Premier League

Punição ao Everton é mau presságio para City e Chelsea, que podem sofrer sanções ainda maiores

Advogados especializados não descartam rebaixamento de City e Chelsea, depois da perda de dez pontos do Everton pelo fair play financeiro

Mesmo que tenha paralisado os campeonatos europeus, a Data Fifa tem sido bastante agitada na Premier League. Na última sexta-feira (17), a liga inglesa anunciou uma punição ao Everton, recém adquirido pela 777 Partners, que também faz parte da SAF do Vasco da Gama, por violação do fair play financeiro na temporada 2021/2022. O clube perdeu dez pontos, mas as sanções podem se tornar ainda maiores.

Por conta da perda de pontos, o Everton se encontra na zona de rebaixamento e, segundo o The Guardian, essa foi a maior punição já imposta na história da liga inglesa. No entanto, tal decisão pode vir a afetar dois gigantes do Reino Unido, acostumados ao protagonismo, mas envolvidos com problemas no fair play financeiro: Chelsea e Manchester City.

O erro do Everton

O Everton violou as regras de lucratividade e sustentabilidade da liga. O caso está em trânsito desde o início de 2023 por uma comissão independente e, depois de uma audiência pública, que durou cinco dias, o erro foi confirmado. A equipe de Liverpool excedeu o limite de perda financeira por mais de 124 milhões de libras ao longo dos últimos três anos. Mesmo que tenham admitido a violação durante o processo, a Premier League manteve a punição e confirmou que a extensão do descumprimento continuou.

É importante destacar que a violação do Everton teve efeito dominó nos últimos anos da Premier League. Na temporada 2021/2022, a primeira com os problemas, os Toffees ficaram na 16ª posição e não caíram por apenas quatro pontos. Em 2022/2023, o clube de Merseyside teve apenas 36 pontos e se salvou na última colocação possível. Burnley, Leeds e Leicester foram prejudicados no período e, segundo o The Guardian, irão tomar medidas legais.

O Everton foi punido por ultrapassar o limite de perdas permitido pela Premier League nos últimos três anos (Foto: Icon sport)

O Everton ainda terá outro pepino para resolver, já que o acordo de naming rights do seu novo estádio, que ficará pronto em 2024, está bastante ameaçado. Os Toffees fecharam com a holding USM, que pertence ao oligarca russo Alisher Usmanov. A invasão da Rússia à Ucrânia já rendeu problemas a outros clubes, como o Chelsea e, por isso, o clube de Liverpool não devem poder embolsar os 200 milhões de libras projetados.

Chelsea e City na berlinda

A punição do Everton estremece a Premier League, mas parece ser apenas um tremor leve comparado que pode estar vindo por aí. É inegável que, com a política de sanções, City e Chelsea estão na mira do comitê da Premier League. Somente o clube de Manchester é acusado de mais de 100 violações envolvendo o fair play financeiro, enquanto os londrinos estão sob investigações de pagamentos secretos envolvendo Roman Abramovic, ex-dono do clube.

Os advogados ingleses, Catherine Forshaw e Nii Anteson, atestam que o caso do Everton pode servir de exemplo para punições futuras, até mesmo mais severas do que a perda de dez pontos. Entre elas, inclusive, está o rebaixamento automático para a Championship, segunda divisão do futebol do Reino Unido.

— Se você é advogado desses clubes, ficará mais nervoso após esse veredicto. Há um precedente em vigor agora. E comparado ao Chelsea e ao Manchester City, o Everton provavelmente estará na extremidade inferior do espectro em termos de gravidade. Portanto, acho que o rebaixamento certamente não está fora de questão — disse Forshaw, antes de passar a palavra para Antenson:

— Esse representante (do Everton) disse que seu trabalho é interpretar de forma criativa as regras de lucratividade e sustentabilidade para beneficiar seu empregador. Mas a comissão neste caso concluiu que o dever geral de boa fé que os clubes devem à Premier League é um padrão muito elevado e supera isso — finalizou.

City é o mais ameaçado

No caso do City, o que pode agravar as punições é a falta de transparência. Entre as mais de 100 acusações, a vasta maioria inclui a ausência de uma visão verdadeira e justa da posição financeira do clube. Além disso, a remuneração dos jogadores e comissão técnica não foi detalhada de maneira satisfatória, na opinião da Premier League.

A equipe que joga de azul em Manchester também falha ao não cooperar com as investigações e, ao não cumprir com o dever de boa fé, está sujeito à punições mais severas. Os efeitos da Covid-19 e as dificuldades que todos os clubes enfrentaram ao longo do período jogam a favor do City, mas é algo muito pequeno no prisma da situação.

Chelsea x Manchester City pela Premier League 22/23.
City e Chelsea ainda podem sofrer sanções da Premier League pelo fair play financeiro (Foto: Icon Sport)

Apesar de tudo isso, os Citizens seguem negando as irregularidades e confirmam que possuem um “conjunto abrangente de evidências irrefutáveis” que evidenciam seu posicionamento.

O Chelsea ainda tem uma situação mais contornável, já que os novos donos do clube, que assumiram depois da saída de Abramovic, podem apresentar novas provas que confirmam a discrepância encontrada. Tudo dependerá, também, da investigação aos pagamentos secretos que envolvem empresas no nome do russo. Os valores chegam a dezenas de milhões de libras.

Os próximos capítulos

O Everton confirmou que vai recorrer à sanção, com o argumento de que agiu, sim, em boa fé, no intuito de diminuir o número de pontos perdidos. Apesar disso, os Toffees dificilmente irão conseguir reverter a situação, de acordo com os advogados ouvidos pelo The Guardian.

Enquanto isso, David Phillips KC, presidente da comissão da Premier League, concedeu a Leeds, Leicester e Burnley, os prejudicados, 28 dias para informar se desejam compensação ou não. As equipes ainda não estão autorizadas a buscar medidas legais separadas, sem antes passar pelo comitê da liga inglesa. A Chelsea e City, resta esperar.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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