Aos 16 anos, do banco, Milner se sentiu estimulado ao ver Rooney, de 17, fazer o gol da vitória contra seu time
James Milner tem uma longa carreira no futebol. Aos 34 anos, o jogador já atuou por times como Leeds, Newcastle, Aston Villa, Manchester City e agora está no Liverpool. Foi jogador da seleção inglesa e é um veterano de Premier League. Só que tudo começou há muito tempo, quando ele tinha só 16 anos e começou a ser relacionado para o time principal. Um outro adolescente, Wayne Rooney, o impressionou, fez o gol da vitória contra o seu Leeds e “abriu seu apetite” para também fazer história.
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Milner começou a carreira muito cedo no Leeds United, seu clube de infância. No dia 3 de novembro de 2002, o Eeverton bateu o Leeds fora de casa por 1 a 0. Ele viu, do banco de reservas, Wayne Rooney marcar o gol da vitória por 1 a 0 em Elland Road, casa do Leeds. Não entrou em campo. Sua estreia seria no jogo seguinte, contra o West Ham, vencida pelo seu clube por 4 a 3, no dia 10 de novembro.
“Eu viajei com o time principal algumas vezes. Rooney marcou pelo Everton em Elland Road e eu estava no banco. E aquilo estimulou meu apetite. Então veio o jogo contra o West Ham fora de casa, nós estávamos dominando, estávamos confortáveis, mas então ficou 4 a 3. Eu entrei e retribuí [a confiança de Terry Venebles, o técnico] com meu primeiro toque na bola indo diretamente para Paolo Di Canio, do West Ham.
“Por sorte, ele chutou por cima do gol. Um dos rapazes me perguntou depois se eu tinha feito uma aposta que o placar seria 4 a 4. Este foi o começo e 18 anos depois ainda estou jogando”, contou o jogador. Na sua estreia, ele tinha só 16 anos. Rooney, que o impressionou no jogo anterior, tinha 17.
“Você precisa ter sorte, mas eu sempre tentei me dar a melhor oportunidade. Dieta e trabalho de academia, eu fiz isso desde cedo na minha carreira no Leeds. Eu sempre tentei me esforçar e sempre tendo que trabalhar e isso definitivamente me ajudou na minha força mental”, contou. “Essa veia competitiva sempre correu em mim quando era criança. Eu queria ser o melhor e estar à frente”.
Na temporada 2003/04, chegou a ser emprestado rapidamente para o Swindon Town, por um mês, de setembro a outubro. Fez seis jogos, marcou dois gols. Voltou ao Leeds e passou a ser titular do time. Na temporada seguinte, foi vendido ao Newcastle. Sua passagem por St. James’ Park não foi marcante e acabou no Aston Villa no ano seguinte. Ficou emprestado e voltou ao Newcastle, desta vez com mais espaço. Mas foi quando mudou em definitivo para o Aston Villa, em 2008, que sua carreira deslanchou, chegou à seleção, foi para o Manchester City em 2010 e iria para o Liverpool em 2015.
Trabalho com técnicos renomados
Com uma carreira que passou por clubes importantes, Milner trabalhou com técnicos relevantes na carreira, como Graeme Souness, no Newcastle; Martin O’Neill, no Aston Villa; Roberto Mancini e Manuel Pellegrino, no Manchester City, e o atual técnico Jürgen Klopp, no Liverpool.
“Eu tive sorte em termos de jogadores com quem joguei no começo da minha carreira e os padrões que eles estabeleceram, como Gary Speed, enquanto eu sempre tirei o melhor dos técnicos com quem trabalhei”, disse.
“No primeiro ano que tive o mesmo técnico por toda a temporada foi Martin O’Neal no Aston Villa, já com cinco ou seis anos de carreira. Não é ideal para um jogador jovem mudar técnicos tantas vezes, mas definitivamente ajudou na minha carreira”, continuou o jogador.
“Eu tive sorte de trabalhar com alguns técnicos fantásticos – e alguns chocantes também. Eu tive muitos técnicos de diferentes países. Diferentes países têm diferentes estilos e diferentes formas. Ele [Klopp] está lá em cima, se não for o melhor. Como ele faz o treino é diferente de tudo que eu já fiz antes”, analisou.
