Premier League

Em recuperação da covid-19, Lukaku sai do banco e dá a vitória ao Chelsea contra o Aston Villa

Belga estava fora de combate e colaborou à sua maneira para virar o jogo no segundo tempo

Era para ser uma tarde comum de jogo no Villa Park, entre Aston Villa e Chelsea. Os mandantes, desfalcados de seu técnico, Steven Gerrard, fora por ter sido infectado pela covid-19, tiveram de planejar algo diferente para surpreender o atual campeão europeu. Na Premier League, o Chelsea tem tropeçado mais do que gostaria nesse fim de primeiro turno. Mas neste domingo, graças ao grande reforço da janela de verão, os Blues venceram por 3 a 1, de virada.

Meio sem querer

O que o Villa planejava era dificultar ao máximo a vida do Chelsea, como tem feito consistentemente diante dos grandes até aqui. E não é só uma questão de se fechar e tentar não levar gols. O Villa foi valente o bastante para tentar agredir os Blues no primeiro tempo. A dinâmica foi mais ou menos essa: domínio da posse pelo Chelsea, mas eventuais espetadas do Villa.

Numa dessas descidas, pela esquerda, aos 28 minutos, Matt Targett alçou um cruzamento na área, mas Reece James subiu de cabeça para cortar. O problema é que a cabeçada saiu baixa demais, para trás, e encobriu o goleiro Edouard Mendy, abrindo o placar para os visitantes. Até o fim do jogo, o Villa somou apenas uma finalização ao gol, entre os oito chutes tentados. Pouco para quem queria forçar a mão diante do adversário.

Ao Chelsea, atrás no placar, restava chacoalhar as coisas para tentar a reação. Ela veio em uma falta um tanto infantil do lateral Matty Cash. Pênalti para os visitantes, que colocou Jorginho na marca da cal mais uma vez. O meia não caiu na provocação de Emiliano Martínez e fez a sua parte para empatar. Até o intervalo, o clima foi morno e sem muitos lances impactantes. A grande notícia para quem via o jogo, porém, era a entrada de Romelu Lukaku na segunda etapa.

A cartada decisiva de Tuchel

Lukaku, que ainda está longe dos 100% da sua forma física, sobretudo após se recuperar da covid-19, entrou com o freio de mão puxado e sabendo que não poderia exagerar muito em suas corridas. O atacante entrou na vaga de Trevoh Chalobah e deslocou Christian Pulisic para uma posição mais auxiliar no ataque. Até ali, o norte-americano estava bastante ineficaz como referência na área.

Ao fortalecer o meio-campo e o ataque, Thomas Tuchel também promoveu uma compactação de sua defesa, que passou a atuar com apenas três homens. A ideia quase foi um tiro no pé quando Thiago Silva precisou sair por problemas musculares. Andreas Christensen entrou no lugar do brasileiro, e felizmente para ele, a defesa do Chelsea mal foi citada até o apito final.

Não tinha como não girar em torno de Lukaku a estratégia de Tuchel. Assim foi quando Callum Hudson-Odoi desceu até a ponta esquerda e cruzou para o miolo da área. Lukaku se deslocou por trás da defesa e apareceu para testar, quase de raspão, no canto da meta de Martínez. Quando você tem um nome da estatura de Lukaku no banco, como aposta de segundo tempo, é que se vê a força de um elenco. Claro que Tuchel teria escalado o belga desde o início se pudesse contar com ele, mas a diferença está nesses momentos. E 50% de Lukaku ainda é muita coisa para se ter no elenco.

Controlando bem as ações, o Chelsea definitivamente tomou conta do jogo e não sofreu mais até o fim. A questão era se o placar ficaria igual ou se os Blues buscariam algo mais. Depois de algumas defesas importantes de Martinez, como na que ele fez cara-a-cara com Hudson-Odoi na pequena área, a resposta veio. Nos acréscimos, Lukaku recebeu e arrancou. Ainda sem aquela potência que conhecemos, mas com a força de um tanque: carregou Targett, que não conseguiu lidar com o rival e caiu pelo caminho, e depois arrastando Ezri Konsa, que não teve outra alternativa se não fazer o pênalti.

A cena foi hilária: dois homens correndo atrás de Lukaku, desesperados, e sem qualquer chance de alcançá-lo. O tropeço de Targett, que tentava agarrar o belga pela camisa, acabou virando um momento pastelão. Deu até dó do defensor do Villa. E na batida, o mesmo de sempre: Jorginho contra Martínez. O capitão dos Blues caprichou e venceu o arqueiro argentino com um chute rasteiro no canto. Não foi dessa vez que os jogos mentais de Emi fizeram um adversário sucumbir.

A vitória do Chelsea é uma boa notícia para os planos de Tuchel, que vê seu time firme na briga pelo título, com os mesmos 41 pontos do Liverpool, que tem um jogo a menos. A distância para o líder Manchester City é de seis pontos, muito pouco para cravar qualquer coisa com um turno todo pela frente. A briga pela conquista dessa edição da Premier League prometia muita emoção e até agora, está entregando tudo o que era previsto.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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