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Potter falou sobre a pressão de peito aberto: “A vida em família sofre, sua saúde mental sofre”

O técnico do Chelsea, em péssimo momento esportivo, chegou a receber mensagens mencionando a morte dos seus filhos

O técnico do Chelsea, Graham Potter, afirmou nesta sexta-feira que entende críticas e reclamações dos torcedores por causa do mau momento da sua equipe, o que não significa que não esteja passando por um período difícil, mas também revelou que elas passaram do limite, com menções à morte dos seus filhos, e apontou o dedo, com justiça, à responsabilidade que os jornalistas têm em começar a plantar a pressão até a hora em que ela realmente se concretiza.

Foi uma entrevista coletiva de peito aberto do treinador inglês que recebeu a grande chance da sua carreira no começo de setembro, após a demissão de Thomas Tuchel, e está precisando lidar com vários desafios. Contou que alguns jogadores importantes do elenco reclamaram da qualidade da pré-temporada, ainda com o antecessor. Houve a pausa para a Copa do Mundo e uma infinidade de novos reforços que aumentaram a exigência e precisam ser integrados.

Diante de tudo isso, ainda reconheceu que é justo que os torcedores fiquem chateados e façam cobranças depois de uma derrota como a do último fim de semana, em casa para o lanterna Southampton, e disse que não tem muito o que fazer além de começar a ganhar jogos de futebol – começando pelo Tottenham no próximo domingo, de preferência.

“Você (jornalista) fez a pergunta, mas não acho que alguém está realmente incomodado. Eu sou o técnico do Chelsea e me perguntam há quatro meses. A pressão é uma via de duas mãos, não é? Eu estou sob pressão há quatro meses. Quatro meses atrás, eu estava pressionado? Não sei. Mas obviamente, agora, quando os resultados são o que são, você aceita. É fascinante ver o processo se desenvolvendo. Eu sento aqui há quatro meses e respondo perguntas sobre pressão, tempo, se falei com o dono, a mesma pergunta toda semana”, disse.

“Se você vai trabalhar e alguém o xinga, não será gostoso. Se você é mencionado como a pior pessoa da história do clube. Todo mundo se importa com o que as pessoas acham. Somos programados para sermos socialmente conectados. Eu quero ter sucesso aqui. Existe esse absurdo de que eu não me importo. Minha resposta seria: qual sua evidência disso? Não que eu deixarei vocês fazerem isso, mas se você perguntar à minha família sobre como minha vida tem sido para mim e para eles… não está sendo agradável. Eu entendo”.

“Os torcedores vão para casa e estão chateados porque o time não está vencendo, mas eu garanto que minha vida nos últimos três ou quatro meses têm sido bem na média, fora o fato de que estou muito grato por esta experiência. O mundo é difícil para todo mundo. Estamos passando por uma crise de energia, uma crise de custo de vida. Ninguém quer ouvir sobre o pobre técnico da Premier League. De qualquer maneira, se você me perguntar se está difícil, por mais que tenha recebido apoio, eu recebi alguns e-mails que querem que eu morra e que meus filhos morram. Isso obviamente não é agradável”.

“Mas se você me pergunta por quatro meses. Há quatro meses estou sob pressão, sob pressão, sob pressão, porque vocês precisam vender as coisas, o que vocês esperam que aconteça no fim? E se não conseguirmos os resultados, é obviamente o que acontece. Futebol é assim. Você sabe que existe um problema quando o e-mail foi enviado para você do endereço [email protected]”, completou.

Os resultados do Chelsea são péssimos. Apenas duas vitórias nas últimas 14 partidas oficiais por todas as competições e a janela para começar uma reação que termine com vaga na Champions League está se fechando. Potter reconhece que a situação atrai cobranças justificáveis, mas isso não significa que seja fácil lidar com elas.

“Eu acho que é apenas parte da vida no Chelsea. Você tem que aceitar a crítica quando os resultados são o que eles são. Acho que o clima aqui sempre foi relativamente positivo e respeitoso, mas a vida em família sofre, sua saúde mental sofre, sua personalidade. Vocês (jornalistas) não se importam, é como é. Os torcedores estão naturalmente chateados porque perdemos em casa para o Southampton. E os torcedores se importam. Quando eles estão chateados, expressam seus sentimentos. Seria inocente achar que essa não é uma resposta justa”, afirmou.

“Recebi muito apoio dos torcedores também. Embora todos concordaríamos que não estamos felizes com a situação atual, e com a posição atual, há muitas pessoas que reconhecem o que aconteceu e quais têm sido os desafios para nós. Enquanto isso, eu sei que não posso fazer nada agora, que não há nada que eu possa dizer que vai fazer com que os torcedores, se estiveram contra nós, estarem conosco. A solução é ganhar quatro jogos”, encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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