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10 histórias para ficar de olho em 2016

Adeus ano velho, feliz ano novo. O ano de 2015 já ficou para a história e agora é a vez de 2016. A vida continua e o futebol também, então escolhemos 10 histórias para acompanhar neste ano. Vão desde questões esportivas, dentro de campo, times e competições, até bastidores e política do esporte. O ano promete e muito disso tem a ver com essas 10 histórias que selecionamos.

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A Primeira Liga vai vingar?
O logo da Primeira Liga
O logo da Primeira Liga

Depois de sair do papel, a liga que reúne times do Sul, Minas e do Rio tem um grande desafio em seu primeiro ano de existência: não desmoronar. A saída do Cruzeiro, que depois voltou à competição, e as declarações de dirigentes dizendo que usarão reservas no torneio não são bons sinais para uma liga que, para alguns, poderia ser um embrião de uma liga de clubes nacional.

As disputas por mais dinheiro, como acontece no Brasileirão, pareceram abalar as estruturas de uma liga que nem começou e já teve que trocar seus executivos e vive um racha interno. Será que a Primeira liga sobrevive ao seu primeiro ano, com toda politicagem e oposição que as federações farão?

Até onde vai o conto de fadas do Leicester?
A torcida do Leicester tem muito para comemorar (Foto: Getty Images)
A torcida do Leicester tem muito para comemorar (Foto: Getty Images)

Uma da sensações de 2015, o Leicester terminou 2015 empatado em pontos com o Arsenal, líder da Premier League. Feito incrível de um time que, no natal de 2014, estava na lanterna da competição. O que se pensou ser um fogo de palha já sobreviveu a meia temporada e não parece ver seu ritmo cair.

Será possível que o time dirigido pelo técnico Claudio Ranieri e com Mahrez e Vardy no ataque termine entre os primeiros colocados? Esta é certamente uma das grandes histórias para acompanharmos em 2016. Até porque o Leicester é, ao menos, um grande candidato a uma vaga na Champions League neste momento e isso já seria espetacular para os Foxes.

Os estreantes na Eurocopa
Gareth Bale é o principal jogador de Gales, que vai à Eurocopa (AP Photo/Matt Dunham)
Gareth Bale é o principal jogador de Gales, que vai à Eurocopa (AP Photo/Matt Dunham)

Islândia, Irlanda do Norte, Gales, Albânia e Eslováquia irão estrear em uma Eurocopa na França, em 2016. Os islandeses passaram perto de chegar à Copa do Mundo de 2014, perdendo na repescagem para a Croácia. Desta vez, se classificaram com autoridade em um grupo que tinha Holanda e deixaram a Oranje fora da Euro. Na competição, tentará fazer a sua história.

Gales tentará manter a ótima fase, que levou a uma classificação relativamente tranquila. Com Gareth Bale como grande craque, tentará surpreender. Com Bale voando, por que não sonhar? Há jogadores para serem seus coadjuvantes, como o ótimo Aaron Ramsey, do Arsenal, ou mesmo Allen, do Liverpool.

Irlanda do Norte e Albânia chegam sem muitas expectativas e nem devem ir longe, mas poderão viver o orgulho de verem seus países representados. A Albânia, em um momento de crise de refugiados, tem essa marca forte em sua história. A Eslováquia, por sua vez, já esteve na Copa do Mundo de 2010, então estar em uma competição deste porte não é exatamente uma novidade para a seleção.

Santa Cruz de volta ao Brasileirão
Grafite reestreou pelo Santa Cruz com gol e vitória contra o Botafogo (Foto: Antônio Melcop/Santa Cruz)
Grafite reestreou pelo Santa Cruz com gol e vitória contra o Botafogo (Foto: Antônio Melcop/Santa Cruz)

Foram anos e anos de briga para voltar à primeira divisão do futebol brasileiro, com direito a alguns anos no inferno da Série D. Em 2016, o Santa Cruz vai jogar a Série A, mas terá um desafio gigantesco para se manter ali e não bater e voltar à Série B. A diferença orçamentária para os principais times do país é um problema sério para resolver e a margem de erro é muito pequena para times que sobem como o Santa, na atual conjuntura do futebol brasileiro.

Mais do que o apoio intenso das arquibancadas, o Santa Cruz precisará de boas contratações e manter um time bem organizado em campo para fazer bonito. A primeira divisão é, cada vez mais, dos mesmos times, com uns poucos lutando sempre para não cair. Em vez de olhar para o que fazem os grandes clubes, o Santa precisa ver o que fazer a Chapecoense, que tem um dos menores orçamentos da Série A e consegue, ano após ano, fazer campanhas incríveis para se manter por ali.

