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Guia da Premier League 2022/23 – Arsenal: Hora de ser forte de verdade

Dentro do plano de cinco anos de Edu Gaspar, esta é a temporada em que o Arsenal dará um salto de qualidade. Resta saber se suficiente para invadir o G4

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Cidade: Londres
Estádio: Emirates (60.000 pessoas)

Temporada passada – 5º lugar

O que mata é a expectativa. Caso o Arsenal tivesse terminado entre os quatro primeiros, estaria um ano adiantado no cronograma apresentado por Edu Gaspar quando Unai Emery foi demitido em 2019. Então, o quinto lugar estava dentro do esperado. Mas a vaga na Champions League ficou tão próxima e foi perdida em circunstâncias tão dolorosas que é natural que a temporada tenha terminado com um gosto amargo. Especialmente porque foi superado pelo Tottenham, após perder um dérbi na antepenúltima rodada e depois tropeçar contra o Newcastle. Será o quinto ano fora da principal competição de clubes da Europa. No balanço geral, é um caso de copo meio cheio ou meio vazio.

O copo meio cheio é que o Arsenal teve momentos de muita consistência ao longo da temporada. Não teve nem Liga Europa ou Conference para disputar, após o oitavo lugar em 2020/21, e foi eliminado rapidinho da Copa da Inglaterra. Fez uma campanha digna na Copa da Liga Inglesa, na qual perdeu para o Liverpool na semifinal. Conseguiu se concentrar na Premier League e, depois de perder as três primeiras rodadas, embalou de vez. Até o começo de março, perderia apenas quatro vezes – para Liverpool, Manchester United, Everton e Manchester City. Com um empate aqui e outro ali, juntou uma enorme gordura na briga pelo G4.

O copo meio vazio é que essa gordura foi queimada em velocidade recorde. Começou perdendo do Liverpool, na 27ª rodada, o que é normal, acontece, tudo bem, mas depois foi derrotado em sequência por Crystal Palace (3 a 0!), Brighton e Southampton. De repente, o Tottenham, que renascia com Antonio Conte, estava bufando em seu cangote. A vitória por 4 a 2 sobre o Chelsea em Stamford Bridge foi uma resposta maravilhosa, e o Arsenal conseguiu outras quatro em sequência para chegar ao clássico com os Spurs precisando apenas ganhar para garantir a classificação. Mas perdeu. E depois perdeu também do Newcastle e chegou ao último fim de semana torcendo por um tropeço do Tottenham que nunca chegou.

Voltando ao copo meio cheio, foi uma temporada importante para muitos jogadores. Aaron Ramsdale se fixou como um goleiro confiável, Mikel Arteta encontrou uma dupla de zaga e viu evoluções de garotos como Gabriel Martinelli, Emile Smith Rowe e Eddie Nketiah, que teve que segurar quase sozinho o ataque do Arsenal nos últimos meses, após a saída de Pierre-Emerick Aubameyang em janeiro para o Barcelona, e com Alexandre Lacazette com um pé para fora do clube. Fez um trabalho razoável e teve seu contrato renovado. Agora, terá mais concorrência.

O mercado

Gabriel Jesus comemora seu gol nos Estados Unidos (divulgação)

Principais chegadas: Gabriel Jesus (Manchester City), Oleksandr Zinchenko (Manchester City), Fábio Vieira (Porto), Marquinhos (São Paulo), Matt Turner (New England Revolution)

Principais saídas: Mattéo Guendouzi (Olympique de Marseille), Alexandre Lacazette (Lyon), Konstantinos Mavropanos (Stuttgart), Bernd Leno (Fulham)

Dentro do plano de cinco anos de Edu Gaspar, entrando em seu terceiro, o primeiro passo era limpar o elenco. Mandar embora jogadores com salários altos, mais de 26 anos e que não estavam atuando à altura do que se espera desse perfil. Restam poucos, depois da saída de Lacazette. O principal problema é Nicolas Pépé, mas, no geral, o elenco está de acordo com o que o diretor de futebol imaginava: cheio de jovens que recebem menos, têm fome e espaço para crescer. Neste mercado, a prioridade foi qualificar e trazer um pouco mais de experiência de vitórias. Como poucos clubes venceram mais que o Manchester City recentemente, o Arsenal foi lá buscar dois nomes interessantes.

Gabriel Jesus foi escolhido para ser o novo centroavante do Arsenal. Começou bem na pré-temporada, mas terá que responder a algumas perguntas, depois de cinco anos e meio sem conseguir cavar um espaço de verdade entre as principais opções ofensivas de Pep Guardiola. A versatilidade e o trabalho tático que traz consigo serão importantes. Arteta, porém, também precisará que ele coloque bolas na rede. O artilheiro dos Gunners na Premier League foi Bukayo Saka, com 11 gols, seguido pelo meia Emile Smith Rowe. O atacante de ofício mais prolífico foi Nketiah, com cinco, empatado com o zagueiro Gabriel Magalhães.

