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Guia da Premier League 2022/23 – Crystal Palace: O importante é se divertir

Sob o comando de Patrick Vieira, o Crystal Palace terminou quase no mesmo lugar na tabela - mas se divertiu muito mais

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Cidade: Londres
Estádio: Selhurst Park (25.456 pessoas)

Temporada passada – 12º lugar

Os 48 pontos foram a segunda melhor pontuação do Crystal Palace desde que retornou à Premier League, em 2013, mas suas campanhas nunca variaram muito. A pior desse período teve 41 pontos. O 12º lugar está na média também. Mas a defesa melhorou bastante – sofreu 20 gols a menos – e o ataque marcou nove a mais. Não à toa houve a sensação de que foi uma temporada muito melhor com Patrick Vieira do que as últimas sob o comando de Roy Hodgson, apesar do resultado final ter sido parecido.

Também por causa de uma boa campanha na Copa da Inglaterra, com sua primeira semifinal em seis anos, talvez porque a equipe pareceu mais jovem, sem algumas figurinhas carimbadas que deixaram o Selhurst Park antes da Premier League começar. Ou por causa da mudança de estilo. Pela primeira vez desde o acesso, quase dez anos atrás, o Crystal Palace ficou mais tempo com a bola do que o adversário. E se essa estatística não diz tudo, um pulo de 42,9% para 50,8% é um claro indicador que de houve uma alteração radical ao que os jogadores – muitos deles os mesmos que Hodgson tinha à disposição – se propuseram a fazer.

A partir disso, claro que ainda há ajustes a serem feitos. O Palace ainda teve um baixo número de finalizações. O centroavante mais artilheiro pela Premier League foi Odsonne Edouard, com seis gols, atrás de Connor Gallagher e Wilfried Zaha, que deu sua maior contribuição em uma edição da Premier League, com 14. Mas, para pegar um exemplo, o Brighton passou por um processo parecido quando contratou Graham Potter. Levou um tempo para dar um salto também em termos de resultados.

Ao contrário da tentativa anterior de mudar de direção, com Frank de Boer, Vieira não teve um começo desastroso e atingiu a prioridade: estender o maior período da história do clube na primeira divisão sem sustos. E é verdade que o começo foi apenas um pouco não desastroso porque, se perdeu apenas duas vezes nas nove rodadas iniciais, também ganhou apenas do Tottenham. Após outra oscilação na época da virada do ano, terminou em alta, somando várias vitórias sobre integrantes do Big Six.

Além daquele 3 a 0 na quarta rodada, o Palace ganhou do Manchester City no Etihad Stadium. Aliás, não perdeu do campeão porque no Selhurst Park o placar não saiu do zero. Prejudicou as ambições europeias do Arsenal com outra vitória impactante por 3 a 0 e fechou a sua campanha derrotando o Manchester United. Em um clube há tanto tempo no limbo, bom demais para ser rebaixado, ruim demais para jogar competições europeias, não dava para cobrar um início melhor de Vieira.

O mercado

Chris Richards, do Crystal Palace (Foto: Divulgação)

Principais chegadas: Cheick Doucouré (Lens), Chris Richards (Bayern de Munique), Sam Johnstone (West Brom) e Malcolm Ebiowei (Derby County)

Principais saídas: Connor Gallagher (Chelsea), Martin Kelly (sem clube), Cheikhou Kouyaté (sem clube)

Não houve grandes revoluções. O principal investimento foi feito em Cheick Doucouré, volante titular do Lens, sétimo colocado da Ligue 1, para renovar um pouco um setor que estava mesmo ficando empoeirado, com Luka Milivojevic, James McArthur e Cheikhou Kouyaté, o único integrante desse trio de veteranos que foi embora.

Uma contratação que pode ter sido muito esperta é a de Chris Richards. Um zagueiro de 22 anos, com passagem pela seleção norte-americana, que fez algumas partidas pelo Bayern de Munique e teve duas temporadas atuando bastante pelo Hoffenheim. Sam Johnstone foi mais um dos candidatos a terceiro goleiro da seleção inglesa a mudar de casa e tomou a decisão arriscada de deixar o West Brom para brigar por posição com Vicente Guaitá e Jack Butland – um grupo bem forte de arqueiros para um time do tamanho do Crystal Palace.

