Premier League

Em meio à invasão pelo título do City, Cancelo deixou a festa para ajudar um menino autista que se perdeu do pai

Ollie Gordon, de 10 anos, ficou assustado em campo e seria ajudado por Cancelo a reencontrar o pai

A conquista emocionante do Manchester City na rodada final da Premier League provocou uma massiva invasão de campo no Estádio Etihad. Porém, a confusão também colocou em risco um menino autista que estava nas arquibancadas. Ollie Gordon, de 10 anos, se perdeu de seu pai e ficou assustado em meio à multidão. Quem ajudou o garoto a se acalmar foi João Cancelo. O lateral dos Citizens percebeu o medo do pequeno torcedor e o abraçou, até que o pai reencontrasse o guri. Foi também herói.

Ollie estava com o pai, Lee Gordon, no Estádio Etihad para assistir ao título do Manchester City e ambos conseguiram lugares próximos do gramado. No entanto, quando a partida chegou ao fim, o menino correu junto com a multidão que invadiu o campo e se perdeu do pai. Cancelo seria o primeiro a perceber o garoto assustado e deixou os festejos para poder ajudá-lo. Abraçou o menino e deu um beijo em sua testa, para tentar acalmá-lo, enquanto tentava encontrar o pai.

“Ollie começou a correr. Ele tem autismo e não está ciente dos perigos ou qualquer coisa, então ficou animado e começou a correr. Ele vai bastante ao estádio com o pai, especialmente nos últimos tempos. Eu estava assistindo na televisão e vi Lee correndo pelo campo, mas não Ollie”, explicou Lauren Gordon, mãe do garoto, ao Manchester Evening News. “Eu fiquei em choque e tentava falar com o meu marido. Ollie viu o goleiro do Aston Villa ser atingido. Isso o deixou assustado e ele foi em direção a Cancelo”.

Além de autismo, Ollie também possui dispraxia e outras limitações na coordenação motora. O futebol tem sido uma ferramenta importante no desenvolvimento e na socialização do garoto, assim como melhorou sua mobilidade. Até por isso, a família se acostumou a frequentar o Estádio Etihad, mesmo morando em Devon, cidade no extremo sul da Inglaterra que fica a cerca de mil quilômetros de Manchester – onde os Gordon viviam anteriormente.

“Cancelo puxou Ollie, colocou os dois braços ao redor dele com num abraço de urso, beijou o alto de sua cabeça e foi abrindo caminho. Foi muito rápido, mas as pessoas estavam se empurrando. Meu filho ficou apavorado. Ele não pode ficar sozinho, tem que ser supervisionado. Foi uma pena que ele tenha entrado em campo antes do pai e se distanciado”, contou Lauren.

“Cancelo manteve os braços ao redor de Ollie e deu tempo para o pai encontrá-lo. Ele estava pressionado contra o peito de Cancelo, com tantos homens grandes correndo contra ele. Poderia ter sido uma história completamente diferente, um menino perdido em campo. Cancelo deveria estar gritando e comemorando, mas, em vez disso, parou para cuidar de um garotinho”, complementou a mãe.

Nesta semana, com ajuda de Lauren, Ollie escreveu uma cartinha para agradecer a Cancelo. Segundo a mãe, o lateral português era o segundo jogador favorito do menino. Agora, se tornou o primeiro da lista, e por motivos mais do que justos.

“Acho que não existem palavras para agradecer a Cancelo. Ele provavelmente não percebe quão importante foi. Mesmo Ollie diz que poderia ter morrido naquele dia. É verdade, pelo tamanho das pessoas ao seu redor, ele não teria a menor chance. Eu não posso suportar a ideia do que teria acontecido. Somos muito rápidos para ir aos jornais reclamar de tudo, mas nunca destacamos as coisas boas. Devemos reconhecer atitudes como esta”, finalizou Lauren.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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