Premier League

Banir a imprensa não vai resolver os problemas do Manchester United

Manchester United decidiu banir quatro jornais de uma coletiva de imprensa - como se fosse ajudar alguma coisa na péssima fase do clube

Quase eliminado na fase de grupos da Champions League, maior número de derrotas na temporada (10 em 21 jogos) desde o rebaixamento em 1974 e uma crise interminável nos bastidores. O Manchester United segue um roteiro em 2023/24 quase que comum nos últimos anos, marcados por problemas internos, vindos principalmente da gestão da família Glazer, dona do gigante inglês. O clube parece ter encontrado um culpado para essa má fase: a imprensa. Sim, a direção dos Red Devils, por meio do diretor de comunicação, Andrew Ward, decidiu banir quatro jornais da entrevista coletiva prévia ao jogo do Chelsea, como se tivesse alguma culpa pela situação atual da equipe.

Dentre os jornais banidos, está o Manchester Evening News, referência na cobertura do clube desde a década de 50. O clube justificou o banimento porque não foi abordado para comentar uma reportagem do periódico alegando que o técnico Erik Ten Hag perdeu a confiança em alguns atletas. No mês passado, o Time foi banido de uma coletiva após publicar que o técnico holandês poderia ser demitido e até colocar possíveis substitutos, como o português Ruben Amorim e o francês Zinedine Zidane.

Ward, o responsável por comunicar os banimentos, também é acusado por jornalistas que cobrem o Manchester United de proibir perguntas de quem publica notícias negativas referentes ao clube.

É óbvio: a imprensa não tem culpa pela fase do United e a decisão de banimento é autoritária, visto que busca silenciar jornalistas que publicaram reportagens recentes consideradas negativas aos olhos da diretoria. Não passa por isso mudar a realidade do sétimo colocado da Premier League, que em pouco mais de um ano gastou mais de 400 milhões de libras em contratações e venceu apenas a Copa da Liga Inglesa desde que Ten Hag chegou.

Manchester United parecia no caminho certo com Ten Hag… parecia

Não deveria ter um torcedor do lado vermelho de Manchester que não ficou empolgado com a temporada de 2022/23, a primeira sob o comando do treinador holandês. A equipe retornou à Champions League, terminando o Campeonato Inglês atrás apenas de Arsenal e o rival City, e era possível ver um trabalho: um time bem treinado, intenso, de boas alternativas para atacar, seja dominando a posse de bola ou em rápidos contra-ataques. Para isso, custou a saída do ídolo Cristiano Ronaldo, bancada pela gestão e pelo técnico, por não se encaixar no estilo de jogo atual.

Também aconteceu na última temporada o primeiro título desde 2016/17, ao levar a Copa da Liga Inglesa em cima do Newcastle. Na Copa da Inglaterra, outra final, mas dessa vez ficou com o vice e o Manchester City saiu com a taça.

Para 2023/24 as expectativas eram maiores, o trabalho de Ten Hag estaria mais maduro, os jogadores assimilariam melhor as ideias táticas. Mas nada é previsível no Manchester United desde a saída de Alex Ferguson. O clube entrou em uma espiral de problemas internos, começando com Jadon Sancho afastado por indisciplina. Depois, as lacunas no elenco foram escancaradas com as lesões de defensores, mesmo com o clube gastando 200 milhões de libras na janela de transferência, como a utilização de Jonny Evans e Anthony Martial, nomes sem mais nenhum clima de vestir a camisa dos Red Devils. Martial, inclusive, discutiu com o técnico holandês durante a derrota para o Newcastle no último sábado (2).

A família Glazer, que colocou à venda o clube em novembro do ano passado, não avançou nas negociações para negociar o Manchester United definitivamente, outro motivo que mostra a falta de rumo e que causou irritação na torcida. Nesse momento, a possibilidade mais próxima é a compra de 25% dos Red Devils pelo bilionário Jim Ratcliffe, que teria controle apenas da gestão do futebol.

Nesse turbilhão de emoções, o United recebe o Chelsea nesta quarta-feira (6) pela 15ª rodada da Premier League. A situação na liga nem é tão ruim perto da crise que passa, estando cinco pontos atrás do G4. Na Champions, porém, só uma combinação de resultados dará a classificação em 12 de dezembro: precisará vencer o Bayern de Munique, no Old Trafford, e contar com um empate entre Galatasaray e Copenhagen.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.
Botão Voltar ao topo