Premier League

Guia da Premier League 2022/23 – Aston Villa: Um importante teste para Gerrard

O técnico do Aston Villa terá sua primeira temporada completa na Premier League para mostrar que é mesmo uma promessa – e recebeu dois reforços muito interessantes para melhorar suas chances

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Cidade: Birmingham
Estádio: Villa Park (42.600 pessoas)

Temporada passada – 14º lugar 

Dean Smith estava sendo cozinhado em fogo baixo. Ele subiu com o Aston Villa, mas não estava conseguindo executar a visão dos donos (o norte-americano Wes Edens e o egípcio Nassef Sawiris), que colocaram bastante dinheiro para tentar estabelecer o clube no segundo pelotão da Premier League, ali entre Leicester, Wolverhampton e West Ham. Smith escapara do rebaixamento por um fio no retorno à primeira divisão. Um pouco melhor na temporada seguinte, com o 11º lugar, mas após a venda de Jack Grealish, o time deu um passo para trás. Era até natural que precisasse de uma reorganização depois da saída de um jogador tão influente, e o Villa decidiu fazê-la com um novo técnico. Com Steven Gerrard.

As qualidades reais de Gerrard como técnico ainda não estão claras. Fez um ótimo trabalho no Rangers e está ganhando a fama de ter um perfil rígido, cheio de regras de disciplina para os jogadores seguirem. A exigência da Premier League é muito mais alta do que a da Escócia, e os seus primeiros meses serviram apenas para confundir um pouco mais. Teve um ótimo começo, encaixou jogos interessantes e terminou mal. Foi 14º colocado, bem longe das expectativas. Ganha um pouco de crédito por não ter dirigido a pré-temporada. A pressão será maior em seu primeiro ano completo.

Os seis primeiros jogos foram muito interessantes. Ganhou quatro deles, contra Brighton, Crystal Palace, Leicester e Norwich. Perdeu de Manchester City e Liverpool nessa sequência, como a maior parte da tabela, mas nunca mais encontrou consistência. Nas últimas 11 rodadas, venceria apenas os rebaixados Norwich e Burnley, com seis derrotas e três empates. Não teve sucesso maior nas copas, eliminado logo na terceira rodada pelo Manchester United na Copa da Inglaterra e na mesma fase na Copa da Liga Inglesa, contra o Chelsea, nos pênaltis.

Entre as boas notícias, Emiliano Martínez confirmou que é um dos melhores goleiros da Premier League, e os garotos Jacob Ramsey e Cameron Archer mostraram potencial. Coutinho chegou chegando em janeiro e rapidamente se transformou no maestro do Aston Villa. Por outro lado, os reforços contratados com o dinheiro de Grealish não estouraram como se esperava. Emi Buendía e Leon Bailey, prejudicado por problemas físicos, precisam entregar mais. Assim como Danny Ings. Fez apenas sete gols, igualando sua pior contribuição em uma temporada sem grandes problemas físicos desde que se tornou um dos bons atacantes da primeira divisão inglesa. Será muito importante que ele reencontre a pontaria.

O mercado

Philippe Coutinho, do Aston Villa (divulgação)

Principais chegadas: Diego Carlos (Sevilla), Boubacar Kamara (Olympique de Marseille), Philippe Coutinho (Barcelona), Ludwig Augustinsson (Sevilla), Robin Olsen (Roma)

Principais saídas: Matt Targett (Newcastle), Trezeguet (Trabzonspor), Wesley (Levante), Carney Chukwuemeka (Chelsea)

O Aston Villa fechou seus principais negócios no começo do mercado e fez duas das contratações mais interessantes da Premier League. A rapidez foi importante para ficar com o zagueiro Diego Carlos, do Sevilla, que estava cobiçado no mercado, e por um valor razoável, cerca de € 30 milhões. O outro reforço pode ser a grande barganha da janela porque levou o volante Boubacar Kamara, do Olympique de Marseille, sem pagar taxa de transferência. Apenas 22 anos, passagem pela seleção francesa e que vem de uma ótima temporada sob o comando de Jorge Sampaoli.

O clube também ajudou o Barcelona a resolver o problema Coutinho. Financeiramente, péssimo negócio aos catalães que venderam por aproximadamente € 20 milhões um cara que custou € 150 milhões, mas pelo menos eles tiraram o alto salário do brasileiro das suas contas. Coutinho, reunido com o antigo companheiro de Liverpool, Gerrard, teve seis meses consistentes. Se continuar se recuperando, pode fazer toda a diferença. Perto dos seus melhores momentos na Premier League foi um craque que não costuma estar no radar do Aston Villa. Ainda tem 30 anos. A idade não é necessariamente um problema.

