Premier League

Chelsea acorda, surra o Southampton fora de casa e dá recado ao Real Madrid

Werner e Mount marcaram duas vezes cada em goleada diante dos Saints, construída em menos de uma hora de jogo

Quem se chocou com o nível de desatenção do Chelsea nas últimas partidas contra Brentford e Real Madrid deve ter se assustado com o jogo entregue pelos Blues neste sábado, pela Premier League. Fora de casa, contra o Southampton, a equipe de Thomas Tuchel castigou o adversário com um 6 a 0 impecável e que poderia ter sido ainda mais elástico.

Mesclando alguns jogadores para manter a força física no jogo da Liga dos Campeões contra o Real Madrid, na terça-feira, Tuchel conseguiu extrair do seu grupo uma atuação bastante forte nos primeiros 30 minutos. E com tanta intensidade e vontade de resolver logo a partida, o placar não poderia ter sido diferente. Avassalador, o Chelsea começou quente e, não fosse os chutes reincidentes na trave (Werner deu o primeiro deles), o sacode teria sido ainda maior. Como se precisasse: os visitantes abriram 4 gols de vantagem em pouco mais de meia-hora.

Marcos Alonso abriu o placar aos oito, com belíssima escorada de Mason Mount no meio da pequena área. Mount ampliou em um chutaço e deu o tom do drama do Southampton, que basicamente via o Chelsea entrar em sua área como bem queria. Aí foi a vez de Werner de anotar o terceiro da tarde. Em vacilo de James Ward-Prowse, que cabeceou para trás e armou um golpe em velocidade para o Chelsea, o atacante alemão correu, entrou na área e tirou o goleiro com um drible curto para marcar. Tudo isso com 21 minutos de jogo. Aos 31, Kai Havertz fez o quarto, com oportunismo para aproveitar um rebote da finalização de Werner, que bateu na trave.

O jogo-treino para os Blues irritou a torcida local, e muita gente deixou as arquibancadas prevendo outra das pancadas características que o Southampton tem levado na Premier League nas últimas três temporadas. Em 2019-20, levaram 9 a 0 do Leicester. Em 2020-21, outro 9 a 0 do Manchester United. Hoje, um 6 a 0 do Chelsea, que basicamente fez do time de Ralph Hasenhüttl seu sparring. Depois do intervalo, o Southampton ainda viu a sua rede balançar mais vezes, para desespero do goleirão Fraser Forster, que embora possa parecer, não fez uma partida tão desastrosa.

Mount e Werner fecharam a conta antes mesmo dos dez minutos da etapa final e, sabiamente, o Chelsea baixou o ritmo pelo resto do jogo. Estava bom demais para um sábado ensolarado. Do outro lado, o resignado time de Hasenhüttl só não ficava mais infeliz porque a posição na tabela é tranquila na luta contra o rebaixamento. Mas não haverá muito mais do que a sobrevivência como recompensa por uma temporada medíocre.

O Chelsea, em meio a uma crise institucional por conta da saída de Roman Abramovich (que teve seu nome cantado por torcedores visitantes em St. Mary’s Stadium), prepara o espírito antes de reencontrar o Real Madrid, que lhe nocauteou na ida em Londres, pela Champions. O nível de atenção mostrado hoje pelos comandados de Tuchel foi excelente. Excelente a ponto de enfiar seis gols em um oponente e criando o suficiente para fazer pelo menos dez.

Mas a montanha europeia é difícil de escalar novamente até o topo. O momento pesa contra o Chelsea, e na terça-feira a defesa do Real Madrid não dará tantos espaços como a do Southampton. Motivação há para uma reviravolta, mas os Blues precisarão de bem mais do que isso para retornar do Santiago Bernabéu com a vaga. Os próximos dias serão inteiramente dedicados à montagem de uma estratégia para derrubar o Real, e não há dúvida de que Tuchel irá almoçar, jantar, tomar banho e dormir pensando em um plano para tal missão.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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