Premier League

Dele Alli: “Quando tinha 12 anos, ficava na rua até as duas da manhã. O futebol me deu uma oportunidade”

O sucesso de Dele Alli com a camisa do Tottenham tem enorme representatividade, além do mero aspecto esportivo. É uma vitória pessoal do jovem inglês de 21 anos, que enfrentou diversas dificuldades antes de se afirmar no futebol. Nascido em Milton Keynes, o meia iniciou sua carreira no MK Dons quando tinha 11 anos. E o clube mudou sua vida, não apenas por oferecer uma oportunidade, como também por apresentar uma nova família. Filho de um nigeriano com uma inglesa, Alli foi deixado por seu pai quando tinha uma semana de vida. Já aos 13 anos, por conta do alcoolismo, sua mãe o “doou” a outro lar. Os Hickford, pais de um colega no MK Dons, acolheram o garoto em sua casa. Hoje, o astro dos Spurs os considera como seus pais adotivos.

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Nesta semana, o assunto voltou à mídia. Dele Alli concedeu uma entrevista à revista GQ, em que falou sobre as dificuldades que superou na juventude. Sem citar a questão dos pais, ao menos pelo trecho divulgado, o meia demonstra uma enorme consciência de que o seu destino poderia ter sido outro, não fosse o futebol.

“Eu me meti em confusão algumas vezes quando eu era mais jovem. Eu me meti com pessoas erradas. Tentava fazer o que os garotos mais velhos faziam. Não não estávamos em uma área muito boa da cidade. Quando eu tinha 12 anos, ficava na rua até as duas da manhã. O futebol me deu a oportunidade de realmente colocar minha energia em outra coisa”, afirmou Dele Alli.

Em janeiro de 2016, Denise, mãe biológica de Alli, já tinha falado sobre a adolescência delicada de seu filho. “Todas as crianças da idade do Dele estavam nas ruas fumando, brigando e roubando. Algumas acabaram na cadeia. Eu estava preocupada que meu filho fosse ser seduzido por essa vida. Ele deu trabalho às vezes, como maior parte dos rapazes. Teve que mudar de escola. Eu sabia que a doação era a única maneira de realizar seu sonho de ser um jogador de futebol. Foi difícil entregar meu filho, mas isso provou ser sua salvação. Estou muito grata pela maneira como as coisas acabaram acontecendo”, apontou.

Apesar da mudança, Dele continua ligado a sua mãe biológica. Ele oferece suporte a Denise e aos seus outros três irmãos: o caçula Lewis, de 13 anos, e as mais velhas Becky, de 24, e Barbara, de 27. Em contrapartida, desde a temporada passada o jogador não usa mais o sobrenome ‘Alli’ na camisa. “Eu queria que o nome na camisa representasse quem eu sou, e não sinto conexão com o sobrenome Alli. Foi uma decisão que tomei depois de muita reflexão e discussão com a família próxima a mim”, apontou, na época.

Na entrevista à GQ, Dele Alli abordou outras questões. Classificou a sua velocidade de raciocínio como uma das principais características: “Eu acho que muitos dos meus gols vêm ao antecipar o jogo, apenas pensando constantemente e tentando prever o que irá acontecer. Quando você está na área, tudo acontece muito rápido. Então, você deve adivinhar o que vai acontecer na sequência, onde a bola deverá cair. Assim, você estará um passo à frente do defensor”.

Além disso, o jovem afirmou que confia no potencial do Tottenham para conquistar a Premier League: “Estamos a centímetros de conseguir isso. Talvez mais um jogador ou dois seja tudo o que precisamos”. A manutenção do elenco dos Spurs para a próxima temporada, com a saída apenas de Kyle Walker, já é um ‘reforço’ e tanto. Mais uma vez, o camisa 20 estará entre os protagonistas do time de Mauricio Pochettino.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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