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Guia da Premier League 2022/23 – Liverpool: Renovado e pronto para tentar de novo

Após quase conquistar quatro títulos, o Liverpool terá um ataque muito diferente para desafiar o Manchester City mais uma vez

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Cidade: Liverpool
Estádio: Anfield Road (53.394 pessoas)

Temporada passada – 2º lugar

A pergunta antes de a temporada começar era se 2020/21, quando correu risco de nem se classificar à Champions League, havia sido uma pane na máquina ou sinal de que o ciclo estava chegando ao fim. Pane na máquina. Com certeza, pane na máquina. É verdade que de certa forma o ciclo iniciado por Jürgen Klopp chegou ao fim, mas não de maneira drástica e depois de o Liverpool quase conquistar todos os quatro títulos que disputou.

Havia ficado claro desde o começo que fora pane na máquina, embora, olhando para trás agora, quatro empates nas primeiras dez rodadas, e a derrota para o West Ham na 11ª, tenham custado pontos que fariam falta lá na frente. Ainda era difícil saber qual seria a exigência para ser campeão porque o Manchester City também começou um pouco devagar. Mas quando um título é perdido por dois pontos é impossível não lembrar aquele empate contra o Brentford, a oito minutos do fim, ou aquele outro contra o Brighton. O Liverpool teve outro breve soluço na virada do ano, com três rodadas sem vitória, e chegou a ficar a 14 pontos do City.

O título que parecia impossível foi ficando menos impossível a cada vitória a partir do meio de janeiro. A contratação de Luis Díaz foi uma injeção de energia. E não é que o City caiu muito de rendimento. O Liverpool simplesmente vencia todos os jogos e conseguiu chegar ao confronto direto do Etihad Stadium apenas um ponto atrás. O empate por 2 a 2 manteve tudo igual, mas, ainda vivo em todas as outras competições também, não conseguiu ganhar todas as rodadas finais. O empate contra o Tottenham foi praticamente a pá de cal.

Exceto que não foi também porque um tropeço inesperado do City contra o West Ham deixou tudo aberto para o último fim de semana. Enquanto o Liverpool sofria para furar a defesa do Wolverhampton, o Aston Villa abriu 2 a 0 no Etihad Stadium, mas Gündogan liderou uma virada relâmpago, e o caneco ficou em Manchester.

A frustração foi grande em Anfield, mas o Liverpool havia ganhado as duas copas inglesas, as suas primeiras com Klopp, e estava na final da Champions League. Perdeu essa também, mas ainda fez uma temporada à altura do clube que é e do time que formou. Sem lamber as feridas, a palavra de ordem é simplesmente tentar novamente.

O mercado

Darwin Núñez, do Liverpool (Foto: Divulgação)

Principais chegadas: Darwin Núñez (Benfica), Fábio Carvalho (Fulham), Calvin Ramsay (Aberdeen)

Principais saídas: Sadio Mané (Bayern de Munique), Neco Williams (Nottingham Forest), Takumi Minamino (Monaco), Marko Grujic (Porto), Ben Davies (Rangers), Divock Origi (Milan), Loris Karius (sem clube)

A quantidade de negócios do Liverpool dependeria das renovações de contrato. O seu famoso trio de ataque estava entrando no último ano de compromisso e não se sabia exatamente quantos sairiam e quantos renovariam. No fim, foi um de cada: Mané pediu para ser negociado com o Bayern de Munique, Mohamed Salah acertou por mais três temporadas e Roberto Firmino é o único que entra na nova campanha ainda com o futuro incerto.

O Liverpool confirmou a reposição antes de fechar a transferência de Mané para Munique. Na realidade, havia feito isso em janeiro quando trouxe Luis Díaz. Diante do interesse do Tottenham, antecipou o seu planejamento para garantir um ponta esquerda ao estilo do senegalês. O colombiano encaixou tão bem logo de cara que superou Diogo Jota e Firmino para ser titular do trio de ataque, deslocando Mané à posição de centroavante. Então, Darwin Núñez chegou para fazer essa função.

O uruguaio pode se transformar na mais cara contratação da história do Liverpool, dependendo das variáveis. Dá a Klopp uma característica que ele nunca teve: o verdadeiro centroavante, alvo da maioria dos passes, goleador nato, mesmo que tenha mobilidade para também criar jogadas pelos lados. Até pela juventude, exigirá uma certa adaptação. Mas, aos 23 anos, tem potencial de ser um ativo importante em Anfield pela próxima década.