Nas margens do elenco, o Aston Villa substituiu Matt Targett, vendido ao Newcastle, pelo experiente lateral sueco Ludwig Augustinsson, emprestado pelo Sevilla, no qual era reserva. Provavelmente continuará sendo com Lucas Digne à sua frente em Birmingham. Após seis meses emprestado pela Roma, Robin Olsen foi contratado de vez para ser o substituto de Emiliano Martínez. Pouco antes da estreia, o garoto Carney Chukwuemeka foi vendido para o Chelsea. A diretoria acreditava em seu potencial e tentou renovar seu contrato. Sem sucesso, preferiu fazer algum dinheiro com ele.

O elenco

O Aston Villa colocou muito dinheiro desde que subiu à Premier League e tem um elenco bem qualificado para o segundo escalão. Gerrard terminou a temporada armando o seu time em 4-3-1-2, com três meias de sustentação para dar liberdade a Coutinho e dois atacantes ou outro meia-atacante, Buendía ou Bailey, ao lado do brasileiro atrás de um único centroavante. Pelos reforços, a estrutura deve ser parecida.

Martínez é um excelente goleiro, que desabrochou depois de sair do Arsenal e brilhou também pela seleção argentina. Terá um reserva experiente em Olsen, se alguma coisa der errada. O Villa tem uma dupla boa de laterais, com Matty Cash, um dos favoritos da torcida, e Lucas Digne como os principais. Ashley Young ainda está no elenco, aos 37 anos, para passar experiência e jogar de vez em quando. Mas Augustinsson e Chambers ou Konsa improvisados (ou Frédéric Guilbert que retornou de empréstimo do Estrasburgo) devem ser os principais suplentes. Konsa e Chambers também devem ser opções na zaga, agora liderada por Carlos e Tyrone Mings, que perdeu a braçadeira de capitão para John McGinn.

Agora com nova responsabilidade, McGinn teve Douglas Luiz e Jacob Ramsey ao seu lado no meio-campo. Kamara será uma concorrência forte por uma das vagas de titular, com Morgan Sanson e Marvelous Nakamba à espreita. Coutinho fará a ligação para Danny Ings e Ollie Watkins, os dois principais atacantes do Aston Villa. Atuando sem pontas, o que fazer com Buendía e Bailey é uma questão. Terão que ser encaixados na dupla da frente ou trabalhar mais por dentro ao lado de Coutinho ou quando o brasileiro não estiver disponível. Isso se Gerrard mantiver sua principal formação.

O técnico

Steven Gerrard, técnico do Aston Villa (Clive Brunskill/Getty Images)

Um dos maiores nomes da história do futebol inglês está tentando ter o mesmo sucesso como técnico. Ou até mais, considerando que nunca foi campeão da Premier League quando era jogador. Steven Gerrard começou nas categorias de base do Liverpool, como era de se esperar, após se aposentar pelo Los Angeles Galaxy. Em 2018, aceitou assumir o Rangers para testar o que havia aprendido e teve bastante sucesso em três temporadas completas. Quebrou a fila de 10 anos sem títulos escoceses e fez o Rangers voltar a enfrentar o Celtic de igual para igual – muitas vezes superando-o. Assumiu o Aston Villa em novembro do ano passado, alternando bons e maus momentos. Parece ter potencial, mas ainda tem muito a provar. Especialmente se quiser ser um candidato de verdade a sucessor de Jürgen Klopp no clube do seu coração.

O futuro

Se você é um jovem meia central inglês, com certa inclinação ofensiva, que gosta de entrar na área, finalizar e fazer uns golzinhos, não poderia ser treinado por alguém melhor que Steven Gerrard. Jacob Ramsey, 21 anos, começou a ganhar espaço com Dean Smith, mas virou titular com o ex-capitão do Liverpool e deu todos os sinais de que pode ser um meio-campista moderno com todos os recursos.

Expectativa para a temporada

O Aston Villa tem uma boa base. Um elenco com vários jogadores que atuam juntos há um tempo razoável e opções no banco de reservas para superar crises de lesões. Os principais reforços qualificam setores vitais – a zaga e o meio-campo -, em busca de mais regularidade. Se tudo encaixar, e Gerrard mostrar habilidade para conduzir uma temporada inteira de Premier League em alto nível, pode até brigar por vagas europeias, mas o mínimo seria terminar entre os dez primeiros e viver à altura da sua tradição nas copas inglesas – seis finais desde 1994, com dois títulos da Copa da Liga.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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