Inglaterra

Por que grupo liderado por dono do Brighton pode apostar em jogos da Premier League?

Ação judicial que envolve empresa de Tony Bloom ganha repercussão por mencionar apostas no Campeonato Inglês, e mandatário não poderia se envolver neste caso

Tony Bloom, proprietário do Brighton, figurou em manchetes na Inglaterra durante a semana por supostamente liderar um grupo que aposta em jogos da Premier League. A atitude iria contra as normas da Federação Inglesa (FA), que determina que donos de clubes não podem apostar em competições que envolvam seus times.

No entanto, isso não se aplica pessoalmente a Bloom, conforme informou o “The Athletic”, o que deixou uma potencial brecha a ser explorada. Com um ajuste aqui e outro ali, a organização pode apostar em partidas do Campeonato Inglês.

Como Bloom, dono do Brighton, pode apostar legalmente no futebol?

Como o Brighton só disputa a Premier League em 2025/26, o Campeonato Inglês é a única zona restrita para apostas de Tony Bloom.

Isso significa que ele pode se envolver em apostas em LaLiga ou na Champions League, por exemplo. Se os Seagulls se classificarem para algum torneio continental, esse passará a ser restrito também.

Segundo o “The Athletic”, as apostas são auditadas por uma empresa do Reino Unido para garantir conformidade com as regras e “não há qualquer indício” de que o presidente do clube infringiu normas da FA.

Tony Bloom, dono do Brighton, durante entrevista coletiva
Tony Bloom, dono do Brighton, durante entrevista coletiva (Foto: Imago)

O ramo é a zona de conforto de Bloom. Ele fez fortuna — literalmente, com riqueza estimada em 1,3 bilhões de libras (R$ 9,2 bilhões) — por meio da categoria ao fundar algumas casas de apostas nos anos 2000 e lançar a empresa de análise de dados Starlizard em 2006.

— Ao desenvolver modelos estatísticos complexos que analisam jogos, a empresa de Bloom provou ser mais precisa nas probabilidades de jogos do que as casas de apostas típicas, permitindo a ele explorar legalmente as inconsistências do mercado e gerar lucros — destaca o “The Athletic” em artigo.

A companhia não se limita a vender essas informações, de acordo com o jornal. Há também gerenciamento de apostas para “grupo formado por indivíduos anônimos de alto patrimônio líquido”.

A publicação teve acesso a uma ação judicial que corre no Tribunal Superior de Londres em que Ryan Dudfield, definido como “ex-associado” de Bloom, teria direito a 17,5 milhões de dólares (R$ 93,4 milhões) referentes a apostas que usam contas de “jogadores de futebol, esportistas e gestores famosos” para apostar.

Ele seria o responsável por fazer apostas a essas pessoas anônimas.

Dudfield afirmou não reconhecer os integrantes deste grupo, porém, se referiu a Bloom como “chefe” dele. O mandatário do Brighton também seria o único nome nas contas em que se recebem e distribuem os ganhos.

Por falar nisso, estima-se que os ganhos anuais estejam em torno de 600 milhões de libras (R$ 4,2 bilhões).

— O grupo de Bloom supostamente usava esses indivíduos para fazer suas apostas se aproveitando legalmente dos altos limites oferecidos pelas casas de apostas. O apostador era reembolsado por perdas e também recebia uma parte dos ganhos — destacou o jornal.

Dudfield afirmou que as apostas eram majoritariamente em jogos de futebol, e fontes com conhecimentos das operações da Starlizard indicaram que a Premier League é a liga mais comum.

É provável que Bloom retire sua participação do grupo quando se trata de Premier League. Também não há evidências de que as apostas teriam sido feitas em jogos do Brighton, conforme apurou a publicação.

Bandeira com a logo da Premier League
Bandeira com a logo da Premier League (Foto: Imago)

Em relação à matéria do “Guardian”, que reportou que Bloom era questionado nos Estados Unidos por ser supostamente um “apostador anônimo” conhecido como “John Doe” e teria tido ganhos superiores a 70 milhões de dólares (R$ 373,7 milhões) inclusive com apostas em seus próprios times, o executivo foi enfático em negar.

Ele afirmou em nota publicada no site do Brighton que a reportagem é “imprecisa e enganosa”.

— Posso assegurar categoricamente aos nossos torcedores que não fiz apostas em nenhuma partida do Brighton & Hove Albion desde que me tornei proprietário do clube, em 2009.

Além do Brighton, o inglês tem participação no Union Saint-Gilloise, da Bélgica, do Hearts, da Escócia, e do Melbourne Victory, da Austrália. Ele também negou apostar em jogos desses times.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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