Grealish confirma grande fase em atuação exuberante contra o Liverpool
Meia esteve em todos os lugares e até marcou em tarde inspirada no Etihad
Um ano atrás, esperar um duelo entre Manchester City e Liverpool significava um duelo direto pelo título da Premier League. As duas grandes potências dos últimos anos na Inglaterra invariavelmente disputavam ponto a ponto a hegemonia local. Estamos em abril de 2023, o mundo mudou bastante desde então. E o City, embora não esteja na ponta da tabela, jogou um futebol de líder: fez 4 a 1 nos Reds, com autoridade, neste sábado (1º).
Sem Erling Haaland no comando do ataque, Pep Guardiola voltou a recorrer ao argentino Julian Álvarez no papel de centroavante. E nesses poucos dias em que o garoto tem a chance de comandar o ataque celeste, ele precisa ter foco e eficiência para provar seu valor. Nada que um campeão mundial não tire de letra. Em uma partida que foi amplamente (e bota amplitude nisso) dominada pelos donos da casa no Etihad Stadium, a postura defensiva do Liverpool ajuda a explicar grande parte do resultado.
Se em alguns dos grandes jogos dessa temporada o Liverpool foi maduro e letal, não se pode dizer o mesmo da atuação desta manhã de sábado. Pelo menos na segunda etapa. Na primeira, o encaixe parecia ter sido bem feito por Jürgen Klopp para encaixar uma partida de poucos erros e de contragolpes em velocidade. Foi de Mohamed Salah o gol inaugural do confronto, aos 17 minutos, após excelente lançamento de Trent Alexander-Arnold e pivô acima da média de Diogo Jota. O português entrou na área, protegeu muito bem e deixou para o egípcio mandar no alto da meta de Ederson. Resumidamente, foi o último bom momento dos visitantes em campo. Muito pouco para quem queria competir.
Não era o que o jogo oferecia. Afinal, desde o início, a posse era toda do City, que procurava mais o gol de Alisson. E não foi a primeira e nem a segunda vez que os comandados de Guardiola deram um vacilo pontual e saíram atrás no placar. O roteiro, naturalmente, indicou uma reação depois disso. E uma das boas: na troca de passes que expôs o sistema defensivo adversário, os Citizens trabalharam muito bem, de pé em pé, até o gol de Álvarez, com assistência de Jack Grealish. A jogada percorreu os quatro cantos do gramado do Etihad, começando por Kevin De Bruyne, passando por Riyad Mahrez, Ilkay Gündogan e Grealish antes de um passe rasteiro para o meio da área. Álvarez pegou de primeira e não foi incomodado por Jordan Henderson, que estava na sua cola.
O recital coletivo foi a confirmação do bom futebol que vinha sendo praticado pelos donos da casa. Fez-se justiça ao que estava sendo apresentado. A superioridade foi tamanha, que o placar final pareceu até dar certo alívio aos torcedores do Liverpool, um time que, neste exato momento, não é nem sombra do que já foi num passado recente. E que também pode muito bem reverter essa situação no segundo semestre. Até lá, haverá sofrimento. Sofrimento que se resume na dificuldade em encarar rivais que jogam de maneira intensa e povoando o último terço de campo. A defesa de Klopp parece sempre estar um ou dois segundos atrás na leitura da jogada.
Com a volta do intervalo, o City não queria demorar para resolver o confronto. No primeiro minuto, Álvarez lançou Mahrez completamente livre na direita. O argelino pensou rápido e acionou De Bruyne, que se antecipou e bateu na saída de Alisson, que foi batido por sua indecisão e pela má colocação da defesa no lance. O único defensor que recompôs a marcação foi Andy Robertson, na lateral. Virgil van Dijk, que deveria ter acompanhado De Bruyne, viu de camarote a conclusão.
O pesadelo vermelho continuou aos 52′, pouco depois da virada. Álvarez conduziu a bola dentro da área e, mesmo cercado, tentou bater ao gol. A bola resvalou em Alexander-Arnold e sobrou limpa para Gündogan ampliar. O bom posicionamento do ataque Citizen deixou o Liverpool completamente vulnerável e, mesmo com um bloqueio parcial da finalização, não houve tempo para reagir. O gol murchou completamente o ânimo dos Reds em campo.
Ainda houve um quarto gol, já com ritmo reduzido, para coroar a grande partida de Grealish. O camisa 10 se movimentou bem e participou ativamente da fase ofensiva do City. Restando pouco mais de 15 minutos, Gündogan lançou maravilhosamente a bola para o ataque, achando Grealish. O meia levantou a cabeça e viu a passagem de De Bruyne à esquerda. Os dois tabelaram e, dentro da área, Grealish recebeu o passe para mandar a bola ao barbante de Alisson. O atropelamento estava consolidado.
Há uma luta relativamente aberta pelo título. Cinco pontos separam o City do líder Arsenal, e em um campeonato no qual já houve alternância no topo, ainda que breve, duas rodadas são tempo suficiente para uma reviravolta. Sobretudo se lembrarmos que o Etihad receberá o confronto direto entre os postulantes. É uma disputa tão ferrenha quanto na temporada passada, quando o Liverpool sonhou até a última rodada com a taça, mas foi frustrado por uma virada absurda do City contra o Aston Villa.
Tudo o que Klopp tem hoje a seu favor é o passado. A reestruturação do Liverpool precisa ser profunda para devolver o clube a um papel de protagonismo. Justiça seja feita: se há alguém nesse mundo capaz de conduzir esse retorno triunfal é o próprio Klopp, que desfruta de status intocável (e merecido) em Anfield. Enquanto isso não acontece, Arsenal, City e até mesmo o Manchester United se dividem como principais forças da Inglaterra. O futebol é incrível por isso: ele sempre dá direito a uma revanche no dia seguinte.



