Inglaterra

Paquetá e dois brasileiros em baixa: Os planos do West Ham na janela de transferências

Em crise dentro e fora de campo, clube londrino precisa agir no mercado para se livrar da queda, mas erros antigos pesam contra

A derrota do West Ham por 3 a 0 para o Manchester City foi apenas mais um capítulo de uma temporada que caminha perigosamente para o desastre. Segundo o jornal inglês “Telegraph”, nos bastidores, o clima após o jogo foi de tensão e acusações cruzadas.

Houve mensagens circulando entre dirigentes e pessoas próximas ao clube questionando a qualidade do elenco e a falta de clareza sobre o plano para a janela de transferências de janeiro.

Há também críticas internas à condução de Nuno Espírito Santo. Parte da cúpula entende que o treinador ainda não foi assertivo ao definir prioridades no mercado, enquanto o outro lado argumenta que Nuno assumiu sabendo que herdava um elenco envelhecido e mal equilibrado — e que deveria ter extraído mais.

E os números reforçam o alerta: Após 17 rodadas, o clube soma 13 pontos — menos do que tinha na temporada 2010/11, quando acabou rebaixado. E o mercado, agora, deve ser de salvação.

O papel de Paquetá no mercado do West Ham

O temor de um “rebaixamento sonâmbulo” voltou a ganhar força entre os torcedores. O Conselho Consultivo de Torcedores do West Ham, que representa cerca de 25 mil pessoas, reafirmou recentemente seu voto de desconfiança contra a liderança do clube, citando crise esportiva, instabilidade técnica e perspectivas financeiras preocupantes. As comparações com 2003, quando o clube caiu acreditando ser “bom demais para cair”, tornaram-se frequentes.

O grande problema agora é até onde o West Ham conseguirá ir no mercado. O clube opera no limite das regras de lucratividade e sustentabilidade da Premier League, o que pode obrigar vendas ou empréstimos antes de novas chegadas. A diretoria garante que dinheiro será encontrado, porque o rebaixamento é considerado impensável.

Paquetá em jogo contra o City
Paquetá em jogo contra o City (Foto: Imago)

Lucas Paquetá surge como o ativo mais valioso, mas Nuno não quer perder o brasileiro, a quem considera o melhor jogador do elenco. Internamente, há também a percepção de que Paquetá “deve” uma temporada estável ao clube após o impacto do caso de apostas — do qual acabou absolvido, mas que afetou seu rendimento.

Paquetá tem 16 jogos na atual temporada e quatro gols marcados até o momento. Apesar de lento, é um início mais promissor do que na última campanha, em que marcou apenas cinco vezes e não deu nenhuma assistência em 36 jogos.

Outro ponto de atenção é o possível envolvimento de Jorge Mendes, empresário próximo a Nuno, e o grau de influência que o copresidente David Sullivan terá nas negociações.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Alvos incertos e velhos problemas que insistem em voltar

No ataque, o West Ham volta ao mercado em busca de um centroavante — uma necessidade quase crônica. Desde 2010, o clube já contratou mais de 50 atacantes e gastou mais de 300 milhões de libras sem encontrar uma solução duradoura.

Jorgen Strand Larsen, do Wolves, agrada a Nuno, mas o custo elevado e a concorrência do Crystal Palace tornam o negócio improvável. Ellis Simms, do Coventry, é visto como alternativa, embora seja difícil tirá-lo da Championship.

As falhas recentes reforçam o diagnóstico de contratações pouco criteriosas. O meio-campo carece de vigor físico, e a aposta em Niclas Füllkrug, agora emprestado ao Milan para aliviar a folha, simboliza um planejamento desconectado das exigências da Premier League.

A defesa também preocupa. O West Ham passou ileso em apenas uma partida na temporada, e um zagueiro central virou prioridade. Nuno não confia plenamente em Igor Julio, enquanto Jean-Clair Todibo e Max Kilman, contratados por valores altos, ainda não entregaram segurança.

No radar, aparece também Adama Traoré, do Fulham, em possível operação envolvendo o empréstimo de Luis Guilherme, outra contratação cara que não engrenou. Em novembro, a Trivela apurou que o jovem brasileiro poderia deixar o clube em janeiro para buscar minutos e que há interessados no ex-Palmeiras.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo