Premier League

Guia da Premier League 2021/22 – Norwich: A segunda chance

A manutenção do projeto trouxe o Norwich de volta à Premier League e, desta vez, eles prometem defender um pouco mais para tentar escapar do rebaixamento

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Cidade: Norwich
Estádio: Carrow Road (27.000)

A temporada passada – 1º na Championship

O Norwich fez uma campanha péssima na Premier League em 2019/20, com apenas cinco vitórias e 21 pontos, mas, antes de perder os últimos dez jogos, foi bastante elogiado pela coragem com que encarou as partidas e chegou até a vencer o Manchester City. Houve muitos destaques individuais e a expectativa era de debandada, mas a pandemia afetou as finanças da maioria dos clubes que poderiam contratá-los.

Logo, nomes como Max Aarons, Todd Cantwell e, principalmente, Emi Buendía acabaram ficando. O sucesso do Norwich não se explica apenas pela manutenção de jogadores super-qualificados para a segunda divisão, mas também pela continuidade de uma filosofia que leva os rostos do técnico Daniel Farke e do diretor de futebol Stuart Webber.

Foi uma questão de repor as saídas mais importantes, de Ben Godfrey ao Everton e Jamal Lewis ao Newcastle, e voltar a atacar a Championship com a volúpia que Farke adora para retornar imediatamente à primeira divisão. Novamente campeão, com 18 gols marcados e 21 sofridos a menos. Mas com três pontos a mais.

A cúpula do futebol do Norwich identificou a necessidade de ter um sistema defensivo mais sólido se quisesse sobreviver na próxima aventura na Premier League e começou a desenvolvê-lo na segunda divisão. Defendeu com a linha um pouco mais para trás, melhorou a contra-pressão, apostou um pouco mais em ataques rápidos e objetivos.

A contratação de Ben Gibson, zagueiro do Burnley, foi emblemática porque se trata de um zagueiro mais forte e bom no jogo aéreo. Ele acabou contratado em definitivo. Emi Buendía liderou a Championship com 16 assistências e ainda marcou 15 gols. Teemu Pukki foi mais uma vez o artilheiro da equipe, com 26, e o Norwich retorna à Premier League talvez um pouco mais preparado para permanecer nela.

Mercado

Principais chegadas: Milot Rashica (Werder Bremen), Christos Tzolis (PAOK), Josh Sargent (Werder Bremen), Ben Gibson (Burnley), Dimitrios Giannoulis (PAOK), Pierre Lees Melou (Nice), Angus Gunn (Southampton), Billy Gilmour (Chelsea)
Principais saídas: Emi Buendía (Aston Villa), Mario Vrancic (Stoke City), Moritz Leitner (Zurique), Marco Stiepermann (sem clube),

O diretor Stuart Webber admitiu que não havia “dado armas” para Daniel Farke “ir à guerra” quando o Norwich subiu à Premier League dois anos trás. Desta vez, está dando algumas. Entraram quase € 40 milhões com a venda de Buendía ao Aston Villa, mas ainda assim o saldo líquido do investimento foi de € 21 milhões. Na outra ocasião, havia sido de apenas € 6 milhões.

O destaque é a reposição do próprio Buendía, o veloz ponta direita Milot Rashica, que não teve a melhor temporada da sua vida pelo Werder Bremen, mas havia se destacado nas anteriores. Do clube alemão, veio uma aposta para o comando de ataque porque não dá para depender dos gols de Teemu Pukki para sempre: o norte-americano Josh Sargent, 21 anos. Ainda uma promessa, tem uma oportunidade boa para se provar.

Dois jogadores que estavam emprestados foram contratados em definitivo. Um deles foi o lateral esquerdo Dimitrios Giannoulis, que se destacou na fase preliminar da Champions League pelo PAOK de Abel Ferreira contra o Benfica de Jorge Jesus. O outro é o zagueiro Gibson, ex-Burnley. São as duas reposições às saídas de Godfrey e Lewis. Do clube grego, também chegou o garoto Christos Tzolis, ponta de 19 anos.

Depois de estrear pela seleção escocesa e jogar a Euro 2020, Billy Gilmour foi emprestado pelo Chelsea para continuar o seu desenvolvimento. Pierre Lees Melou, ex-Nice, também chega para reforçar o meio-campo com sua capacidade defensiva. Por fim, trouxe Angus Gunn, uma alternativa mais jovem ao veterano Tim Krul debaixo das traves. Ele retorna ao clube em que foi formado.

O elenco

No comando do Norwich desde 2017, Daniel Farke sabe o que está fazendo e o que quer dos jogadores. Praticamente não variou a formação tática, sempre apostando em um 4-2-3-1, com uma escalação bastante estável durante as 46 rodadas da Championship. O lateral direito Max Aarons foi o que mais ficou em campo, acima de 4.000 minutos, uma experiência inestimável para desenvolver todo o seu potencial. Na esquerda, Xavi Quintillà e Jacob Lungi Sörensen se revezaram antes de Giannoulis chegar.

A dupla de zaga começou com Cristoph Zimmermann, mas depois se fixou com Ben Gibson e o capitão Grant Hanley, um dos melhores jogadores da campanha. Oliver Skipp foi uma constante no meio-campo, mas retornou ao Tottenham. Ao seu lado, estiveram Lukas Rupp e Kenny McLean. A posição em que mais houve rotatividade foi a de camisa 10. Marco Stiepermann ganhou muitas chances na primeira metade da temporada, mas foi sendo deixado de lado e saiu do clube ao fim do seu contrato. Mario Vrancic atuou por ali, assim como Rupp mais avançado ou até mesmo Pukki fazendo dupla Jordan Hugill.

Pelas pontas, Buendía foi o dono da direita, e Farke testou algumas opções, como Przemyslaw Placheta e Josh Martin, enquanto Todd Cantwell esteve machucado. O cubano Onel Hernández ficou três meses afastado por lesão e perdeu bastante espaço. Pukki, claro, liderou o ataque.

O técnico

Com visual de cantor de banda grunge aposentado, Daniel Farke saiu dos reservas do Borussia Dortmund. O diretor Stuart Webber havia feito o mesmo quando estava no Huddersfield, com David Wagner, e mais uma vez acertou em cheio. A personalidade de Farke é expansiva, assim como sua qualidade. Tem conseguido fazer o Norwich jogar um futebol que é consistentemente agradável e eficiente para a segunda divisão. Não se mostrou à altura da Premier League, mas ele fez ajustes e está ansioso para tentar novamente. Recentemente renovou contrato para ficar até 2025 no Norwich, o que seria um trabalho de oito anos. Pelo menos.

Expectativa para a temporada

Uma ótima notícia para o Norwich: dificilmente será pior que a sua última participação na Premier League. O diagnóstico naquela época era que o time coletivamente atuava bem, mas muitos erros individuais, especialmente na defesa, custavam os resultados, e muitos resultados ruins em sequência destruíram a confiança. Então é importante ter um bom começo e manter os ajustes feitos por Farke para atuar de maneira mais sólida na defesa, sem abrir mão da sua identidade ofensiva. É um equilíbrio tênue, mas, se alcançá-lo, a chance é boa para o Norwich escapar do rebaixamento.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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