Inglaterra

Premier League recusa pedido para clubes usarem uniforme reserva como mandantes em ação de caridade para moradores de rua

A ideia era utilizar uniformes reservas para arrecadar dinheiro e conscientizar sobre o problema dos sem tetos, exacerbado pela pandemia

O pedido era simples: permitir que os clubes que serão mandantes no Boxing Day, dia especial de jogos no futebol inglês logo depois do Natal, pudessem usar seus uniformes reservas em casa em uma ação em benefício de uma instituição de caridade que ajuda moradores de rua. Facil, né? Mas não adiantou. À Premier League, as regras são mais importantes.

A campanha está sendo organizada pela instituição Shelter (abrigo, em inglês). A ideia era que clubes e torcedores não usassem o uniforme principal – que no futebol inglês é sempre relacionado aos jogos como mandantes -, mas sim as segundas ou terceiras camisas, “para expressar apoio às pessoas que não têm um lugar seguro para morar”.

Segundo a Sky Sports, as camisas principais não utilizadas seriam autografadas pelos jogadores e leiloadas para arrecadar dinheiro. Liverpool, Tottenham, Manchester City, Wolverhampton, West Ham, Norwich, Burnley, Aston Villa e Brighton serão mandantes na rodada da Premier League em 26 de dezembro. O Newcastle recebe o Manchester United no dia seguinte. Muitos clubes seriam a favor da campanha, segundo a imprensa inglesa, e fizeram o pedido à Premier League.

“A Premier League recebe vários pedidos de instituições de caridade todas as temporadas, mas não somos capazes de apoiar todas de uma maneira central. Os clubes têm o direito de apoiar causas, e nós os encorajamos a fazer isso, desde que de acordo com as regras da Premier League”, afirmou um porta-voz da liga à Sky.

Diretor de campanhas da Shelter, Osama Bhutta deu mais detalhes sobre a campanha, que poderá seguir em frente na Football League, responsável pela segunda, terceira e quarta divisões do futebol inglês.

“Acreditamos que casa significa tudo. Queremos usar o poder positivo do futebol durante o Natal, e nossas conexões com ‘casa’, para conscientizar sobre pessoas sem teto e o que podemos fazer para lutar contra isso. Desde o começo da pandemia, mais de 180.000 famílias perderam suas casas e estão desabrigadas – muitas delas com crianças escondidas em abrigos temporários. É por isso que estamos falando com pessoas da comunidade do futebol para lançar a campanha #NoHomeKit”, afirmou.

“A #NoHomeKit é uma simples campanha no Boxing Day na qual os clubes e torcedores trocariam as cores dos uniformes de mandantes pelos reservas. Isso demonstraria de maneira poderosa o apoio a todos que não têm um lugar seguro para morar. Queremos que o máximo de times, jogadores e torcedores possíveis se juntem à campanha e trabalhem conosco para ajudar quem enfrenta a dura realidade de ser sem-teto durante este inverno”, acrescentou.

“Imagine recusar um pedido para levantar dinheiro o consciência para os sem teto”, escreveu Gary Neville no Twitter. “Um recuo ao estilo Boris Johnson está a caminho se os clubes pressionarem”, acrescentou, em referência aos recuos do governo do político conservador em programas de voucher de alimentação para crianças após campanhas orquestradas por Marcus Rashford.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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