elenco

Caso um goleiro de 20 anos que, por clubes, nunca jogou profissionalmente acima da terceira divisão da Inglaterra tenha problemas, o Southampton ainda conta com os 141 jogos de Premier League de Alex McCarthy, titular no começo da temporada passada antes de sofrer uma lesão na coxa. Hasenhüttl deixou para trás o seu favorito 4-2-2-2 por um esquema com três zagueiros durante a pré-temporada que deve ter Jan Bednarek, Mohammed Salisu, dois bons zagueiros, e o recém-chegado Bella-Kotchap como titulares, com Jack Stephens e Lyanco no apoio.

Tino Livramento, se saudável, é uma grande aposta do futuro do Southampton para a lateral direita. Quando ele jogar, Kyle Walker-Peters, pau para toda obra, deve ser deslocado à esquerda. Yan Valery e Romain Perraud são as opções naturais, mas, com alas, Hasenhüttl também pode optar por usar atacantes de lado de campo, como Nathan Redmond, Mohamed Elyounoussi ou Theo Walcott, que também pode ser usados como um dos membros da dupla de ataque.

Quem com certeza jogará é James Ward-Prowse, o coração do Southampton. O meia de 27 anos, especialista em bola parada, não disputou todos os minutos da Premier League pela terceira vez seguida apenas porque foi expulso na sétima rodada contra o Chelsea e cumpriu dois jogos de suspensão. Espera-se que o garoto Roméo Lavia comece ao seu lado no meio-campo, no lugar de Oriel Romeu, com liberdade para Joe Aribo.

Na frente, os principais centroavantes são Che Adams, que marcou apenas sete gols na Premier League e não teve sua melhor temporada, e Adam Armstrong, contratado por € 17 milhões do Blackburn um ano atrás. Marcou apenas duas vezes. O Southampton precisa de mais poder de fogo.

O técnico

Ralph Hasenhüttl, técnico do Southampton (Foto: Bryn Lennon/Getty Images/One Football)

Apelidado de Klopp dos Alpes pelas semelhanças de perfil com o técnico do Liverpool, Ralph Hasenhüttl durante muito tempo teve a confiança irrestrita da diretoria a ponto de ter seu contrato renovado na mesma temporada em que levou 9 a 0 do Leicester. Após um bom trabalho com o RB Leipzig, foi chamado para tirar os Saints do rebaixamento. Conseguiu e na temporada seguinte foi 11º colocado. Mas seu trabalho estagnou, também pela falta de investimentos. Em seus melhores dias, o Southampton consegue enfrentar qualquer um. Nos piores dias, vexame. O desafio para Hasenhüttl é encontrar regularidade entre esses dois extremos para conseguir outra boa campanha e impressionar os novos chefes.

O futuro

Bazunu e Lavia não foram os primeiros garotos que o Southampton foi buscar na base dos clubes grandes. Ano passado, Tino Livramento chegou do Chelsea. Na época, por apenas € 6 milhões, já parecia ter sido um grande negócio. Mas impressionou quando entrou em campo e foi titular 25 vezes, apesar de ter 19 anos e de ter sofrido alguns problemas físicos. O mais sério foi um rompimento do ligamento cruzado do joelho que o tirará de ação provavelmente até 2023. Se a recuperação correr bem, tem potencial de ser um dos grandes laterais direitos da Inglaterra.

 Expectativa para a temporada

Ficar na primeira divisão. É o mínimo. A maneira como isso ocorrerá é o que pode decidir o futuro do projeto do Southampton. A reta final da última Premier League foi tão ruim que Hasenhüttl entra pressionado nas primeiras rodadas e logo de cara enfrenta Tottenham (F), Leeds (C), Leicester (F), Manchester United (C) e Chelsea (C). Pode ser um problema. Ele nunca teve os recursos disponíveis para progredir no bom trabalho que no geral conduziu no St. Mary’s Stadium. Agora, teve pelo menos um pouco. Será o bastante para dar um passo à frente? Apostou na juventude.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo