Premier League

Everton leva jogo a sério e derruba o Manchester United graças a lance fortuito

Partida foi amplamente dominada pelos Red Devils, mas os Toffees conseguiram os três pontos no detalhe

Não vem de garfo que hoje é dia de sopa. Ao fim de duros 90 minutos, o Everton celebrou uma importante vitória em Goodison Park contra o Manchester United, por 1 a 0. Mesmo se defendendo durante toda a partida, a equipe de Frank Lampard mostrou muita fibra e dedicação para manter o placar a seu favor, sabendo sofrer e bloquear as principais chances de seu adversário.

A temporada do Everton, carente de Carlo Ancelotti, tem sido desastrosa. Tudo deu errado para o clube, que apelou para Rafa Benítez, ídolo do seu principal rival, e agonizou na Premier League. O desempenho fraco e a má fase dos principais jogadores empurrou o clube para o fundo da tabela. A conta chegou finalmente após uma derrota para o Burnley, no meio de semana, que colocou os Toffees na beira da zona de descenso.

E aí temos a figura de Frank Lampard, figura consolidada como ex-atleta, mas que como treinador ainda não chegou ao patamar que se espera. Quem se lembra do Chelsea com Lampard no banco de reservas deve recuperar facilmente alguma lembrança sobre a fragilidade defensiva dos Blues. E pelo menos nesses primeiros meses como bombeiro, Lampard não conseguiu reverter a imagem ruim que ostenta como coordenador de ações defensivas. Mas neste sábado, contra o United, os planetas se alinharam e todo o grupo entendeu como o momento é delicado.

Do lado do Manchester United, estamos sem manchetes. Um time rico, com jogadores milionários e de fama inconteste, mas que sofre em conseguir impor seu domínio por meio de gols. Mesmo com o choque cultural trazido por Ralf Rangnick, os Red Devils ainda parecem estar enfeitiçados com a preguiça dos tempos do antecessor do alemão, Ole Gunnar Solskjaer. O roteiro das partidas é bem parecido: posse estéril, presença ofensiva que não leva perigo e desatenção na defesa.

A torcida em Goodison Park empurrou como pôde um elenco à beira do abismo. E finalmente houve alguma resposta positiva dentro de campo. Um jovem Everton vibrou bastante para entregar uma atuação à altura de suas pretensões: firmeza defensiva, atenção nas roubadas de bola e descidas incisivas nas poucas chances que o United concederia até o apito final. Foi justamente em um desses vacilos que o placar foi construído: o Everton contragolpeou pela esquerda e em uma troca de passes um pouco acidentada, Anthony Gordon acreditou que poderia utilizar o espaço que tinha para finalizar. O atacante chutou de fora da área e contou com desvio no meio do caminho para vencer David De Gea.

A primeira parte da missão quase impossível estava entregue. Agora, cabia a Lampard conduzir seus atletas a um estado mental de puro foco para manter o placar como estava. Parecia difícil acreditar considerando o retrospecto recente de uma equipe que levou três gols do Burnley e caminhava perigosamente para um vexame na reta final, a ponto de cair para a Championship. Entretanto, como ficou claro na abertura do texto, o United levou garfo para jantar sopa. A cada tentativa de arremate, surgiam um ou dois homens de azul para bloquear, seja com carrinhos ou com o corpo firme em pé. E quando a bola passava, Jordan Pickford relembrava o mundo do grande goleiro que ele já foi, sobretudo em 2018. Esperto, o goleirão ainda aprontou vários momentos fazendo cera e gastando tempo na etapa final. Levou, inclusive, um cartão amarelo por isso.

É ridículo para um time do calibre do United não conseguir sequer marcar um gol contra o Everton? Com certeza. Mas isso talvez seja fruto da diferença de postura entre os dois times. Um precisava desesperadamente pontuar, o outro estava apenas em uma pelada de sábado, entre amigos, sem compromisso. Quando Paul Pogba é o jogador que mais parece incomodado com a derrota no seu time, é porque de fato há algo errado. Rangnick ainda não entendeu o United e tampouco parece ter compreendido o que move seus atletas. A luta pela vaga na próxima Liga dos Campeões se complica a cada fim de semana que os Red Devils entregam atuações pouco intensas e desinteressadas. Tem sido a tônica para a turma de Old Trafford.

Hoje, surpreendentemente, haverá festa nos vestiários em Goodison Park. E a certeza de que, ao menos uma vez nessa luta contra o descenso, todos entenderam o que é que precisa ser feito para afastar esse fantasma. Nem tudo gira em torno de marcar muitos gols, mas se defender bem já é meio caminho andado para alcançar esse objetivo de permanência. Até porque Richarlison e Dominic Calvert-Lewin não ficarão nessa fase nebulosa para sempre.

O Everton, de momento, abre quatro pontos de vantagem para o Burnley e terá dias menos turbulentos pela frente. Faltam oito rodadas para o fim e qualquer 1 a 0 será comemorado loucamente pelos Toffees. Ao United, não basta só mostrar um futebol mais agressivo e eficiente: Rangnick e seus comandados também precisarão secar West Ham e Arsenal se quiserem retornar à Europa na próxima temporada. Se ao menos Cristiano Ronaldo pudesse enfrentar o Newcastle todo sábado…

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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