“Você nunca faz um treino se estiver no piloto automático. Tudo é sobre reagir à próxima situação. Ele tem um bom relacionamento com os jogadores e sabe quanto é preciso um foguete. Ele é muito bom em levar outras opiniões em conta. O time sempre vem primeiro”.
“A forma como jogamos como time é diferente da maneira que joguei em qualquer outro lugar. Se um jogador não faz o seu trabalho, tudo se quebra. Isso além das personalidades que ele reuniu”, elogiou o meio-campista, que com Klopp já atuou nas duas laterais também.
“Como jogador, sempre que você é perguntado sobre o espírito de equipe, você sempre dá a mesma resposta genérica ‘é ótimo’. Mas esta é provavelmente uma das primeiras vezes que eu posso genuinamente dizer que é incrível. Você pode colocar quaisquer dois jogadores comendo o jantar juntos ou em uma sala juntos e eles se dariam bem, sem problemas”, revelou o jogador.
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Versátil, mas a posição preferida é no meio-campo
Milner começou a carreira como um ponta, um atacante aberto pelos lados, mas foi recuando para o meio-campo, chegou a atuar improvisado como um centroavante falso e, no Liverpool, chegou a atuar não só recuado como volante, mas nas duas laterais, esquerda e direita. Embora seja versátil, ele tem sim uma preferência em campo.
“Toda transferência que eu fiz aumentou a qualidade do clube para o qual fui. Eu tive uma das minhas melhores temporadas individuais no Aston Villa, onde eu joguei no meio, e foi assim que cheguei à seleção inglesa. Então, eu joguei o tempo todo pela Inglaterra como ponta e fui para o Manchester City e joguei na ponta”, contou.
“Eu sempre achei estranho que eu provavelmente tive a minha melhor temporada quando eu joguei pelo meio, mas depois disso eu ainda fui deslocado para a ponta”, disse o jogador. Milner ganhou os títulos ingleses de 2011/12 e 2013/14 pelo Manchester City, antes de se transferir para o Liverpool, em 2015.
“Agüero… do Milagre!”: um final de cinema
A temporada 2011/12 foi emocionante para os torcedores do Manchester City. O clube vinha de grandes temporadas, mas ainda buscava o seu título na liga. E ele veio da forma mais emocionante possível: com um gol de Sergio Agüero, nos acréscimos, em jogo contra o QPR que o time saiu perdendo e precisava vencer para ficar com a taça.
“Foi fantástico. Houve muitas contratações e a atração para se transferir para o Manchester City era parte da próxima geração de sucesso. Ganhar a Copa da Inglaterra na temporada anterior nos deu confiança como time para ir e conquistar o título”, continuou.
“Se alguém escrevesse um filme e colocasse isso no final, você sairia dizendo ‘nenhum sentido, isso nunca aconteceria’. Aquilo foi incrível. Vencer um título da liga daquele jeito será lembrado por um longo, longo tempo”, lembrou.
Gol cedo na final da Champions atrapalhou?
Contratado em 2015, Milner demorou a conseguir aumentar a sua galeria de troféus no Liverpool. Foi só na temporada passada, 2018/19, com a conquista da Champions League. No último mês de dezembro, o jogador renovou o seu contrato com o clube até 2022, quando terá 36 anos.
“O que mais nos afetou na final da Champions League foi fazer o gol cedo. Não é ruim fazer um gol cedo, mas eu acho que nosso desempenho teria sido muito melhor se não tivéssemos feito”, afirmou Milner, com uma opinião talvez um pouco inusitada.
“É fácil sair na frente e defender o que temos. Fizemos questão de dizer na reunião de equipe antes do jogo que, se marcássemos cedo, teríamos um passo à frente novamente. Em termos de desempenho, o gol nos afetou”, continuou.
“Se isso foi por termos perdido as duas finais anteriores, eu não tenho certeza. Isso mostra a personalidade dessa equipe. Perdemos a final da Champions League em 2018, mas você precisa encontrar uma maneira de aprender a vencer nessas finais”, disse Milner, em uma afirmação que bem poderia ser encaixada no jargão “finais não se jogam, se ganham”.



