Premier League

O louco Everton 3×3 Manchester City traz importante lição a Guardiola

Apagão defensivo custa caro aos Citizens, mas reação evita derrota em noite caótica

O empate por 3 a 3 entre Everton e Manchester City, no Hill Dickinson Stadium, não foi apenas um jogo movimentado — foi um retrato fiel de como a margem de erro na reta final da Premier League se tornou praticamente inexistente. Ao deixar dois pontos pelo caminho em Liverpool, a equipe de Pep Guardiola vê o título cair, ao menos momentaneamente, no colo do Arsenal, que agora controla o próprio destino.

O City parecia confortável durante boa parte do jogo. Controlava o ritmo, tinha a posse e vencia por 1 a 0 até os 23 minutos do segundo tempo, quando o cenário virou de cabeça para baixo em um lance difícil de explicar. Um erro grotesco de Marc Guéhi no recuo para Gianluigi Donnarumma não somente entregou o empate, como serviu de gatilho para um colapso coletivo. O que se viu a partir dali foi um time irreconhecível, desatento, vulnerável e emocionalmente abalado.

Em questão de minutos, o City saiu de uma situação controlada para um cenário caótico: de 1 a 0 para 3 a 1 contra, sem conseguir reagir à intensidade e ao ímpeto do Everton, empurrado por sua torcida. Foi um apagão raro em equipes de Guardiola, mas que expõe uma fragilidade que não costuma aparecer em momentos decisivos: a desconexão defensiva e a falta de concentração em lances aparentemente simples.

Ainda assim, há um ponto que impede uma leitura totalmente pessimista. O mesmo time que se perdeu também encontrou forças para reagir. Buscar o empate em 3 a 3, naquele contexto, longe de casa e sob pressão, diz muito sobre o caráter competitivo da equipe. É o tipo de resposta que mantém os Citizens vivos na disputa, mesmo quando o cenário parece desfavorável.

No fim das contas, porém, quem realmente comemora é o Arsenal. A equipe londrina, ao bater o Fulham por 3 a 0 e ver o rival na corrida pelo título tropeçar, saiu como a grande vencedora da rodada. Nada está decidido, mas a lição para Guardiola é clara: nesta altura da temporada, não basta controlar o jogo — é preciso sustentá-lo até o último segundo. Qualquer desligamento, por menor que seja, pode custar o título.

City começa bem e imprime ataque contra defesa

Construção, paciência e posse de bola de um lado. Marcação, bloco baixo e transição do outro. Desde o pontapé inicial, Manchester City e Everton deixaram claro suas propostas no Hill Dickinson Stadium. Enquanto o time de Guardiola distribuía as cartas e propunha o jogo, os donos da casa adotavam a premissa de “destruir” e vislumbrar contra-ataques.

O que se viu no primeiro tempo foi praticamente um ataque contra defesa. O City imprimia seu ritmo forte, pressionava o Everton e rondava a área adversária, mas o gol teimava em não sair. Até que aos 42 minutos, Doku tratou de destravar a defesa do Toffees com um belo chute. O belga recebeu de Cherki na entrada da área, cortou para o pé esquerdo e finalizou colocado, no ângulo de Pickford.

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City colapsa e sofre virada, mas busca empate no apagar das luzes

Veio o segundo tempo, e enquanto não ampliasse o marcador e matasse o jogo, Guardiola e companhia não sossegariam. O Everton se mantinha vivo, e vez ou outra, ameaçava a meta de Donnarumma. Foram pelo menos duas defesas providenciais do goleiro italiano. Na terceira chegada dos Toffees, o gol de empate saiu.

Com 23′ no relógio, Guéhi tentou o recuo para Donnarumma e deixou Barry sozinho na área para finalizar na saída do arqueiro. O auxiliar marcou impedimento do camisa 11 do Everton — que receberia o passe —, mas o toque do zagueiro do City configurou outro lance, e o tento foi validado.

O Hill Dickinson veio a baixo. A torcida da casa empurrou o Everton, o City se sentiu amedrontado e se perdeu completamente em campo. Não à toa, a virada veio pouco depois. Ndiaye cobrou escanteio na primeira trave, O’Brien subiu no terceiro andar e testou para as redes.

O colapso nos Citizens foi tanto, que Barry ampliou. Dewsbury-Hall carregou pela direita e finalizou cruzado da entrada da área. A bola foi na direção do centroavante francês, que só teve o trabalho de empurrar para o gol vazio.

Apesar do baque e da atuação bem abaixo do esperado, o time de Manchester mostrou resiliência e esboçou reação. Haaland recebeu passe açucarado de Kovacic e encobriu Pickford com toque sutil.

No apagar das luzes, Doku arrancou o empate. Em mais um lindo chute de fora da área, o belga salvou ponto importante para os Citizens. Ainda assim, o Arsenal definitivamente saiu como vencedor da rodada — embora nada tenha sido decidido.

Jeremy Doku comemora após marcar para o Manchester City (Foto: PA Images / Icon Sport)
Jeremy Doku comemora após marcar para o Manchester City (Foto: PA Images / Icon Sport)

Como fica a briga pelo título da Premier League?

Com o empate em Liverpool, o Manchester City deixa o título inglês nas mãos do Arsenal. Segundo colocado da Premier League, a equipe de Guardiola tem 71 pontos ganhos em 34 jogos disputados. Já o Arsenal, líder do certame, soma 76 em 35 partidas.

Jogos restantes de Arsenal e City na Premier League:

  • West Ham x Arsenal
  • Arsenal x Burnley
  • Crystal Palace x Arsenal
  • Manchester City x Brentford
  • Manchester City x Crystal Palace
  • Bournemouth x Manchester City
  • Manchester City x Aston Villa

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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