Da Premier League à Liga Saudita: Jhon Durán será um super astro sem fazer seu nome na Europa?
O colombiano de 21 anos surpreendeu ao ser transferido para o Al-Nassr na janela do meio de temporada
Numa confissão clara de que deveria ter reforçado o elenco antes da temporada, o Manchester City gastou muito nessa janela de transferências, com jogadores jovens que parecem fazer parte de um projeto de longo prazo.
No curto prazo, porém, há uma ideia geral que o “vencedor” da janela foi Aston Villa, que segurou Ollie Watkins e pegou por empréstimo o Marcus Rashford e Marco Asensio.
Mas perdeu o Jhon Durán — e isso aí pode ter grande significância.
O atacante colombiano acabou de completar 21 anos. Não era sempre titular no time de Villa — na maioria dos jogos, a presença de Watkins colocava Durán no banco. Mas entrava gerando grande impacto, com um talento extraordinário.
Não trata-se de nenhum exagero declarar que Jhon Durán é um projeto de super estrela. E agora a Premier League o perdeu. Ampliando, o futebol europeu o perdeu, pois agora defende Al-Nassr da Arábia Saudita.

Verdade, o Villa se encontrou pressionado pelas exigências de fair play financeiro. Também fica claro que Durán não é de fácil trato. Chama atenção a maneira que a seleção colombiana está tendo cuidado para desenvolvê-lo lentamente — no ano passado, na Copa América, só entrou em campo uma vez, do banco numa partida de pouca importância.
A sua habilidade, a sua capacidade de fazer o inesperado, parece que vem de uma personalidade nem sempre fácil de conciliar com um esporte coletivo. O Villa, então, se despediu de um grande jogador — mas também se livrou de uma possível dor de cabeça constante.
Jhon Durán vai se tornar um super astro? Só tempo dirá
Saindo das particularidades de uma transferência, tem um ponto mais geral para frisar — ou mais precisamente, uma pergunta. O Durán agora tem a possibilidade de se transformar numa grande estrela mesmo jogando fora da Europa?
Numa visão geopolítica, não é difícil enxergar que o continente da Europa está ficando cada vez menos importante. O futebol é uma exceção. O planeta para para assistir futebol europeu, que consegue acumular todas as estrelas no auge de suas carreiras.
Isso pode mudar? Talvez. Se o Mundial de Clubes for um sucesso, vai ter um novo trampolim para atingir grandeza, sem ir para o futebol europeu.
Neste momento é uma incógnita. Sabe-se que vai haver um Mundial de Clubes este ano. Mas e daqui quatro anos? Cedo demais para saber.
Por enquanto, o projeto parece depender da participação dos clubes europeus — daí o bullying que a Fifa está praticando para garantir que eles venham com a força máxima.
Mas não precisa ser assim para sempre. O processo é dinâmico. A seleção brasileira, por exemplo, não era a grande atração do futebol mundial antes da Copa de 58. Depois da Copa do México, somente 12 anos mais tarde, história diferente…
John Durán’s first words as an AlNassr player: ‘I’m here to give everything I have on the pitch.’ 💛
Catch the full exclusive interview now on Nassr TV 📺: https://t.co/Yrm1uLf3Pp pic.twitter.com/x5wy0w7oDz
— AlNassr FC (@AlNassrFC_EN) February 2, 2025
O Al-Nassr de Jhon Durán não faz parte desse primeiro Mundial de Clubes. Daqui quatro anos pode ser diferente — e fica claro que Al-Nassr tem recursos para segurá-lo por esses quatro anos. Pode ser o grande nome do Mundial de Clubes de 2029. O ponto de inflexão vai ser isso: quando um jogador é capaz de virar um verdadeiro super astro sem ter que fazer o seu nome na Europa.
Era assim antes da globalização (que quer dizer, domínio europeu) nas décadas de 1980 e 1990. E, um dia, vai ser assim de novo — talvez com Jhon Durán liderando o ataque.



