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Guia da Premier League 2021/22 – Tottenham: Com Kane ou sem Kane?

O futuro imediato do Tottenham depende diretamente da permanência ou não de Harry Kane - ainda completamente indefinida

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Cidade: Londres
Estádio: Tottenham Hotspur Stadium (62.000 pessoas)

Temporada passada – 7º lugar

Parecia que havia engrenado. José Mourinho teve seus melhores meses em muito tempo entre setembro e novembro. Goleou o Southampton, fez 6 a 1 no Manchester United, derrotou o seu nêmesis Pep Guardiola e também ganhou o dérbi do norte de Londres contra o Arsenal. Vitórias em jogos grandes, aqueles em que ele havia se acostumado a travar e se contentar com o 0 a 0, e liderou a Premier League durante quatro rodadas.

A dupla entre Heung Ming-Son e Harry Kane estava afiadíssima, e o diagnóstico era que Mourinho havia decifrado o futebol na pandemia. O calendário aglomerado e a ausência de torcedores nas arquibancadas favoreciam um estilo de jogo mais seguro como o dele se tornou desde a saída do Real Madrid.

Mas como foi infelizmente comum em seus últimos trabalhos, tudo começou a se deteriorar rapidamente. O Tottenham teve que esperar até fevereiro para emendar uma nova sequência de vitórias – e, novamente, quatro goleadas em cinco jogos com um esquema mais ofensivo que incluia Gareth Bale deram uma enganada.

Derrota para o Arsenal, três rodadas sem vitória na Premier League e a eliminação para o Dínamo Zagreb na Liga Europa foram a gota d’água. Àquela altura, além do resultado extremamente oscilante, Mourinho também havia perdido o vestiário. Kane, curiosamente, era um dos únicos que ainda apoiava o técnico português.

Mesmo assim, a demissão foi surpreendente, apenas seis dias antes da final da Copa da Liga Inglesa, a primeira do Tottenham em uma competição inglesa desde 2015. O presidente Daniel Levy tentou criar um fato novo e promoveu o auxiliar Ryan Mason interinamente.

O Tottenham perdeu do Manchester City e terminou mais uma temporada de mãos vazias. Agora, com Nuno Espírito Santo no comando e sem saber se poderá contar com Harry Kane, seu futuro gera mais perguntas do que respostas.

O mercado

Principais chegadas: Bryan Gil (Sevilla), Pierluigi Gollini (Atalanta), Cristian Romero (Atalanta)

Principais saídas: Juan Foyth (Villarreal), Toby Alderweireld (Al-Duhail), Joe Hart (Celtic), Danny Rose (Watford), Paulo Gazzaniga (Fulham), Erik Lamela (Sevilla)

Levy contratou Fabio Paratici, ex-diretor da Juventus, para comandar o departamento de futebol e conduzir a reformulação que o seu elenco vem precisando. Muitas das bandeiras do time que tanto encantou com Mauricio Pochettino foram embora ou estão ficando mais velhas.

Com conhecimento de futebol italiano, Paratici atacou a Atalanta e levou o goleiro Pierluigi Gollini, 26 anos, talvez preparando a sucessão de Hugo Lloris, 34, entrando na última temporada do seu contrato. O grande lance mesmo foi conseguir arrebatar os serviços de Cristian Romero, 23, eleito o melhor zagueiro da última Serie A. O campeão da Copa América tem potencial para liderar a defesa dos Spurs por muitos anos.

Agora, vamos falar sobre o elefante na sala. Harry Kane está tentando forçar Daniel Levy a vendê-lo ao Manchester City, e até pulou uma semana de treinos com esse objetivo. Se for embora, será absolutamente necessário reinvestir os mais de € 100 milhões que o Tottenham receberá, provavelmente em mais de um jogador. Apenas um atacante – mesmo Lautaro Martínez – não reproduzirá tudo que Kane entrega ao time, em termos de liderança, gols e criação.

A contratação de Martínez provavelmente será acompanhada pela venda de Kane, mas, em um cenário muito improvável em que ambos se encontrem no norte de Londres, não seria um problema para Nuno Espírito Santo que sempre atuou com dois atacantes de ofício no Wolverhampton.

O elenco

Lloris e Gollini são dois bons goleiros e não devem dar dor de cabeça para Nuno Espírito Santo. A dupla de laterais também é qualificada, com Matt Doherty – velho conhecido de Nuno dos tempos de Wolverhampton – e Sergio Reguillón, com o apoio de Serge Aurier e Ben Davies. Romero é uma ótima reposição para a saída de Alderweireld e deve formar uma dupla sul-americana com Davinson Sánchez, caso Nuno utilize linha de quatro, ou um trio que provavelmente contará também com Eric Dier.

Pierre-Emile Hojbjerg reproduziu no Tottenham a resistência e confiabilidade que havia demonstrado no Southampton e deve ser um dos pilares da equipe. O restante das opções para o setor precisa de certa recuperação. O outro meia mais confiável foi Moussa Sissoko. Tanguy Ndombélé teve apenas lapsos de bom futebol, Dele Alli simplesmente desapareceu, Lo Celso e Harry Winks não tiveram sequência. Gedson Fernandes disputou apenas 153 minutos de futebol.

O papel de Son dependerá bastante da permanência ou não de Harry Kane. Sem ele, terá que assumir mais protagonismo no setor ofensivo e foi uma ótima notícia a renovação do seu contrato. Bryan Gil se junta a Lucas Moura e Steve Bergwijn no Departamento de Velocidade.

O técnico

Não que Nuno Espírito Santo não seja qualificado. Ele é. Mas sua contratação foi um pouco estranha. O Tottenham procurou pelo menos outros seis nomes – Pochettino, Paulo Fonseca, Lopetegui, Conte, Hansi-Flick e Gattuso – antes de fechar com o português. Ao anunciar o novo técnico, Daniel Levy disse que levou em conta o “DNA de jogar um futebol ofensivo e divertido” dos Spurs, mas o Wolverhampton de Nuno era muito mais defensivo e controlado do que esse discurso sugere. O técnico que levou os Lobos de volta à Premier League, e conseguiu duas campanhas seguidas em sétimo, pelo menos está dizendo as coisas certas e prometeu um time que a torcida amará.

Expectativas para a temporada

Não tem outra maneira de fazer isso neste momento, então vamos lá:

Mantendo Harry Kane: Ainda será um processo tortuoso, pelo início de um trabalho diferente, mas o Tottenham teria as armas para pelo menos incomodar o G4, embora ele pareça muito solidificado com Manchester City, Manchester United, Liverpool e Chelsea. A frustração do capitão, porém, seria um obstáculo a mais para Nuno Espírito Santo superar.

Sem Harry Kane, mas com boa reposição: A variável aqui é um pouco grande demais para fazer uma previsão. Quem seria esse atacante? Lautaro Martínez? Ok, o Tottenham continuaria muito forte, mas precisaria se adaptar a jogar sem Kane, que não fazia apenas os gols do time, mas também criava muitos para os companheiros. Se for um jogador de um nível inferior, e se não vierem outros para aumentar a qualidade do elenco, sofrerá.

Sem Harry Kane e sem reposição: Uma segunda classificação à Conference League seria um bom resultado.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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