Premier League

“Era um artista”: principais técnicos da Premier League reagem à morte de Maradona

Não houve nos últimos dois dias microfone no mundo do futebol que não abordasse a morte de Diego Maradona. Em suas respectivas coletivas de imprensa, os principais técnicos da Premier League, seja abordando os resultados europeus de meio de semana ou a rodada por vir da liga inglesa, dedicaram uma porção de seu tempo para falar da perda do ícone argentino. Entre completa admiração e profunda dor, Marcelo Bielsa, Pep Guardiola, Jürgen Klopp e José Mourinho definiram, cada um, o significado da morte do ídolo.

Bielsa, técnico do Leeds e conterrâneo de Maradona, destacou o significado do 10 para o povo argentino e sobretudo a representatividade que o craque tinha para os mais humildes, que careciam de um exemplo de triunfo e encontraram isso na figura de Diego.

“Maradona era um artista. Os efeitos de sua arte têm repercussões infinitas. Para dar um exemplo, as músicas que foram escritas sobre ele são extraordinárias. Li dez textos após sua morte que foram emocionantes, e isso é um reconhecimento da beleza que ele ofereceu aos espectadores”, comentou Bielsa.

“Para explicar o que ele representa para nós, argentinos, em particular, ele encarnava a fantasia. O ídolo, o mito, a lenda. Diego nos deu a impressão de que aquilo que ele realizou todos nós éramos capazes de fazer também. É por isso que a perda que nos aflige é dolorosa para os mais desfavorecidos, porque são eles que têm a maior necessidade de acreditar que é possível triunfar”, completou o argentino.

José Mourinho, treinador do Tottenham, dividiu a figura de Diego Maradona em duas, o homem e o mito, e falou de sua confiança de que seu filho passará o legado do argentino para as próximas gerações.

“Tem o Maradona e tem o Diego. O mundo conhece e não se esquecerá do Maradona. Eu garanti que meu filho conhecesse bastante sobre ele mesmo tendo nascido depois dele ter sido jogador. E tenho certeza que meu filho irá garantir que, quando ele for pai, seus filhos não esqueçam quem ele foi. Como eu com meu pai e Di Stéfano. Eu nunca vi Di Stéfano jogar, mas meu pai garantiu que eu soubesse muito sobre Di Stéfano. Porque com estas gerações, você tem jogadores da nossa geração, e o Diego, na minha geração, foi aquele que todos conhecem”, explicou Mourinho.

“E então tem Diego, o homem, e deste eu sinto falta. E sinto muito que não passei mais tempo com ele, eu teria amado isso. Acho que sua família, seus amigos, seus colegas são muito privilegiados de ter passado tempo com ele e tê-lo conhecido. Eu o conheço o bastante. Em minhas grandes derrotas, ele sempre me ligava. Nas minhas vitórias, nunca. Vou sentir falta do Diego. É claro que estou muito triste, mas estou sorrindo porque amei cada minuto com ele, sempre estávamos rindo.”

Jürgen Klopp, do Liverpool, não teve tantos encontros com Maradona quanto Mourinho, mas revelou o impacto que sentiu ao estar diante de uma figura tão carregada de significado. “Eu o encontrei uma vez. Para um jogador do meu nível, conhecê-lo foi como conhecer o Papa.”

“Maradona foi o melhor que vi. Talvez não seja mais certo dizer isso, porque vi Cristiano Ronaldo e Lionel Messi muitas vezes também. Durante minha carreira de jogador, ele foi de grande destaque. Sua vida mostra o quão legal e, ao mesmo tempo, difícil a vida pode ser quando você é um jogador de futebol de elite”, ponderou o alemão.

Por fim, Guardiola, comandante do Manchester City e que compartilha com Maradona o pano de fundo de ter passado pelo Barcelona, destacou como o argentino “fez o futebol melhor” e lamentou ter perdido por pouco a oportunidade de trabalhar perto do craque quando se juntou às categorias de base do Barça.

“Quando eu era pequeno, ir com meu pai ver o Barça de Maradona foi incrível. (…) Quando cheguei às categorias de base, ele tinha ido para o Napoli. Seu impacto no futebol mundial, o amor e a alegria… Não estive com ele no vestiário, mas todas as pessoas que estiveram falam de sua generosidade e de como ele pensava em todas elas para tornar o futebol melhor”, revelou.

“No ano passado, havia uma faixa na Argentina que dizia: ‘Não importa o que você fez com sua vida, Diego, o que importa é o que você fez com as nossas’. Ele deu muitas alegrias e tornou o futebol melhor. O que fez pelo Napoli e pela Argentina em 1986 foi algo incrível. Descanse em paz e, em nome do Manchester City, mando um grande abraço a toda a sua família”, completou Guardiola.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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