Oleksandr Zinchenko terá a chance de ser mais do que um quebra-galho no Arsenal. Passou quase toda a sua carreira improvisado como lateral esquerdo, o que parecia um pecado diante do que produziu como meia na seleção ucraniana. Estreou na lateral em amistoso contra o Chelsea, mas deve ter mais chances no meio-campo, quando o titular Kieran Tierney não estiver machucado. Pode ser mais uma das muitas opções no setor ofensivo, ou formar uma dupla de volantes, com Thomas Partey e Granit Xhaka, quando o Arsenal precisar de passe qualificado. Fábio Vieira reforça o setor de armação, podendo jogar como camisa 10 ou pela ponta direita, e Marquinhos é uma aposta para o futuro. Matt Turner chegou como opção para o gol, após Bernd Leno ser vendido ao Fulham.

Ele estava entre alguns jogadores que ainda podem ser negociados pelo Arsenal. Como Lucas Torreira, que voltou de empréstimo da Fiorentina, e Ainsley Maitland-Niles, cedido temporariamente para a Roma durante o último ano. Além de Bellerín e Pablo Marí, outro que perdeu espaço. Duvido que o Arsenal recusaria uma boa proposta por Pépé. Também duvido que chegue alguma.

O elenco

Se durante muito tempo o problema do Arsenal não era necessariamente quem contratava, mas a incapacidade de inserir o reforço em um bom projeto esportivo, agora há um plano, e jogadores estão finalmente melhorando. Como Ramsdale, que chegou do Bournemouth e tomou de assalto o posto de titular. A linha defensiva ideal tem Takehiro Tomiyasu, Gabriel Magalhães, Ben White e Kieran Tierney. O torcedor sabe qual ela é, um primeiro passo, e o quarteto foi ganhando entrosamento e solidez ao longo da temporada. Zinchenko pode ser o reserva na esquerda, e Cédric Soares na direita, se Bellerín for realmente negociado. Faltam algumas opções na zaga, com Rob Holding como principal reserva. O jovem William Saliba deve ganhar chances após boa temporada no Olympique de Marseille.

No coração do meio-campo, Thomas Partey começou a justificar sua badalada contratação, mas, como Tierney, precisa encontrar uma maneira de se machucar menos. Granit Xhaka segue cheio de moral e, curiosamente, Mohamed Elneny também. Espera-se crescimento do garoto Albert Lokonga, de 21 anos, e Zinchenko também pode jogar de meia central se for a opção de Arteta, que alternou entre um 4-1-4-1 e um 4-2-3-1 na última temporada.

As escolhas são abundantes para a linha de armação. Da direita para esquerda, Bukayo Saka, Nicolas Pépé, Fábio Vieira, Marquinhos, Martin Odegaard, Emile Smith Rowe e Gabriel Martinelli, além do garoto Reiss Nelson, que retorna de empréstimo do Feyenoord. Muita qualidade de criação para municiar Gabriel Jesus e Eddie Nketiah. Nenhum desses jogadores, nem os possíveis reservas, tem mais de 30 anos.

O técnico

Mikel Arteta, técnico do Arsenal
Mikel Arteta, técnico do Arsenal (Catherine Ivill/Getty Images/OneFootball)

Edu Gaspar demitiu Unai Emery porque queria um treinador com uma ideia clara de jogo, em torno da qual ele poderia começar a montar um time melhor. Escolheu Mikel Arteta, com o qual ficou impressionado na primeira conversa. Ele entrará em sua terceira temporada completa. Teve altos e baixos nas duas anteriores. Na última campanha, o período de consistência foi mais longo, apesar da queda brusca no terço final da Premier League. Foi um bom sinal. Parece ter conteúdo e a confiança da diretoria e dos jogadores. Está chegando a hora, porém, em que precisa fazer o seu time dar um salto para não ficar eternamente batendo na porta da Champions League.

O futuro

Formado nas categorias de base do Arsenal, Emile Smith Rowe começou a temporada como titular – e brilhando. Marcou nove vezes em um intervalo de 12 rodadas, alternando entre uma posição mais central ou caindo da esquerda para o meio. Acabou perdendo um pouco de espaço porque a ascensão de Gabriel Martinelli foi mais explosiva, mas continuou saindo do banco de reservas com frequência. Aos 22 anos, tem muito potencial para crescer.

Expectativa para a temporada

Para continuar avançando, o Arsenal precisa dar um jeito de entrar na Champions League. Pelo Campeonato Inglês, será difícil. Liverpool e Manchester City estão inquestionavelmente à sua frente. O Chelsea também estaria, se não tivesse passado por meses tão turbulentos. Podemos colocar um asterisco nele e ver o que acontecerá. O Tottenham passou batido pelo grande rival na reta final da temporada e se reforçou ainda mais, e o Manchester United é o Manchester United: tem mais recursos que o Arsenal, um elenco teoricamente mais qualificado, mas não resiste à tentação de dar tiros no próprio pé. Se encontrar o seu caminho com Erik tem Hag, porém, a concorrências apenas aumentará. Com vaga na Liga Europa, esse pode ser um caminho, mas mata-mata sempre tem suas armadilhas. O Arsenal precisará dar um passo à frente e evitar tantas oscilações para conseguir o seu principal objetivo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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