O que não chegou foi a reposição a Connor Gallagher. Ele foi um dos melhores jogadores do time ao lado de Zaha na última temporada, mas retornou de empréstimo ao Chelsea. O marfinense também é um caso para ficar de olho. Após tentar inúmeras vezes sair do Crystal Palace, sossegou na última temporada, mas está entrando no último ano do seu contrato.

O elenco

Guaitá foi o titular e terá a concorrência de dois goleiros que já defenderam a seleção inglesa. Um deles, Johnstone, esteve na última Eurocopa como terceira opção. Será uma briga boa. Vieira não abandonou a linha de quatro e fixou Marcu Guéhi e Joachim Andersen como sua linha de zaga. Eles têm 20 e 25 anos, respectivamente. É um setor muito jovem do Crystal Palace, reforçado por Chris Richards e que também conta com Nathan Ferguson, ambos com 21. A experiência fica por conta de James Tomkins. Joel Ward e Tyrick Mitchell foram as preferências para as laterais, com Nathaniel Clyne como primeiro suplente. Richards pode atuar também na esquerda.

Kouyaté, não mais no clube, foi o volante mais utilizado. Depois dele, James McArthur ou Jeffery Schlupp fazendo a função. Vieira variou entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1, o que significa que às vezes usou dois jogadores de contenção ao mesmo tempo, como Will Hughes ou Milivojevic, que perdeu bastante espaço. Os garotos Michael Olise e Eberechi Eze, dois destaques recentes da Championship, ajudaram na criação, que foi responsabilidade principal de Gallagher. Terão que dar um passo à frente e evitar as lesões para suprir a ausência do jogador do Chelsea.

Pelos lados, Zaha teve uma das suas melhores temporadas, fazendo dupla de pontas com Jordan Ayew na maioria dos fins de semana. O centroavante foi na base da tentativa e erro. Edouard, Mateta e Benteke tiveram uma minutagem parecida. E nenhum deles convenceu.

O técnico

Vieira, do Palace (Foto: Sebastian Frej/Imago/One Football)

Poucos têm uma história mais bonita na Premier League do que Patrick Vieira. Poucos têm o currículo dele também. Um dos melhores volantes da sua geração está tendo um começo de carreira como técnico interessante. Testou as suas ideias pelo New York City da Major League Soccer e depois conseguiu um ótimo quinto lugar com o Nice, antes de ser demitido por uma sequência ruim de resultados. Ainda não passa de um jovem técnico promissor, mas está ganhando crédito. O primeiro ano no Palace foi tão bom quanto poderia se esperar. Agora é ver se ele confirma essa evolução estilística do time com uma campanha melhor ainda.

O futuro

Contratado do Reading como uma das grandes revelações da segunda divisão, Michael Olise mostrou alguns lapsos de qualidade no Crystal Palace. Deu assistências, marcou dois golzinhos na Premier League, embora ainda esteja na periferia do elenco. Apenas 12 vezes titular, mas constantemente saindo do banco de reservas para se aclimatar ao novo campeonato. Se tiver mesmo potencial, pode dar um salto de qualidade importante em um time que precisa de mais criatividade.

Expectativa para a temporada

O Palace não é muito exigente em termos de resultados. Se permanecer na primeira divisão, ótimo. Houve pouca inclinação a rupturas, mesmo depois de temporadas bem fracas em desempenho. É um clube ciente do seu tamanho. O que precisa para dar um passo à frente é a evolução do trabalho coletivo, o que se espera da segunda temporada de Vieira. Que continue tentando propor o jogo, se possível colocando mais bolas nas redes, e incomodando os grandes. Se quiser um objetivo concreto, terminar entre os dez primeiros, como em 2014/15, seria bem legal.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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