Premier League

Guia da Premier League 2022/23 – Fulham: Agora contratou pouco demais

Marco Silva reclamou do tamanho do seu elenco na semana de estreia na Premier League, o que não é bom sinal para o Fulham tentar evitar seu terceiro rebaixamento em cinco anos

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Cidade: Londres
Estádio: Craven Cottage (19.000)

Última temporada – Campeão da Championship

A prática leva à perfeição. Depois de dois acessos por meio dos playoffs, o Fulham teve uma temporada excelente na segunda divisão. Não exatamente perfeita porque teve um momento de baixa na reta final que quase lhe custou o título, mas marcou 106 gols e acumulou goleadas marcantes – duas por 7 a 0, duas por 6 a 2, e outras menores. Difícil discordar que foi o melhor time da Championship.

O terceiro acesso em cinco anos do Fulham começou com a contratação de Marco Silva para substituir Scott Parker. A arrancada à liderança teve 13 vitórias e apenas três derrotas nas primeiras 18 rodadas. Uma certa pane trouxe um excesso de empates em novembro e dezembro, mas os londrinos pisaram o acelerador novamente na virada do ano. O momento mais especial foi uma semana entre 11 e 18 de janeiro em que aplicaram 7 a 0 sobre o Reading, 6 a 2 sobre Bristol City e o mesmo placar contra o Birmingham.

As combinações entre Fabio Carvalho, Harry Wilson e Aleksandr Mitrovic continuaram funcionando, e o Fulham continuou vencendo. Quando o acesso começava a ficar concreto, o nível baixou um pouco. Vieram derrotas para Coventry City e Derby County antes de selar a promoção, com vitória por 3 a 0 sobre o Preston North End. Após mais dois tropeços, conquistou o título com direito a um novo 7 a 0, contra o Luton.

Em um time que misturou algumas caras novas com figurinhas carimbadas de acessos anteriores, Mitrovic foi o grande destaque com 43 gols, recorde da segunda divisão desde a criação da Premier League em 1992/93. Ele precisará carregar essa forma à elite para evitar que a história se repita novamente, de um jeito ruim, com um novo rebaixamento.

O mercado

Andreas Pereira assina pelo Fulham (Foto: Divulgação)

Principais chegadas: João Palhinha (Sporting), Andreas Pereira (Manchester United), Kevin Mbabu (Wolfsburg), Manor Solomon (Shakhtar Donetsk), Benrd Leno (Arsenal)

Principais saídas: Fábio Carvalho (Liverpool), Jean Michaël Seri (Hull City), Michael Hector (sem clube), Alfie Mawson (sem clube), André Anguissa (Napoli)

No primeiro acesso recente, o Fulham parecia uma criança que havia acabado de ganhar mesada em uma loja de doces. Contratou mais de uma dúzia de jogadores e teve uma campanha desastrosa na Premier League. No segundo acesso recente, gastou menos, mas ainda buscou muitos reforços, a maioria por empréstimo, e teve uma campanha desastrosa na Premier League. Até o momento, fechou apenas cinco contratações, o que não parece ser bom também porque Marco Silva reclamou do tamanho do elenco.

Ele quer mais cinco ou seis, o que no fim dará mais um time inteiro novo. Mais alguns são realmente necessários porque ficou com apenas dois zagueiros adultos, após liberar Michael Hector e Alfie Mawson, e com Terence Kongolo fazendo testes no Stoke City, depois de dois anos quase sem jogar por causa de uma lesão no joelho. Silva disse que tem apenas 16 jogadores entrando na última semana de preparação.

O principal reforço até agora foi João Palhinha, um volante muito físico para ajudar o seu meio-campo a aguentar as exigências da Premier League e destaque do Sporting campeão português. Ele terá a companhia de Andreas Pereira que, após passagem por empréstimo ao Flamengo, foi vendido pelo Manchester United. Um pouco mais de qualidade de passe.

O lateral direito suíço Kevin Mbabu reforçará a defesa, após um ano meio na reserva do Wolfsburg, e Monor Solomon foi pinçado do êxodo do Shakhtar Donetsk. Nesta semana que antecede a estreia, os londrinos também fecharam com Bernd Leno, encostado no Arsenal, para ter mais experiência em alto nível debaixo das traves.

