Premier League

Gomes renova com o Watford e amplia a grande história vivida no final de sua carreira

Poucos goleiros brasileiros possuem carreiras tão sólidas no futebol europeu quanto Gomes. Primeiro, o ex-cruzeirense atravessou excelente fase com o PSV, conquistando o Campeonato Holandês em seus quatro anos por lá e chegando às semifinais da Champions. Depois, teve bons momentos pelo Tottenham, titular em suas três primeiras temporadas, até começar a ser questionado e perder espaço. Relegado ao banco de reservas, tentou o recomeço no Hoffenheim e fez boas partidas, até se lesionar e voltar a White Hart Lane. Sua trajetória na Premier League parecia fadada a um melancólico final. Não à toa, o mineiro rumou à Championship, assinando com o Watford. O que poucos esperavam era a transformação do camisa 1 em um ícone de Vicarage Road, dando a volta por cima na elite do futebol inglês. E ele tem mais a construir. Aos 36 anos, o arqueiro renovou seu vínculo com os Hornets pelas próximas duas temporadas.

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Gomes desembarcou no Watford em 2014/15. Vinha com um vasto currículo, mas também com uma história recente que não o respaldava tanto. Assim, o clube preferiu assinar com o veterano por apenas um ano. Era um dos reforços no pacotão para tentar melhorar as perspectivas na segunda divisão, depois de um decepcionante 13° lugar na temporada anterior. O brasileiro não demorou a assumir a titularidade na meta dos Hornets. Mais do que isso, se transformou em um dos protagonistas do time na Championship. Disputou 44 partidas. Acumulou mais minutos em campo do que qualquer outro jogador do elenco. Comandou uma das defesas menos vazadas do campeonato, fundamental para alcançar a segunda colocação e confirmar presença na Premier League, o que não acontecia em Vicarage Road desde 2007.

A ascensão de Gomes na hierarquia do Watford era evidente. Sua experiência e sua seriedade impulsionavam a equipe. Esteve presente em todos os 38 jogos no retorno à Premier League, em 2015/16. Ajudou a consolidar a equipe em um digníssimo 13° lugar, ganhando o prêmio de melhor jogador do clube na temporada. E a permanência na elite, já um título para o modesto time, seria comemorada mais uma vez na campanha seguinte. O 17° posto em 2016/17 pode indicar uma ameaça maior do que realmente aconteceu. Por mais que tenha terminado o campeonato apenas uma posição acima da zona do rebaixamento, os Hornets não levaram tantos sustos. O camisa 1, mais uma vez, disputou as 38 rodadas e assumiu a braçadeira de capitão em algumas delas.

Gomes pode não ser o goleiro perfeito. Vez ou outra tem os seus deslizes. Entretanto, segue em grande forma. A sequência do Watford na primeira divisão, algo que o clube não vivia desde a década de 1980, se deve bastante ao goleiro. Muito por sua liderança, mas também pelas defesaças e grandes partidas. Teve, inclusive, algumas atuações míticas pelos Hornets. Em 2015/16, chegou a barrar dois pênaltis no mesmo jogo contra o West Bromwich – o que o ajudou a se tornar o maior pegador de pênaltis da história da Premier League (desde 1992/93), com nove defesas. Na mesma temporada, colecionou milagres em empate contra o Chelsea. Já em 2016/17, mesmo sem evitar as derrotas sempre, se agigantou contra alguns dos grandes, como Manchester United, Arsenal e Liverpool.

A idade não pesa tanto a Gomes. A confiança que demonstra na meta do Watford diz muito sobre esta fase de sua carreira. Por isso mesmo, o clube aposta em uma renovação por mais duas temporadas. Deve continuar sendo o dono da meta em Vicarage Road, na luta pela permanência na Premier League. Além disso, amplia a consideração que desfruta entre os torcedores. Sem exageros, o brasileiro pode ser colocado entre os maiores goleiros dos Hornets. O que protagonizou nas últimas três temporadas o referenda bastante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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