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Por justiça: Supremo reabre inquérito sobre Hillsborough

Vinte e dois anos depois, a história das 96 vítimas do Desastre de Hillsborough será mais uma vez revisitada pelas autoridades britânicas. O Supremo Tribunal anulou os vereditos originais, anunciando uma nova investigação sobre o caso. O novo inquérito policial irá se concentrar especificamente nas mortes, averiguando a conduta dos policiais e de outras autoridades na sequência da tragédia.

A investigação acontece três meses depois que um novo relatório, produzido pelo Painel Independente de Hillsborough, estabeleceu que 58 vítimas poderiam ter sido salvas. O documento apontou as falhas das autoridades na condução do caso e negou que as mortes teriam sido causadas pelo comportamento violento dos torcedores, como havia declarado o relatório inicial.

O chefe do Supremo, que determinou a reabertura do caso, falou sobre a urgência das apurações: “O surgimento de novas evidências tornou um novo inquérito inevitável. Angustiante ou intragável, a verdade precisa ser trazida à luz. Desta forma, as famílias das vítimas do desastre serão respeitadas. Nosso desejo é que o novo inquérito não seja adiado”.

A tragédia aconteceu em abril de 1989, durante a semifinal da FA Cup entre Liverpool e Sheffield Wednesday, ocorrida no estádio de Hillsborough. Por conta da superlotação do local, a maioria das pessoas morreu esmagada nos alambrados ou pisoteada. Em consequência, foi elaborado o Relatório Taylor, que determinou novas regras de segurança nos estádios ingleses e escoceses.

Líder do inquérito, Jon Stoddart manifestou seu comprometimento com as famílias: “Estou ciente do significado e da responsabilidade pessoal ao liderar essa investigação criminal. Minha prioridade é conhecer o máximo de famílias e estabelecer uma relação com eles durante os trabalhos. Meu papel é assegurar que determinaremos exatamente o que aconteceu e dizer aonde as culpas se encontram”.

A decisão também foi bem recebida pelo Grupo de Apoio às Famílias de Hillsborough. Mais de quarenta famílias viajaram de Liverpool a Londres para assistir à audiência desta quarta-feira. Segundo o presidente da associação, Trevor Hicks, parabenizou a decisão: “A justiça está em seu caminho. Tudo o que dissemos está sendo provado como correto”.

Em setembro, quando o relatório do Painel Independente de Hillsborough listou os erros do inquérito original, o primeiro ministro David Cameron chegou a pedir desculpas em nome do governo britânico: “Foi uma dupla injustiça, considerando a falha do Estado em proteger os parentes e os esforços para sugerir que os mortos causaram a tragédia”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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