Graham Potter: “Acho que o Chelsea é provavelmente o trabalho mais difícil no futebol”
Pressionado por resultados ruins e lidando com uma crise de lesões, Graham Potter fala sobre a dificuldade do momento de transição de donos no Chelsea
O técnico Graham Potter, do Chelsea, vive um momento de muita pressão no clube. Embora os donos confiem nele e não tenham qualquer intenção de demiti-lo, os resultados do time têm sido ruins e os Blues estão muito distantes dos quatro primeiros colocados, na busca por uma vaga na Champions League. O clube vive ainda uma gestão nova, algo que o Potter ressaltou como um ponto importante, e ainda falou sobre o alto número de lesões.
O Chelsea atualmente é o 10º colocado na Premier League, com 25 pontos. São 10 pontos atrás do Manchester United, quarto colocado no momento. E ainda tem Tottenham e Liverpool, quinto e sexto colocados. Nesta quinta-feira, o clube enfrenta o Fulham e precisa da vitória.
“Este clube foi gerido de certa forma por 20 anos e funcionou realmente bem”, afirmou Potter, sobre o período sob o comando de Roman Abramovich. “Tenho muito respeito pela gestão anterior e o que eles conquistaram. Infelizmente, eles não estão mais aqui e se perdeu toda aquela liderança. Tudo mudou muito rapidamente. Temos que construir tudo de novo”.
“Entendi que as coisas seriam difíceis de uma perspectiva de liderança. É um desafio, estimulante e muito difícil. Acho que é provavelmente o trabalho mais difícil no futebol porque a liderança mudou e as expectativas… Porque, é claro, onde as pessoas veem o Chelsea. Obviamente não achei que perderíamos 10 jogadores [por lesões]”, continuou.
“Acho que seria quase desrespeitoso pensar que isso acabou e esperar que isso aconteça com os novos funcionários, estruturas e pessoas. Ao mesmo tempo, você ainda tem o Chelsea com as demandas e expectativas. A realidade é onde o clube está em termos de se estabelecer como um clube bem gerido e que funciona bem em um ambiente realmente competitivo… Talvez ainda não estejamos lá ainda”, explicou.
A pressão no Chelsea é grande. Os torcedores chegaram a cantar os nomes de Roman Abramovich e Thomas Tuchel na derrota por 4 a 0 para o Manchester City, na Copa da Inglaterra, no domingo.
“Na minha cabeça, é fácil entender. Sei que tem muitas pessoas que não veem dessa forma. Estou tentando explicar, mas também sei que sou o técnico e quando perdemos, sou a pessoa a ser culpada”, disse Potter. “Estive em diálogo constante com os donos e eles têm me apoiado muito, fantástico”, disse Potter. “Falamos regularmente, duas ou três vezes por semana”.
As lesões continuam sendo um grande problema para o Chelsea. Pierre-Emerick Aubameyang irá retornar ao elenco para o jogo contra o Fulham, depois de reclamar de dor nas costas. Christian Pulisic ficará fora por alguns meses, por lesão no joelho. Ainda não se sabe a extensão da lesão de Raheem Sterling, com uma lesão na coxa. Edouard Mendy, Reece James, Wesley Fofana, Ben Chilwell, N’Golo Kanté, Ruben Loftus-Cheek e Armando Broja estão todos fora por lesão. “Se tivéssemos todos esses caras de volta, a figura muda. Realmente acredito nisso. Não acho que estamos muito distante quanto podem pensar olhando de fora”, disse Potter.
Entre as medidas tomadas por Potter para tentar conter a crise, que por enquanto parece restrita ao campo, Graham Potter reuniu os principais líderes do elenco. O capitão César Azplicueta, Thiago Silva, Jorginho e Mateo Kovacic. Segundo o técnico, esses jogadores “novamente mostraram suas qualidades como pessoas”. “Eles foram honestos, articularam suas preocupações bem. Sua positividade, sua responsabilidade. Acho que estamos em um lugar onde podemos seguir adiante”.
Potter precisa lidar com as críticas. “Minha esposa dizia, quando eu estava no Östersund: ‘Não te faz nenhum bem ler comentários negativos’. E meu ex-presidente disse: ‘Não faz sentido discutir com pessoas estúpidas, porque eles são estúpidas’. Não estou dizendo que qualquer crítica a mim é estúpida, mas vocês entenderam meu ponto”, disse Potter.
“Isso afeta a sua família. Por mais que você tentar ter equilíbrio e perspectiva, sou humano também e é uma luta. Ao mesmo tempo, você tem que assumir responsabilidade. O que eu farei? Ser o técnico do Chelsea e não esperar pressão, confusão, desafios, estresse?”, continuou o treinador dos Blues.
“Não estou querendo que tenham dó. Sou muito grato e privilegiado por estar aqui. Como você passa por esse período difícil? Ser realmente grato por isso. Porque é um desafio inacreditável. Digo, o que mais você pode fazer na sua vida? Pior”, continua.
“É uma dor, mas a vida pode ser mais dolorosa. A vida pode realmente de chutar o saco e você precisa se recuperar, lidar com isso, seguir adiante. É isso que torna a vida melhor, quando você vai para um bom lugar”.



