Premier League

Daniel Levy, presidente do Tottenham, sobre Superliga: “Perdemos de vista o nosso verdadeiro DNA”

Mandatário reconheceu erro na condução do projeto e também indicou arrependimento por apostar em José Mourinho e não em um técnico mais ofensivo

Em uma carta de fim de temporada endereçada aos torcedores, Daniel Levy, presidente do Tottenham, reforçou o arrependimento pelo envolvimento dos Spurs na proposta da Superliga Europeia, justificando o erro com a necessidade de proteger os interesses do clube. Nesta busca por garantir o melhor caminho para a instituição, admitiu Levy, o Tottenham “perdeu de vista o seu verdadeiro DNA”.

Ao longo da última década, graças a uma boa administração, à crescente receita dos direitos de TV e a bons resultados dentro de campo sobretudo com Mauricio Pochettino à frente da equipe, o Tottenham subiu de patamar no futebol nacional e continental, com a construção de seu suntuoso estádio como importante ponto de virada em direção a voos mais altos. Em meio a este movimento, e ao enfrentamento das consequências financeiras da pandemia de coronavírus, Daniel Levy avalia que os Spurs se perderam na ambição.

“Como clube, estivemos tão focados em entregar o estádio e em lidar com o impacto da pandemia que sinto que perdemos de vista algumas prioridades-chave e qual o nosso verdadeiro DNA. Nosso trabalho na comunidade (local) e com o NHS (sistema de saúde público) é um exemplo de quando acertamos nisso, mas nós não acertamos em tudo. (Nossas escolhas) Nunca foi porque não nos importamos com vocês, torcedores, ou não os respeitamos, nada poderia estar mais distante da verdade”, escreveu o presidente em sua carta.

Na avaliação de Levy, os valores do clube também ficaram pelo caminho quando o assunto foi o tipo de jogo praticado em campo. No mais próximo que chegará de admitir o erro de contratar José Mourinho para suceder Pochettino, o presidente se comprometeu a buscar um novo treinador com uma filosofia de futebol ofensivo, de acordo com a tradição dos Spurs.

“Estamos bastante cientes da necessidade de escolher alguém cujos valores refletem aqueles do nosso grande clube, voltando a jogar um futebol com o estilo pelo qual somos conhecidos, fluido, ofensivo e divertido, ao mesmo passo em que continuamos a abraçar nosso desejo de ver nossos jovens jogadores das categorias de base florescerem ao longo de talentos experimentados”, destacou.

José Mourinho chegou ao Tottenham em novembro de 2019, após um início de temporada ruim que indicava que o ciclo de Pochettino havia chegado ao fim, depois de atingir seu pico com a campanha finalista na Champions League meses antes. O português reverteu a tendência de baixa, mas ao fim da temporada conseguiu apenas uma classificação à Liga Europa do ano seguinte.

Já em seu primeiro ano à frente da equipe desde o início de uma campanha, o desempenho em campo em certo momento pareceu indicar que o clube estava na direção certa, mas as coisas saíram do trilho, Mourinho acabou demitido, e os Spurs terminam agora a temporada em baixa, com a perspectiva de disputar mais uma vez a Liga Europa como o cenário mais positivo possível. Levy compartilhou da decepção dos torcedores e lamentou o desenrolar do trabalho.

“Nesta temporada, por muitas razões, não atingimos nossas expectativas elevadas no campo. Todos tinham grandes esperanças com o elenco que montamos. Infelizmente, apesar de estar na liderança da Premier League em dezembro, não conseguimos manter esta posição. Alcançamos a final da Copa da Liga Inglesa, mas tivemos uma eliminação decepcionante na Liga Europa e agora nos encontramos em uma luta para nos classificarmos para competições europeias, tendo participado delas em 14 das últimas 15 temporadas.”

Reconhecidos os erros, Levy recalibra as ambições dos Spurs e fala em buscar a tão esperada atualização na sala de troféus, que não vem desde 2008, e uma presença contínua na principal competição continental, de forma que o sucesso esportivo caminhe lado a lado com o financeiro: “Temos certeza absoluta de que um time bem-sucedido é parte central de nossas ambições, é o que todos desejamos. Chegamos perto nas últimas sete temporadas, e o foco de todos é em voltar a participar regularmente da Champions League e em competir por títulos”.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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