O elenco

Se o técnico diz que o elenco não está pronto para permanecer na Premier League, quem sou eu para discordar? Até porque é impossível entrar na temporada com apenas Tim Ream e Tosin Adarabioyo como zagueiros, por mais que eles tenham disputado praticamente todos os minutos da exigente Championship em 2021/22. Leno era necessário porque o goleiro titular no acesso, Marek Rodak, praticamente não tem experiência em primeira divisão. A opção mais veterana era Paulo Gazzaniga, que até tem, mas nunca foi muito mais que um reserva de Southampton e Tottenham.

Mbabu substitui Neco Williams, que terminou bem a temporada passada emprestado pelo Liverpool, mas foi vendido pelos Reds para o Nottingham Forest. Ele briga por posição com Kenny Tete, que precisa com urgência começar a confirmar o potencial que mostrava quando saiu do Ajax. Joe Bryan está entre os favoritos da torcida, mas perdeu espaço para Antonee Robinson na lateral esquerda.

Palhinha começou a mostrar a agressividade que levará ao meio-campo durante os amistosos de pré-temporada, e o setor tem funcionado direitinho com Andreas Pereira. Nathaniel Chalobah, ex-Watford, é outra opção com experiência, para ajudar nomes como Harrison Reed e Tom Cairney que tiveram seus melhores momentos fora da primeira divisão. Josh Onomah não participou da preparação e deve ser vendido, junto com os pontas Ivan Cavaleiro e Anthony Knockaert.

O setor ofensivo não está tão recheado. O meia-atacante Bobby Reid e o ponta esquerda Neeskens Kebano fizeram uma Championship importante para o Fulham. Harry Wilson oferece uma ótima bola parada, e Solomon está chegando para ser mais uma opção. Fábio Carvalho, principal saída da janela de transferências, fará falta. Aleksandr Mitrovic é intocável como líder do ataque, com o brasileiro Rodrigo Muniz como seu escudeiro.

O técnico 

Marco Silva, técnico do Fulham (Foto: Clive Rose/Getty Images/One Football)

Marco Silva havia pintado como opção para os clubes brasileiros no começo da temporada, mas preferiu se manter na Inglaterra, onde tem uma experiência importante. Começou se destacando pelo Estoril, teve boa passagem pelo Sporting e foi campeão pelo Olympiacos antes de chegar à Premier League pelo Hull City, no começo de 2017. Parecia inevitável evitar o rebaixamento, e mesmo que ele não o tenha evitado, pelo menos deu alguma esperança e estendeu a briga até as rodadas finais. Durou apenas seis meses no Watford porque, após um bom começo, começou a ter problemas internos por não ter recebido permissão para negociar com o Everton. Acabou se mudando para o Goodison Park no começo da temporada 2018/19. Conseguiu um oitavo lugar, mas foi demitido alguns meses depois na zona de rebaixamento. No geral, mostrou potencial, certa inclinação a atritos e muitos altos e baixo, mas pelo menos tem uma experiência importante para tentar cumprir a meta do Fulham.

O futuro

Não é um time muito jovem. Apenas dois jogadores têm menos de 23 anos neste momento. O mais novinho é o brasileiro Rodrigo Muniz. Destacou-se no primeiro semestre de 2021 com a camisa do Flamengo, marcando nove gols em 25 jogos, e foi contratado pelo Fulham para a última temporada. Até pela forma incrível de Mitrovic, não teve muitas chances, mas marcou um gol a cada 90 minutos em campo, o que também não é ruim.

Expectativa para a temporada

A prática leva à perfeição? É o que teremos que descobrir. Pela terceira vez em cinco anos, o Fulham tentará permanecer na Premier League e não está brilhando até agora. Mesmo que traga os reforços pedidos por Marco Silva, terá que começar correndo atrás do prejuízo porque nenhum deles participou da pré-temporada e na melhor das hipóteses chegarão com as primeiras rodadas em andamento. Silva enfrentou a briga contra o rebaixamento outras vezes e não foi mal, principalmente pelo Hull City, e o Fulham parece estar buscando negócios mais direcionados. Mas as perspectivas ainda não são as melhores.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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