O Brasil nos Jogos Olímpicos
A seleção olímpica do Brasil entra em campo
A seleção olímpica do Brasil entra em campo em novembro (Foto: CBF)

Ganhar a medalha de ouro no futebol é algo muito importante para o Brasil, que nunca conseguiu este feito. A pressão é sempre muito grande no time, que só pode levar 18 jogadores sub-23 e dificilmente terá Neymar, já acima da idade e, portanto, o Barcelona não é obrigado a liberá-lo.

Se a pressão é grande sobre o Brasil em qualquer olimpíada, em uma disputada em casa, a primeira na história, a pressão será maior ainda. E os garotos terão que lidar com isso. Sem falar em Dunga, que irá comandar o time olímpico, mesmo que a preparação toda tenha sido feita sem ele, primeira com Gallo e depois com Rogério Micale no comando.

Copa América nos Estados Unidos sem dirigentes?
Jeffrey Webb (esq.), então presidente da Concacaf, e Eugenio Figueiredo, então presidente da Conmebol, no anúncio da Copa América de 2016. Ambos estão presos atualmente (AP Photo/Alan Diaz)
Jeffrey Webb (esq.), então presidente da Concacaf, e Eugenio Figueiredo, então presidente da Conmebol, no anúncio da Copa América de 2016. Ambos estão presos atualmente (AP Photo/Alan Diaz)

A Copa América do Centenário, como foi chamada na sua criação por celebrar o primeiro campeonato sul-americano, em 1916, nasceu da aproximação dos dirigentes da Conmebol, dona da competição, e da Concacaf, que terá países convidados e será sede do evento, nos Estados Unidos.

Só que foi justamente essa proximidade excessiva entre os dirigentes para atividades ilegais que foi desmascarada pelo FBI e pela justiça dos Estados Unidos. Com mais de 30 dirigentes indiciados, muitos deles presos e alguns inclusive já extraditados para os Estados Unidos, alguns mandatários estão em suas tocas e não saem de modo algum. Marco Pólo Del Nero, por exemplo, é o presidente da CBF, mas não foi assistir a Copa América no Chile e não acompanha a seleção em nenhuma das suas viagens internacionais. Membro do Comitê Executivo da Fifa, teve que abrir mão do cargo porque não foi mais às reuniões.

Com a Copa América acontecendo nos Estados Unidos, será que teremos algum dirigente, que não os próprios americanos? É uma dúvida razoável, considerando que o FBI já fez a rapa em boa parte dos dirigentes – incluindo aí presidentes das principais federações do continente e dois da própria Conmebol. Será divertido ver uma Copa América sem dirigentes.

Libertadores com camisas de entortar o varal
Carlos Tevez, em sua apresentação no Boca Juniors (Photo by Amilcar Orfali/LatinContent/Getty Images)
Carlos Tevez, em sua apresentação no Boca Juniors (Photo by Amilcar Orfali/LatinContent/Getty Images)

River Plate, Boca Juniors, San Lorenzo, Rosario Central, Racing, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Grêmio, Atlético Mineiro, Nacional, Peñarol, Colo Colo, Atlético Nacional, Deportivo Cali, Emelec, LDU, Cerro Porteño, Olimpica, Sporting Cristal. Embora de níveis técnicos muito diferentes entre si, são todos times de camisa pesada, regionalmente, e alguns com peso muito grande em Libertadores.

As camisas serão pesadas na competição sul-americana, que, ao contrário da Champions League, já mostrou que ter orçamentos gigantes não significa nada (pelos motivos errados, já que os times ricos, na verdade, são muito mais desorganizados e mal geridos do que os times pequenos efetivamente fortes).

Ganhar a Libertadores será uma tarefa difícil em 2016, porque as camisas são de entortar o varal. O que é ótimo para o espetáculo e para quem gosta de ver aquela que talvez seja a competição mais charmosa do mundo.

Para onde vão Pep Guardiola e José Mourinho?
Qual será o destino de Guardiola? (Photo by Paul Gilham/Getty Images)
Qual será o destino de Guardiola? (Photo by Paul Gilham/Getty Images)

Dois dos maiores técnicos do mundo mudarão de emprego. Guardiola porque já anunciou a sua saída do Bayern de Munique em junho, e Mourinho foi demitido do Chelsea e está disponível para outro time contratar. Dois técnicos que atraem muitos clubes interessados em seus serviços.

