Após 15 rodadas disputadas, o Arsenal é apenas o 15º colocado da Premier League. O momento péssimo foi levemente aliviado com a vitória por 3 a 1 sobre o Chelsea no clássico da rodada passada, mas isso não apaga o fato de que os Gunners tiveram seu pior início após 14 rodadas desde a temporada 1974/75. Em suas palavras, Mikel Arteta transparece o peso que isso tem tido sobre ele, que se considera pessoalmente responsável pela terrível fase.

Em entrevista coletiva prévia ao jogo desta terça-feira (29) contra o Brighton, o treinador resumiu o momento em três fortes palavras: “Desgastante, frustrante e doloroso”. “Obviamente, em termos de resultados nas últimas semanas, todos nós temos sofrido, eu tenho sofrido. Sinto-me muito responsável por isso”, admitiu o técnico.

“É ruim porque eu quero me sair muito bem por este clube, e, no momento em que estamos, quero trazer toda minha paixão, todo o conhecimento que tenho, as boas intenções para avançarmos o mais rápido possível como clube”, afirmou.

“Para fazer isso, precisamos vencer partidas, sermos estáveis e vencer. Quando não vencemos, sinto que estou desapontando o clube e as pessoas que trabalham para nós, além, é claro, dos torcedores.”

Documentários recentes de bastidores de clubes de futebol, como os de Sunderland e Tottenham, mostraram como o dia a dia pode ser pesado e difícil para os funcionários que trabalham por trás das cortinas em clubes que vivem momentos delicados, e Arteta sente o peso da impressão de que está deixando na mão as pessoas com quem convive.

“Como treinador, você tem muitas pessoas ao seu redor, pessoas de quem você tem que cuidar. Eu sempre digo que você tem 70 corações no centro de treinamento e no estádio dos quais você tem que cuidar todos os dias.”

“Cada decisão que você toma tem um impacto em suas vidas, seu humor e no dia seguinte. Então, você fica muito ciente disso, se apega emocionalmente a essas pessoas, e eu sou emocionalmente apegado a este clube”, declarou-se.

Antes da vitória sobre o Chelsea no sábado (26), o Arsenal vinha de uma sequência de sete jogos sem vencer na Premier League, incluindo cinco derrotas diante de Aston Villa, Tottenham, Burnley, Everton e Wolverhampton.

Buscando dar sequência à boa reação mostrada contra os Blues, com uma equipe que teve como titulares jovens como Bukayo Saka, Gabriel Martinelli e Emile Smith Rowe, os Gunners viajam até Brighton para enfrentar o 16º colocado da Premier League.

Uma possível recuperação levará tempo, mas Arteta tem pelo menos um grande apoiador neste momento: Pep Guardiola, de quem o treinador dos Gunners foi assistente antes de assumir o comando do Arsenal, defendeu que o clube do norte de Londres dê mais tempo ao novato, afirmando que seria “um grande erro” demiti-lo.

Em um futebol cada vez mais movido por resultados e em que o cargo do treinador é bem frágil mesmo em um país com tradição de trabalhos longevos como é a Inglaterra, Arteta precisa dar logo uma resposta consistente antes que o crédito que ganhou ao conquistar a Copa da Inglaterra na temporada passada seja todo gasto.