Premier League muda campanha em apoio à comunidade LBGT após polêmicas
Nenhum atleta será obrigado a utilizar braçadeira ou outros materiais nas cores do arco-íris. Campanha passará a ser nos estádios
A Premier League lançará em fevereiro a sua nova campanha de inclusão LGBTQIA+. Chamada “With Pride” (Com Orgulho, em português), ela substituirá a parceria de 12 anos com a Rainbow Laces, da Stonewall. A mudança principal é reduzir a exigência de participação individual dos atletas. Recentemente houve controvérsias que envolveu jogadores que se recusaram a participar da campanha alegando motivos religiosos.
A partir de agora, os capitães não serão mais obrigados a usar braçadeiras com as cores do arco-íris. Os demais jogadores também não precisarão utilizar cadarços ou camisetas temáticas. A Premier League manterá a visibilidade a causa através de meios coletivos, como painéis de LED, telões, bases das bolas e ações dentro dos estádios. Uma bola oficial com a temática LGBTQIA+ também é uma opção futura da liga, segundo o “The Athletic”.
A campanha ocorrerá entre 6 e 13 de fevereiro, em uma rodada dupla da Premier League. Com isso, é garantido que cada clube tenha uma partida como mandante, facilitando as ações locais com os torcedores de cada equipe.
— Estamos nos afastando de uma era de ouro de visibilidade. A esperança é que ainda haja treinadores ou jogadores que acreditem na causa, ou que tenham familiares que se identifiquem com os desafios, e que desejem manifestar seu apoio publicamente — disse uma fonte ligada a campanha ao “The Athletic”
A mudança da Stonewall para a With Pride acontece devido a um desejo da Premier League em internalizar suas ações sociais. Além disso, houve críticas ao projeto anterior nos últimos anos, afirmando uma redução no impacto da campanha. Mesmo assim, a Stonewall afirmou que seu trabalho continua essencial.
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— A Rainbow Laces ajudou a melhorar a inclusão, a aceitação e a participação LGBTQIA+ no esporte em todos os níveis, seja como jogador, participante ou torcedor. Embora tenha contribuído significativamente para essa mudança, ainda há muito a ser feito. A história da Stonewall de convocação, colaboração e liderança nos permitiu criar mudanças legais e culturais duradouras ao longo dos últimos 35 anos — disse comunicado da Stonewall.
— Atualmente, o cenário de incerteza econômica está impactando organizações beneficentes em todos os setores, com muitas instituições de caridade nacionais tendo que fazer cortes de pessoal. O contexto em que atuamos mudou drasticamente nos últimos anos, com o movimento LGBTQ+ passando por um período de grande turbulência, incluindo uma reação negativa aos direitos e liberdades. Há reduções significativas no financiamento para o movimento — completou.
O lançamento da campanha em fevereiro terá uma sessão de fotos com um torcedor LGBTQIA+ de cada clube da Premier League, que será publicada na edição britânica da revista “Gay Times”. Além disso, um artista queer criará obras de arte temáticas para cada equipe.
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Controvérsias marcam campanhas nas últimas temporadas
Na última temporada, o ex-capitão do Crystal Palace Marc Guehi, hoje no Manchester City, escreveu uma mensagem religiosa em sua braçadeira com as cores do arco-íris. Na época, a Federação Inglesa de Futebol precisou lembrar o zagueiro das regras da entidade, que não permitem slogans ou declarações religiosas nos equipamentos.
Além dele, o capitão do Ipswich Town, Sam Morsy, que é muçulmano, também demonstrou sua insatisfação com a braçadeira nas cores do arco-íris na última temporada, citando suas crenças religiosas.
Jogadores do Manchester United também abandonaram os planos do clube em usar uma jaqueta em apoio à comunidade LGBTQIA+ antes da partida da Premier League contra o Everton. Na ocasião, o zagueiro Noussair Mazraoui se recusou a participar da iniciativa, e o elenco decidiu que nenhum jogador usaria o vestuário para que o atleta não fosse o único a se recusar.
Segundo o “The Athletic”, um atleta também teria reclamado após ter sido colocado na capa de divulgação do jogo durante o período de campanha da Rainbow Laces. O clube afirmou que não foi um ato intencional, mas o atleta ficou preocupado com a possibilidade de ser chamado de homossexual.