Premier League

Empate em Anfield sugeriu obstáculos que City e Liverpool precisarão superar para embalar de vez

Não é nada muito sério, mas o City está um pouco emperrado no ataque, e a defesa do Liverpool de repente se abriu

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Foi um jogaço. Um dos melhores da temporada. Uma mensagem clara que outros, como o Chelsea e o Manchester United, podem até se candidatar ao título da Premier League, mas terão que passar por cima de Manchester City e Liverpool, os dois times mais fortes da Inglaterra nos últimos anos. Mas o empate por 2 a 2 em Anfield também sugeriu os principais obstáculos que cada um precisará superar para embalar de vez na temporada.

Algo está estranho no ataque do Manchester City. A perseguição mal sucedida a Harry Kane durante a janela de transferências forneceu a todos o argumento fácil de que está faltando um centroavante de elite. Sempre ajuda ter esse jogador, principalmente se ele for Kane ou Erling Haaland. Poderia ter ido atrás de outro menos talentoso para quebrar o galho por enquanto, mas, na última temporada, isso não foi necessário para a conquista da Premier League – e para chegar à final da Champions League.

Mesmo nas primeiras semanas desta campanha, foi capaz de enfiar cinco gols em Norwich e Arsenal e seis no RB Leipzig, mas, de repente, o ataque do City empacou. Antes de marcar duas vezes no segundo tempo em Anfield, havia dominado o Chelsea, o Paris Saint-Germain e o Liverpool, mas fizera apenas um gol em mais de 200 minutos de bola rolando – o que lhe deu a importante vitória em Stamford Bridge contra os Blues.

Ferrán Torres havia sido mantido como titular no comando de ataque nas rodadas inicias da Premier League, mas foi colocado no banco de reservas nos últimos quatro jogos, desde o empate sem gols com o Southampton, quando Sterling foi o famoso Falso 9 de Guardiola. Phil Foden exerceu essa função contra o Chelsea, Sterling novamente no Parque dos Príncipes e Jack Grealish em Anfield.

Guardiola está tentando. A estratégia contra o Liverpool deu certo. Centralizou Grealish para manter um centroavante com poder de criação e abriu Foden pela esquerda, com mais velocidade para aproveitar a lentidão de James Milner. As principais chances do primeiro tempo saíram dessa maneira, assim como o gol de Foden, após uma linda ação individual de Gabriel Jesus, e a jogada para o de De Bruyne – já com Joe Gomez na lateral direita vermelha.

Mas, por enquanto, parece ter sido uma tática pontual para explorar uma deficiência do adversário, e as mudanças constantes também mostram que Guardiola não está satisfeito. Ele, para falar a verdade, raramente está satisfeito e mais raramente ainda não consegue encontrar a solução para algum problema. O retorno de Ilkay Gündogan após a Data Fifa deve ajudar. Na temporada passada, o alemão atuou pela meia esquerda, com liberdade e inteligência para entrar na área na hora certa. Com timing e finalização afiados, foi o artilheiro do campeão inglês, com 13 gols.

Enquanto isso, a defesa do Liverpool anda um pouco esburacada. Contra o Manchester City, a ausência de Trent Alexander-Arnold foi sentida. É um problema de elenco que os únicos substitutos sejam um meia de 35 anos, um garoto de 20 ou um zagueiro improvisado. Mas o excelente lateral direito também não é famoso por ser uma fortaleza defensiva e é possível que também sofresse contra Foden naquele cenário se estivesse em campo.

A sina do Liverpool de Klopp é se preocupar com a defesa. Quando ela não foi uma questão, os títulos vieram. Melhorou a ponto de se tornar uma das mais fortes do mundo após as chegadas de Van Dijk, Fabinho e Alisson, em uma mistura de material humano qualificado com uma abordagem mais cadenciada que rendeu quase 200 pontos em duas edições da Premier League.

Mas foi o principal problema da temporada passada, pela lesão de Van Dijk e depois de Joel Matip e Joe Gomez. O Liverpool chegou ao fim da Premier League com uma boa sequência de vitórias fixando jogadores da base e do time secundário como dupla de zaga. Agora está todo mundo saudável, com exceção de Arnold, e o setor foi reforçado por Ibrahima Konaté, bom zagueiro jovem do RB Leipzig, que ainda está se adaptando.

O Liverpool manteve a sua baliza intacta em cinco dos dez jogos da temporada, e Joel Matip começou a temporada como um dos destaques. Mas algumas panes geram certa preocupação. Permitiu que o Milan virasse a primeira rodada da fase de grupos da Champions League com dois gols em três minutos ao fim de um tempo que havia dominado completamente. O sistema defensivo pareceu ter sido pego de surpresa por ataques rápidos e verticais dos italianos. Ficou todo desarrumado.

Após outros dois clean sheets contra Crystal Palace e Norwich, o Liverpool foi três vezes vazado pelo Brentford. Tem pintado como a sensação da Premier League, mas os gols que marcou naquela partida não deixaram uma boa impressão da defesa vermelha, um pouco desesperada também e incapaz de impedir que a bola ficasse viva dentro da sua área até ser enviada às redes.

Assim como o ataque do City de repente empacou, a defesa do Liverpool de repente se abriu. Foi vazada seis vezes nas últimas três partidas. Pode ser apenas uma pane momentânea, mas o histórico é suficiente para ligar um pequeno sinal de alerta. Deixou quatro pontos escaparem após entrar nos dez minutos finais das últimas duas rodadas da Premier League em vantagem, e foi exatamente por esses tipos de vacilos que o time de Klopp demorou alguns anos para realmente brigar pelo título inglês.

O momento do Liverpool ainda é ótimo. Está invicto há 19 jogos, contando o fim da temporada passada. Precisa apenas dar uma apertadinha na defesa. O do Manchester City também é muito bom, apesar da derrota para o Paris Saint-Germain. Embarcou em uma sequência de três jogos muito difíceis fora de casa e dela saiu com uma vitória contra o campeão europeu e um empate contra os Reds. Precisa apenas encontrar um pouco mais de contundência no ataque.

Chelsea, atualmente o líder, e Manchester United ainda podem brigar pelo título. É cedo demais para descartar qualquer um, mas precisam resolver os seus próprios problemas primeiro. O campeão europeu, mesmo com Romelu Lukaku, ainda não conseguiu engrenar no setor ofensivo, e os Red Devils estão em uma sequência de apresentações coletivas bem sofríveis, perdendo pontos em Old Trafford e sem passar muita confiança.

O 22º episódio da rivalidade Guardiola x Klopp, empatada com nove vitórias para cada lado, confirmou Manchester City e Liverpool um pouquinho à frente neste momento em termos de desempenho. E, se conseguirem solucionar primeiro esses obstáculos que apareceram nas últimas semanas, a tendência é que abram um pouco mais de distância.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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