Premier League

Ancelotti volta a ser atração na Premier League, com um desafio difícil e diferente no Everton

Everton e Arsenal enfrentaram-se, neste sábado, em um jogo que seria plenamente esquecível se o clube de Liverpool não tivesse aproveitado a ocasião para fazer um anúncio que ele espera ser capaz de mudar a sua história. Depois de apostas, com melhores e piores resultados, desde a saída de David Moyes, o Everton chegou o mais próximo possível da garantia na contratação do seu novo treinador. Nil satis nisi optimum: a frase em latim usada para confirmar Carlo Ancelotti significa “nada além do melhor é bom suficiente”.

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O quão grande é a posição do ex-treinador do Chelsea na história do futebol mundial tem sido reforçado pelo Everton. Em seu site, há uma lista de conquistas, um perfil e um raio-x de estatísticas. O vídeo publicado no Twitter traz desenhos do italiano levantando seus principais troféus, que incluem três Champions League. O clube parece deliciado por ter ouvido o sim de Ancelotti, e com razão.

Não faz muito tempo que Ancelotti estava na primeira prateleira de treinadores do mundo. É experiente, mas não é uma relíquia. Foi campeão europeu faz pouco mais de cinco anos e, logo depois, escolhido a dedo para substituir Pep Guardiola no Bayern de Munique. O trabalho na Alemanha não deu certo, mas teve a conquista de uma Bundesliga. No Napoli, saiu por problemas que extrapolaram o campo e bola e, antes deles, foi vice-campeão italiano com folgas.

O fato de suas últimas duas passagens não terem sido o que se esperava faz com que Ancelotti tenha algumas coisas a provar, o que ele próprio parece admitir ao embarcar em um projeto que não estaria em seu radar alguns anos atrás. Deve ver potencial no Everton, que ganhou um novo poder de investimento com a chegada do dono Farhad Moshiri, está em uma liga rica e badalada como a Premier League, com um novo estádio no horizonte, e é um grande há muito tempo adormecido.

Com quatro anos e meio de contrato, a visão do Everton para Ancelotti é de longo prazo. Até porque, no momento, está mais perto da zona de rebaixamento do que da zona de classificação à próxima Champions League. Caso seja bem-sucedido no quarto maior campeão inglês da história, o italiano terá concluído um desafio diferente ao que se acostumou desde que assumiu a Juventus, ainda nos anos noventa.

Ancelotti é anunciado pelo telão do Goodison Park (Foto: Getty Images)

Construiu tal prestígio que foi capaz de pular de clube grande para clube grande, sempre em condições de conquistar títulos. A especialidade de Ancelotti foi pegar um time já qualificado, fazer os ajustes necessários e conduzi-lo às glórias. Em Goodison Park, encontra um elenco com potencial, mas longe de estar entre os melhores da liga, que precisa ser reformado, preenchido com contratações cirúrgicas e, principalmente, de uma identidade de jogo. E tem a urgência de imediatamente engatar uma série de bons resultados para subir na tabela.

Será muito interessante acompanhar se ele conseguirá fazer isso. O torcedor tem razão em ficar empolgado porque um nome do tamanho de Ancelotti era inimaginável neste momento em que as bases do crescimento estão sendo estabelecidas e é incomum para a história do clube, que, mesmo em seus momentos de maior glória, não contratou treinadores grandes e famosos. Espera que Ancelotti forneça a estabilidade e o trabalho de alto nível que o Everton precisa para subir de patamar.

E para Ancelotti, a escolha foi um risco calculado em um estágio da sua carreira em que a empolgação de um projeto esportivo pode significar mais do que dinheiro. Resgatar o Everton e quebrar a hierarquia do futebol inglês seria um dos grandes feitos da sua carreira, mas a tentativa também representa um risco, no momento em que ele encontra dificuldades para emplacar um trabalho mais longo.

Pelo menos, nas arquibancadas de Goodison Park, o horroroso empate por 0 a 0 contra o Arsenal lhe deu a certeza de que muito pior o time do Everton não pode ficar.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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