Premier League

A trajetória que torna Bruno Fernandes um excelente capitão para o Manchester United

Bruno Fernandes foi escolhido como novo capitão do Manchester United, no lugar de Harry Maguire, e tem uma trajetória de vida que o coloca como um excelente líder

O Manchester United anunciou nesta quinta-feira que Bruno Fernandes é o novo capitão do time. Aos 28 anos, o camisa 8 é um líder do elenco e tem uma personalidade que faz com que a sua escolha faça todo o sentido. Um dos principais jogadores do time, ele tem capacidade de liderar o elenco e tem mostrado em campo que é um exemplo a ser seguido.

Bruno Fernandes substitui Harry Maguire como capitão do time e o zagueiro está insatisfeito com a forma como foi tratado pelo clube. Na prática, a mudança já tinha acontecido ainda na temporada passada, porque Maguire foi frequentemente reserva e, portanto, quem vestia a braçadeira era o português.

Contratado em janeiro de 2020 por €65 milhões (€77,4 milhões, em valores atualizados pela inflação). Ele era um dos principais destaques do futebol português naquele momento, ídolo do Sporting. Sua história, porém, vinha de uma experiência muito maior do que a sua idade poderia fazer supor.

Estatísticas de Bruno Fernandes pelo Manchester United:

  • 185 jogos
  • 64 gols
  • 54 assistências

Experiência em desbravar no exterior ainda muito jovem

Formado pelo Boavista em Portugal, ele saiu do futebol português ainda muito jovem. Em 2012, aos 17 anos, prestes a completar 18, teve a sua primeira experiência internacional: foi jogar no Novara, da Itália, por apenas €40 mil. Um caminho muito incomum, até porque o Novara era um time que estava na Serie B.

Foi na Itália que ele começou a jogar em um time principal. Fez a sua estreia já em novembro, por alguns minutos, diante do Citadella. Rapidamente ganharia espaço e passaria a ser titular já naquela temporada, ainda muito jovem. O Novara foi quinto colocado e se classificou para os playoffs. Na semifinal, porém, o time acabou derrotado pelo Empoli e não conseguiu o acesso.

Mesmo assim, o destaque de Bruno Fernandes foi evidente. Foram 29 jogos, sete gols e duas assistências, tudo isso com 18 anos e atuando no exterior pela primeira vez. O destaque o fez ser contratado pela Udinese por €2,5 milhões, em 2013.

Em seu primeiro ano atuando pelo clube, começou atuando no time de base, mas rapidamente o clube percebeu que ele tinha condições de atuar em um nível mais alto e ele se estabeleceu como titular ao longo da temporada.

Foram três anos atuando pelo clube de Udinese, pelo qual fez 95 jogos, marcou 11 gols e deu 13 assistências. Em 2016, foi emprestado à Sampdoria. Atuando como meia ofensivo na temporada 2016/17, novamente Bruno Fernandes foi bem. Ganhou espaço nos seus primeiros jogos, virou titular e conseguiu mostrar seu valor.

A Sampdoria comprou o jogador ao final do empréstimo por €6 milhões, porque tinha direito de compra do jogador, mas o clube sabia que o Sporting estava interessado. Então, tornou a transferência permanente, mas só para vende-lo ao Sporting por €9,7 milhões.

Craque e líder já no Sporting

Na Itália, Bruno Fernandes era um garoto em ascensão, com potencial de explodir. No Sporting, ele cumpriu a expectativa e se tornou destaque e, mais do que isso, um líder do elenco. Mesmo ainda jovem.

Contratado prestes a completar 23 anos, fez uma temporada excelente em seu primeiro ano atuando pelos Leões. Foram 56 jogos, 16 gols e impressionantes 18 assistências. Jogou Champions League, a sua primeira experiência nesse torneio.

Se o primeiro ano já tinha sido muito bom, o segundo foi espetacular. Em 53 jogos na temporada 2018/19, marcou incríveis 32 gols, além de fazer 18 assistências. Se tornou o grande jogador do futebol português. Mais do que isso: virou o capitão do time. Não começou com a braçadeira, mas ganhou o posto e terminou aquela temporada como o grande líder do time.

Na temporada 2019/20, Bruno Fernandes mais uma vez liderava a equipe em uma boa campanha. Fez 28 jogos, marcou 15 gols e fez 14 assistências. No meio da temporada, o Manchester United bateu à porta. Sua transferência já era muito falada e o Tottenham já tinha especulado levar o jogador várias vezes.

Entre as qualidades que chamavam a atenção do Manchester United estavam a capacidade de organizar o jogo, fazer gols, uma ótima bola parada e a liderança. É um jogador que fala em campo, arruma o time e exerce uma influência positiva nos demais, porque é esforçado, é uma referência em raça e em técnica, além de ser decisivo. É o melhor dos mundos: é um líder que consegue ser exemplo com atitudes, mas também com palavras.

Não por acaso ele furou a fila no Manchester United e ganhou espaço como líder, ganhando a braçadeira em diversos jogos. Já na sua segunda temporada (sendo que a primeira foi, na verdade, meia temporada), vestiu a braçadeira de capitão pela primeira vez em 10 de outubro de 2020, em um jogo pesado contra o Paris Saint-Germain pela Champions League.

Ainda que tenha sido precoce para assumir o posto, em uma situação específica, pareceu uma escolha natural. É um jogador que fala muito bem e consegue exercer muito bem a sua função como líder do elenco junto à diretoria. Esse é um papel importante que os jogadores têm na Europa, que o capitão leve demandas para a diretoria, normalmente para um diretor de futebol. Por isso, é importante que ele seja alguém ouvido pelo vestiário.

Tem Hag percebeu isso. Tecnicamente, Bruno Fernandes é o melhor jogador do Manchester United com sobras desde que chegou, em janeiro de 2020. Se tornou um dos melhores da Premier League. É um jogador vocal e que consegue espaço em um clube que tem um histórico de vestiário com grandes lideranças.

Havia jogadores com muito mais tempo de clube em relação a ele para assumir a braçadeira, mas nenhum deles têm a influência que Bruno Fernandes passou a ter. O fato de ter sido capitão ainda jovem no Sporting e de ser uma liderança também na seleção portuguesa, além de um clube gigantesco como o Manchester United, mostra um pouco da personalidade de alguém que não temeu a mudança nem aos 17 anos.

Bruno Fernandes parece pronto a ser o portador da braçadeira por muitos anos em Old Trafford. Mais do que isso: ele tem tudo para ser o capitão também na seleção portuguesa — quando Cristiano Ronaldo deixar a equipe, é claro.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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