Özil vive seu melhor momento no Arsenal, e ninguém tem sido mais criativo nas grandes ligas

O Arsenal esteve longe de conquistar o resultado desejado em Carrow Road neste domingo. Podendo igualar a pontuação dos líderes, os Gunners não passaram de um empate por 1 a 1 com o Norwich. E o prejuízo acabou sendo maior do que os dois pontos desperdiçados, já que Alexis Sánchez e Laurent Koscielny precisaram deixar o jogo, contundidos. A dupla, fundamental na equipe de Arsène Wenger, se soma a uma longa lista do departamento médico – nove jogadores no total, entre eles Coquelin, Wilshere, Arteta e Welbeck. Para um time que tem feito bons jogos na Premier League e aparece como potencial candidato ao título em uma disputa aberta, as ausências são um golpe e tanto.
No entanto, nem só de lamentações viveu o Arsenal neste domingo. Outra vez, a torcida londrina pôde presenciar uma grande atuação de Mesut Özil. Formando dupla implacável com Alexis Sánchez, o camisa 11 recebeu passe do chileno para anotar o gol da equipe, dando toque cheio de categoria para encobrir o goleiro Ruddy. Além disso, chamou a responsabilidade na tentativa de decidir a partida, criando e finalizando, mas seu esforço acabou não sendo o suficiente. Ainda mais depois que Lewis Grabban aproveitou o cochilo da zaga para empatar aos Canários no final do primeiro tempo.
Özil vive, com sobras, o seu melhor momento desde que chegou ao Arsenal. As atuações exuberantes ficam evidentes em detalhes das partidas dos Gunners, pela maneira como o meia tem conduzido a criação de jogo com habilidade e categoria. No entanto, a maestria de Özil também tem se refletido também de maneira decisiva nos placares. Desde outubro, o alemão participou diretamente de 12 gols (balançando as redes ou dando a assistência) em 10 partidas do clube. Passou em branco apenas na goleada do Bayern por 5 a 1, uma das únicas duas derrotas sofridas pelos londrinos no período.
Se o Arsenal permanece nas cabeças da Premier League, a contribuição de Özil é fundamental. Com dois gols e 11 assistências, é o terceiro jogador que mais se envolveu em gols no torneio, atrás apenas de James Vardy e Romelu Lukaku. Além disso, ele é o maior garçom das cinco grandes ligas europeias. São quatro assistências a mais do que Douglas Costa e Raffael, logo atrás na lista. Com apenas 13 aparições, o camisa 11 já seria o segundo jogador que mais deu assistências na Premier League 2014/15, atrás apenas das 18 de Cesc Fàbregas.
Comparando com seu próprio histórico, Özil já faz a sua temporada mais efetiva pelo Arsenal. Somadas suas duas participações anteriores na Premier League, o meia não passou de 14 assistências – sobre o qual se pesa a grave lesão no joelho que o tirou quatro meses em 2014/15. E, desde já, pode superar as suas melhores marcas no Real Madrid. Em um time que produzia muito mais gols do que os Gunners, o alemão chegou a dar 17 assistências no Campeonato Espanhol, mas disputando mais que o dobro de jogos do que em 2015/16. A média atual de 0,84 assistências por partida beira o absurdo, assim como os números na construção de jogo. O camisa 11 registra na Premier League a média de 4,5 passes para finalizações dos companheiros, a melhor marca das cinco grandes ligas e 36% maior que seu recorde por campeonatos nacionais até então – 3,3 pelo Real Madrid na Liga 2010/11.
Ninguém duvida do talento de Özil. Já são mais de cinco anos atuando em alto nível, craque de extenso repertório. Todavia, se cobra (com certa razão) um papel mais decisivo do maestro. A falta de regularidade costuma ser um problema para o alemão, assim como a maneira como se porta em jogos decisivos. Além disso, também pesam contra ele os diversos momentos em que o passador cerebral prefere dar a um colega a chance de finalizar, quando ele mesmo tinha as melhores condições para definir. Críticas que se repetiram algumas vezes desde que chegou ao Arsenal. Mas que não são válidas nestes primeiros quatro meses de temporada.
De certa maneira, dar a Özil o fardo de ser o grande protagonista do time não lhe cai bem. O meia, mais do que jogar sozinho, faz os companheiros jogarem. E depende de um encaixe coletivo para conseguir se sobressair, o que se vê atualmente em algumas partidas do Arsenal, em especial pelo apoio que recebe de Alexis Sánchez. A participação e a velocidade do chileno, preocupando os adversários, facilitam o trabalho de Özil. E, com espaço, poucos conseguem ser tão brilhantes quanto o alemão. Algo que tem se visto nas últimas semanas.