Embora tenha havido especulações sobre a contratação de um meia, esse foi o grande negócio do Liverpool. Os outros foram pensando no futuro. Neco Williams foi vendido ao Nottingham Forest por € 20 milhões e, por apenas um quinto desse valor, o promissor lateral Calvin Ramsay chegou do Aberdeen para ser o escudeiro de Alexander-Arnold. Fábio Carvalho, quase garantindo desde janeiro, completa a legião de garotos dos Reds, que também esperam grandes feitos de Harvey Elliott e Curtis Jones. Um meia habilidoso que sai da esquerda para o centro, as comparações com Philippe Coutinho foram imediatas assim que a pré-temporada começou.

O elenco

Está com cheirinho de carro novo. Pela primeira vez em muito tempo, o Liverpool começará a temporada com um ataque diferente. Também houve saídas nas margens. O talismã Divock Origi decidiu mudar de ares ao fim do seu contrato e foi para o Milan. Takumi Minamino foi vendido ao Monaco. Posições no elenco que devem ser ocupadas por garotos ganhando mais espaço.

Alisson ainda é um bastião de segurança debaixo das traves. O veterano Adrián jogou na Supercopa da Inglaterra, mas o reserva imediato deve ser Caominhim Kelleher, que correspondeu quando foi convocado. Houve uma pequena mudança na lateral direita: agora há um reserva. Ramsay chegou para permitir que Alexander-Arnold descanse um pouco mais, sem ser necessária uma improvisação. Na esquerda, tudo segue igual, com Andrew Robertson titular e Kostas Tsimikas reserva.

Ibrahima Konaté precisou de um minuto ou dois para se adaptar, mas terminou a temporada em alta e deve formar a dupla de zaga com Virgil Van Dijk na maioria das partidas. Sem tanta pressão, Joel Matip cresceu, e Joe Gomez renovou o seu contrato, indicando que confia em seu taco para recuperar espaço.

No meio-campo, tudo começa com Fabinho, mas à frente dele, Klopp pode montar o setor de diferentes maneiras. A preferida deve ser com Jordan Henderson e Thiago. Naby Keita começa a finalmente mostrar o futebol pelo qual se destacou no RB Leipzig e se espera que Curtis Jones dê um passo à frente. Fábio Carvalho e Harvey Elliott também podem jogar por dentro, em uma formação mais ofensiva. James Milner continua na ativa.

Aconteceu com Konaté e aconteceu com Fabinho e aconteceu com outros reforços que chegaram debaixo de expectativas. Então talvez Núñez também tenha que esperar um pouco antes de virar titular incontestável do ataque, mas no cenário ideal, ficará na área para receber os passes de Díaz e Mohamed Salah. Diogo Jota é a primeira opção para substituir o colombiano ou o uruguaio, e Roberto Firmino, “o coração e a alma do Liverpool”, segundo Klopp, terá que mostrar muito serviço para recuperar o protagonismo que teve no passado, com seu contrato chegando ao fim.

O técnico

Klopp, do Liverpool (Foto: BEN STANSALL/AFP via Getty Images/One Football)

Após uma temporada em que pareceu cansado, sem a presença da torcida nas arquibancadas e com problemas pessoais, Jürgen Klopp admitiu que foi “rejuvenescido” pelo futebol do Liverpool e por Anfield novamente cheio. Incentivado pela esposa, renovou contrato para completar 11 temporadas à frente dos Reds, e a possibilidade de conquistar quatro títulos ser tão real deixa claro que aproveitará esse tempo para marcar a sua era com o máximo de conquistas possíveis. Está pouco a pouco se tornando um candidato mais forte a maior técnico da história do clube, por mais que Bill Shankly pareça inatingível.

O futuro

Harvey Elliott chegou da base do Fulham antes de Carvalho, ainda aos 16 anos, e estava pronto para fazer parte do time principal na última temporada. Chegou a emendar três rodadas de Premier League como titular antes de sofrer uma séria lesão no tornozelo e perder cerca de cinco meses. Mal jogou depois, mas esteve bem na pré-temporada e seu imenso potencial deve entrar na rotação do meio-campo e provavelmente também do ataque.

Expectativa para a temporada

O Liverpool chegou a um patamar em que ser campeão da Premier League ou da Champions League é sempre o principal objetivo. Se não for alcançado, que seja pelo menos como na última temporada – brigando até o fim, chegando à final. As novas caras talvez exijam um certo tempo de adaptação, mas o time de Klopp ainda é o mais bem equipado para impedir que o Manchester City conquiste a Inglaterra pela terceira vez seguida.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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