Embora de estilos de futebol muito diferentes, os dois técnicos têm algumas coisas em comum. São personalidades fortes e seus trabalhos não costumam durar mais do que três anos. Guardiola ficou quatro no Barcelona, um ano sabático, e faz sua terceira temporada no Bayern, de onde sairá. Já Mourinho deixou o Chelsea durante a sua terceira temporada no clube. Vinha de três temporadas no Real Madrid e, antes, ficou dois anos na Internazionale. Antes, ficou três anos no Chelsea e foi demitido no quarto.

Para onde vão os dois técnicos mais badalados do futebol europeu em 2016? Vamos acompanhar.

Barcelona quebrará o tabu e consegue ser bicampeão europeu?
Neymar comemora o título do Barcelona na Champions League (Photo by Laurence Griffiths/Getty Images)
Neymar comemora o título do Barcelona na Champions League (Photo by Laurence Griffiths/Getty Images)

Com o Barcelona terminando 2015 como melhor time do mundo e fazendo ótima temporada em todas as frentes que disputa, é justo considerá-los ao menos um dos favoritos ao título da Champions League. O problema é que ninguém conseguiu o feito de ser bicampeão da competição desde que ela foi reformulada e ganhou este nome, na temporada 1992/93.

Vivemos atualmente a era dos supertimes, com Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique sendo os times que chegam sempre, ou quase sempre, às fases finais da competição. Os três times foram semifinalistas nos

Profut e a exigência de responsabilidade financeira no futebol brasileiro
Dilma assinou a MP de responsabilidade no futebol (Foto: Agência Brasil)
Dilma assinou a MP de responsabilidade no futebol (Foto: Agência Brasil)

Uma das grandes vitórias de 2015 no futebol brasileiro foi a regulamentação do Profut, Programa de Modernização de Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro. A Lei nº 13.155/2015 estabelece condições para os clubes que quiserem renegociar as suas dívidas com o governo, dando maior prazo e juros menores.

O custo é justamente o que diz o projeto: algumas medidas que exigirão mais transparência e responsabilidades nos gastos. Há várias contrapartidas importantes na lei para os clubes que aderiram e será interessante ver se os clubes irão cumprir, como o governo irá fiscalizar e, com a lei sendo cumprida, como os clubes irão se adequar a essa nova realidade.

Segundo a Agência Brasil, 111 clubes aderiram ao Profut até o prazo dado pelo governo, dia 30 de novembro. De acordo com a Receita Federal, esse total de clubes tem uma dívida somada de R$ 3,83 bilhões com o Fisco e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Para permanecerem no programa e manter suas dívidas com o novo financiamento, os clubes precisam ficar em dia não só com as parcelas do próprio refinanciamento, mas também com suas obrigações trabalhistas e fiscais. A falta de pagamento de três parcelas implica exclusão do clube devedor do programa.

Nenhum clube foi obrigado a aderir ao Profut, mas os que aderiram se sujeitam a cumprir as muitas determinações, que inclusive podem resultar em rebaixamento em caso de não cumprimento. Se funcionar, a medida poderá ser um grande avanço no futebol brasileiro e no modo de gestão dos clubes, obrigados a serem responsáveis por conta de suas imensas dívidas. Mas também será um teste para o governo e sua capacidade de fiscalização, já que sabemos que os dirigentes não são lá muito confiáveis.

Eleições na Fifa e investigações do FBI
Loretta Lynch, procuradora-geral dos EUA (Foto: AP)
Loretta Lynch, procuradora-geral dos EUA (Foto: AP)

Dia 26 de fevereiro teremos eleições na Fifa. Um novo presidente será escolhido para presidir a entidade, depois de 17 anos sob as ordens de Joseph Blatter. Será um novo momento para a Fifa, que pode ter até debate presidencial na ESPN americana, segundo noticiado pela própria emissora, que convidou os cinco candidatos. Pode ser o começo de uma grande mudança, ao menos para os mais otimistas.

Tudo isso por causa de algo que também vale a pena acompanhar em 2016: o desenvolvimento das investigações do que o FBI chamou de Copa do Mundo da Fraude, com dezenas de pessoas, entre dirigentes e executivos de marketing, indiciados por corrupção relativas ao futebol, especialmente na compra e venda de direitos de transmissão de torneios.

A Procuradoria-Geral dos Estados Unidos, sob a batuta de Loretta Lynch, conseguiu causar um furacão na entidade que dirige o futebol mundial e já avisou, mais de uma vez, que ainda tem muita coisa por vir. A justiça suíça também investiga a forma como as sedes das Copas de 2018 e 2022 foram escolhidas, o que pode levara mais consequências. Esta é uma história que certamente terá novos capítulos em 2016. E estamos ansiosos por eles.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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