Premier League

Guia da Premier League 2022/23 – Nottingham Forest: O rei do mercado

O bicampeão europeu precisava de muitos reforços para reconstruir seu elenco - trouxe 12 e ainda não terminou

Cidade: Nottingham
Estádio: City Ground (30.332)

Temporada passada – 4º na Championship 

O Nottingham Forest não disputava a Premier League desde 1999. E não parecia que seria o ano do acesso. Seis vitórias e um empate nas primeiras rodadas da Championship deixaram o bicampeão europeu na lanterna. Desespero total no City Ground. Chris Hughton foi demitido e deu lugar a Steve Cooper. Cooper havia levado o Swansea aos playoffs duas vezes consecutivas, mas sua principal prioridade era tirar o Forest das últimas posições. Fez isso e de lambuja chegou aos playoffs novamente.

Foi uma reviravolta incrível. Assumiu na nona rodada de um campeonato com 46 jogos e perdeu apenas seis vezes. Lá pela vigésima rodada ainda estava na parte de baixo da tabela, depois de muitos empates, mas engatou nove vitórias em dez jogos na reta final. Chegou até a ter chance de acesso direto, mas precisou passar pelos playoffs. O Sheffield United ficou para trás nos pênaltis, e um gol contra em Wembley garantiu a vitória sobre o Huddersfield e a promoção à Premier League.

O Forest estava na segunda divisão desde 2008 e havia chegado aos playoffs apenas duas vezes nesse período. O bilionário grego Evangelis Marinakis, dono do Olympiacos, comprou o clube em 2017 e começou a mudar a sua sorte. Antes de uma péssima campanha em 2021/22, emendou dois anos em que ficou muito próximo da segunda fase.

A campanha foi liderada pelo garoto Brennan Johnson e uma legião de jogadores emprestados, como o lateral direito Djed Spence, do Middlesbrough, o esquerdo Max Lowe, do Sheffield United, e o volante James Garner, do Manchester United. Nenhum deles ficará para jogar a Premier League. O que significa que o Forest foi às compras. E com muita volúpia.

O mercado 

Omar Richards, do Nottingham Forest (Foto: Divulgação)

Principais chegadas: Dean Henderson (Manchester United), Wayne Hennessey (Burnley), Jesse Lingard (Manchester United), Brandon Aguilera (Alajuelense), Lewis O’Brien (Huddersfield), Harry Toffolo (Huddersfield), Omar Richards (Bayern de Munique), Giulian Biancone (Troyes), Moussa Niakhaté (Mainz), Neco Williams (Liverpool), Taiwo Awoniyi (Union Berlim), Oriel Mangala (Stuttgart)

Principais saídas: Brice Samba (Lens), Tobias Figueiredo (Hull City), Carl Jenkinson (Newcastle Jets), Lewis Grabban (sem clube), Max Lowe (Sheffield United), Djed Spence (Middlesbrough), James Garner (Manchester United), Keinan Davis (Aston Villa), Philip Zinckernagel (Watford), Richie Laryea (Toronto)

O Nottingham Forest perdeu seu goleiro titular (Samba), um dos três zagueiros que mais entraram em campo (Figueiredo), os dois principais laterais (Spence e Lowe) e 25 gols entre Philip Zinckernagel, Keinan Davis e Lewis Grabban, que foi seu capitão. Alguns por escolha própria, outros não. Era muita coisa para repor, e Marinakis não poupou esforços para comprar mais de um time inteiro – e com Gustavo Scarpa chegando em janeiro e outros no horizonte. Mas fica o alerta: isso nem sempre dá certo.

O bicho papão dessa estratégia é o Fulham. Mas há uma diferença sensível entre aquele pacotão de reforços e o do Forest. Os londrinos trouxeram muitos jogadores mais estabelecidos, mais velhos, mais acomodados. Com exceção de Hennesey, o Forest trouxe três jogadores com 26 anos ou mais, e um deles é Jesse Lingard, que precisa muito se provar após sair do Manchester United.

