Inglaterra

Por que o sobe-desce na Premier League mudou tanto nos últimos anos

Mecanismos do futebol inglês favorecem clubes recém-rebaixados na disputa da Championship

Lanterna da Premier League, o Wolverhampton passa por uma temporada lamentável com apenas uma vitória até a 22ª rodada e a equipe caminha para o rebaixamento. Mas por que, apesar disso, já há uma “esperança” de que o clube esteja de volta à elite em apenas um ano?

Isso se deve, especialmente, aos mecanismos financeiros que foram criados pela Premier League ao longo dos últimos anos e que criam um “bloqueio artificial” para o acesso da Championship à elite do futebol inglês. Clubes recém-rebaixados têm, estatisticamente, mais chances de retornar à primeira divisão do que os demais.

Arias se destacou no duelo com o United pela Premier League (Foto: Imago)

Isso se deve aos “pagamentos paraquedas” que clubes recém-rebaixados da Premier League recebem no período em que estiverem na Championship — válido por até três temporadas. O conceito foi introduzido pela primeira vez na temporada 2006/07 e, posteriormente, reformulado em 2016/17.

Na prática, esse mecanismo oferece um bônus financeiro, muito acima do que os clubes da segunda divisão têm em seu orçamento, para a disputa da temporada seguinte à queda da Premier League. O pagamento leva em consideração as receitas dos direitos de transmissão e decresce ao longo das temporadas.

No primeiro ano após a queda, os clubes rebaixados recebem 55% do montante que as demais equipes da Premier League receberiam. Esta parcela é reduzida para 45% no segundo ano e 20% ano no terceiro ano disputando a Championship. Caso o clube suba em apenas uma temporada, apenas a terceira parcela não será repassada.

‘Pagamento trampolim’ na Premier League

Fulham x Chelsea pela Premier League (Foto: Imago)
Fulham x Chelsea pela Premier League (Foto: Imago)

Em agosto de 2025, a “BBC” destacou o mecanismo como um possível “pagamento trampolim”. Em vez de suavizar a queda das equipes da Premier League à segunda divisão, o mecanismo cria uma disparidade financeira entre os demais clubes.

Ipswich Town, Leicester e Southampton foram rebaixados na última temporada e receberam os repasses da Premier League referente aos direitos de transmissão. Desde 2020/21, ao menos um time rebaixado da primeira divisão inglesa subiu na temporada seguinte.

A tendência é que o Ipswich Town, vice-colocado da Championship, mantenha a escrita e suba à Premier League para a próxima temporada. Em 2024, clubes recém-rebaixados receberam cerca de 90 milhões de libras (R$ 640 milhões), enquanto as demais equipes da segunda divisão arrecadaram 27 milhões de libras (R$ 192 milhões) em média.

Essa disparidade não garante o acesso. Tanto que Leicester e Southampton, na parte inferior da tabela, devem permanecer na Championship na próxima temporada. Mas permite que mais investimentos sejam feitos ao longo do ano, como contratações por exemplo.

Clubes que subiram para a Premier League após uma temporada na Championship

  • 24/25: Burnley
  • 23/24: Leicester
  • 22/23: Burnley
  • 21/22: Fulham
  • 20/21: Norwich

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Mecanismo pode ser revisto

Nuno Espírito Santo no jogo entre West Ham e Wolves
Nuno Espírito Santo no jogo entre West Ham e Wolves. Foto: Imago

Clubes da Championship que não estão sujeitos ao mecanismo de paraquedas recebem repasses de “solidariedade” da Premier League, que são inferiores àqueles que Ipswich, Leicester e Southampton receberam nesta temporada. Essa realidade incomoda a English Football League (EFL), responsável pelas divisões inferiores do futebol inglês.

Em 2023, Rick Parry, presidente da EFL, afirmou que essa disparidade financeira era uma preocupação da Championship. Esses pagamentos paraquedas, na visão da Premier League, tornam as equipes mais “competitivas” assim que subirem à primeira divisão, além de incentivar os investimentos dos mandatários.

O Órgão Regulador Independente do Futebol da Inglaterra (IFR, na sigla inglês), anunciou nesta semana que esses mecanismos financeiros serão analisados no próximo relatório do futebol inglês — e que promete ser algo inédito no cenário.

— O jogo nunca foi analisado desta forma antes. Pela primeira vez, vamos lançar luz sobre as pressões financeiras, as lacunas de governança e os riscos estruturais que a pirâmide do futebol enfrenta — afirmou David Kogan, presidente do IFR.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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