Premier League

Demitido pelo Aston Villa, Dean Smith já encontrou um novo clube e assumirá a bomba no Norwich

Dean Smith ficou apenas uma semana desempregado e substituíra Daniel Farke à frente do lanterna Norwich

O Norwich tem consciência da importância que Daniel Farke possui ao clube, mas preferiu não manter o treinador à frente do time por mais uma temporada na Premier League. O alemão conquistou o acesso com os Canários duas vezes, mas sofreu seu primeiro rebaixamento com uma campanha desastrosa em 2019/20 e seguia pelo mesmo caminho na atual temporada. A demissão antes da Data Fifa, inclusive depois de uma vitória dos auriverdes, indicava como os dirigentes aproveitariam a pausa internacional para buscar um novo nome. E não foram muito inventivos para isso: o escolhido é Dean Smith, demitido na mesma semana pelo Aston Villa.

O Norwich chegou a negociar com Frank Lampard, mas o ex-meio-campista desistiu do cargo por avaliar que não era a oportunidade ideal para este momento de sua carreira. Dean Smith também estava na disputa e, após agradar os dirigentes nas primeiras conversas, assinou novo contrato até o final da temporada 2022/23. O assistente Craig Shakespeare, que trabalhou ao lado de Claudio Ranieri no Leicester, também desembarca em Carrow Road. Curiosamente, a estreia de Smith acontecerá contra o Southampton – o mesmo algoz na derrota que custou sua demissão do Aston Villa. Os Villans, vale lembrar, anunciaram Steven Gerrard como seu novo treinador na última semana.

“Foram sete dias turbulentos, mas estou muito feliz por voltar e trabalhar com o Norwich na Premier League. Claramente há um trabalho maravilhoso nesse clube que foi desenvolvido por quatro anos. Agora minha missão é continuar a melhorar isso, com o objetivo de permanecer na Premier League. O Norwich é um grande clube, com uma torcida massiva que entende o que significa fazer parte da comunidade. Cresci numa época em que o Norwich jogava copas europeias, lembro bem desses tempos e sempre que visitava Carrow Road dava para sentir a ligação com a torcida. Juntos, temos que tornar nosso estádio um lugar duro para os visitantes”, afirmou Smith, em suas primeiras declarações.

Já o diretor Stuart Webber ressaltou como as primeiras conversas com Smith impressionaram o comando do Norwich: “Dean tem um histórico excelente e, assim que deixou claro que estaria pronto para voltar ao comando de um clube, entramos em contato. Ele compartilha os mesmos valores e visões do clube, tem um histórico de vitórias na Premier League, bem como de desenvolvimento de jogadores e de construir uma mentalidade. Com Craig Shakespeare, garantimos um assistente com excelente reputação e vasta experiência. Estamos ansiosos para trabalhar com eles e desenvolver o excelente trabalho realizado no clube durante os últimos anos. Existem enormes desafios pela frente, mas estamos empolgados e determinados em ver até onde podemos crescer como clube dentro e fora de campo”.

Dean Smith realizou longos trabalhos à frente do Walsall e do Brentford, elevando o patamar de ambos os clubes. Em 2018, ganhou a oportunidade de dirigir o Aston Villa, seu clube de coração – onde o pai trabalhava como funcionário do Villa Park. E a passagem seria suficientemente marcante, com a conquista do acesso à Premier League já na primeira temporada. A equipe de Birmingham vagava no meio da tabela, até emendar vitórias numa sequência impressionante na reta final e derrotar o Derby County na decisão dos playoffs. Já era um feito e tanto, considerando que os Villans estavam em seu terceiro ano consecutivo na Championship.

Em 2019/20, Dean Smith cumpriu seus objetivos. O Aston Villa chegou à decisão da Copa da Liga, derrotado na final pelo Manchester City, e assegurou a permanência na Premier League. De novo, os Villans dependeram de uma arrancada na reta final, depois de permanecerem quase todo o segundo turno na zona de rebaixamento. E quando até parecia que Smith seria incapaz de elevar o patamar do Villa na elite, a campanha de 2020/21 superou bastante as expectativas. O time permaneceu quase todo o primeiro turno na zona de classificação às copas europeias e, apesar da queda na metade final, se sustentou na zona intermediária da tabela. O problema foi a sequência do sucesso.

A saída de Jack Grealish foi bastante custosa ao Aston Villa, considerando a forma como o camisa 10 carregou o time durante a estadia de Dean Smith à frente do clube. A diretoria reinvestiu o dinheiro e fez um dos melhores mercados da última janela de transferências. Entretanto, o treinador não soube reconstruir o time diante da perda de seu protagonista. Os Villans até conquistaram alguns resultados expressivos, contra Everton e Manchester United. Todavia, a sequência de cinco rodadas sem vencer e a falta de soluções encurtou sua permanência em Birmingham.

A situação de Dean Smith no Norwich será pior do que no Villa Park. Os Canários possuem um elenco mais fraco que o dos Villans e ainda perderam seu melhor jogador exatamente para o antigo clube do treinador, após a venda de Emiliano Buendía. A questão será reconstruir a identidade de jogo em Carrow Road, algo que Daniel Farke até buscou fazer desde a última temporada, mas que não teve impacto na Premier League. O elenco auriverde ganhou alguns jogadores interessantes nesse retorno à elite, sobretudo jovens, mas o impacto é pequeno e a falta de confiança parece abater. Foram dez rodadas seguidas sem vitórias, incluindo goleadas por 5 a 0 do Manchester City e 7 a 0 do Chelsea.

Neste momento, o Norwich soma cinco pontos, a cinco de alcançar Watford e o próprio Aston Villa fora da zona de rebaixamento. Dean Smith não deve contar com a carteira aberta dos donos, que preferem uma gestão bem mais sustentável em Carrow Road, e também não terá o sustento de sua ligação com o clube, o que tornava a torcida no Villa Park mais paciente por seu histórico. Dentro dessas condições desfavoráveis, tem um desafio e tanto para realmente se provar como um treinador de elite na Inglaterra. Todavia, pelo contexto geral, sabe que já teria uma grande vitória se conseguisse permanecer no projeto para o próximo ano em caso de rebaixamento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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