Lingard parece ter sido o principal reforço. Ele tem vasta experiência de Premier League e estava na mira de vários clubes do segundo pelotão, como Newcastle e West Ham, no qual passou mágicos seis meses. Se conseguir retomar o desempenho daquele empréstimo aos Hammers, o Forest terá um meia-atacante com capacidade de decidir jogos e somar aqueles pontos extras para escapar do rebaixamento.

A Bundesliga foi um tema. Taiwo Awoniyi, formado nas categorias de base do Liverpool, chegou do Union Berlim para liderar o ataque, após 15 gols em 31 jogos pela liga alemã. Omar Richards, outro que teve passagem na Inglaterra como jovem, foi contratado do Bayern de Munique, e Moussa Niakhaté, capitão do Mainz, é outro talento muito interessante. O último reforço antes da estreia foi o volante Orel Mangala, do Stuttgart.

Do mercado interno, o Forest trouxe Dean Henderson, que achou que teria chance como titular no Manchester United e não teve. No Sheffield United, mostrou que é um goleiro à altura do desafio de ficar na primeira divisão. Hennessey será o seu reserva experiente. O Huddersfield forneceu o meia Lewis O’Brien e o lateral esquerdo Harry Toffolo. Após longa negociação, o Forest fechou com Neco Williams, jovem lateral direito do Liverpool que se destacou em um semestre emprestado ao Fulham. Brigará por posição com o francês Giulian Biancone, que chegou do Troyes.

O elenco

Lendo o bloco acima, você já conhece metade do elenco. Henderson deve ser o titular no gol, e Niakhaté roubará a posição de um dos três principais zagueiros de Cooper: Scott McKenna, Joe Worrall ou Steve Cook. Neco Williams ou Biancone na lateral direita, Richards ou Toffolo na esquerda. Há várias opções para meias centrais, incluindo os reforços O’Brien e Mangala. Ryan Yates foi um destaque da Championship, com oito gols, e deve manter a confiança de Cooper. O setor ofensivo parece bem definido: Brennan Johnson, Lingard e Awoniyi. Há pouco talento além dessa turma. É o setor para focar se ainda quiser fazer mais negócios.

O técnico

Steve Cooper com a taça do playoff de acesso da segundona inglesa (ADRIAN DENNIS/AFP via Getty Images)

Steve Cooper não foi exatamente um sucesso como jogador de futebol. Um defensor que nunca deixou o futebol galês. Como técnico, teve passagens em times de base da Inglaterra e teve sucesso no sub-17. Era o comandante da seleção inglesa que conquistou o Mundial da categoria em 2017 vencendo o Brasil na semifinal e goleando a Espanha na decisão. Conseguiu levar o Swansea duas vezes seguidas aos playoffs, mas não sem o acesso. Com o Forest, chegou lá novamente e agora terá a chance de medir suas habilidades com os melhores técnicos do mundo.

O futuro

Brennan Johnson é prata da casa. Passou uma temporada emprestado ao Lincoln City, na terceira divisão, e foi muito bem. Ficou no elenco para a disputa da Championship e terminou como o artilheiro do Nottingham Forest – e com folgas. Marcou 19 gols, ainda deu nove assistências, e não tem mais do que 21 anos. É o jogador mais interessante do elenco e deve jogar a Copa do Mundo com a seleção galesa. Um palco para se valorizar ainda mais.

Expectativa para a temporada

Pela história do Nottingham Forest, e pelo mercado alucinante, é compreensível esperar mais do que simplesmente se manter na primeira divisão. E é verdade que alguns clubes recém-promovidos, como Sheffield United, Leeds e Brentford, conseguiram ir muito além da sobrevivência, mas passar bem longe da zona de rebaixamento já seria uma vitória ao bicampeão europeu. Depois, vê o que dá para fazer.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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