‘Não me aposentei pelo corpo’: Owen admite vergonha em passagem no Manchester United
Ex-atacante revelou a Rio Ferdinand como as lesões mudaram sua carreira e afetaram seu psicológico
Ídolo precoce do futebol inglês, Michael Owen revelou em entrevista ao podcast “Rio Presents” que chegou a sentir vergonha de sua passagem pelo Manchester United.
Ao conversar com o ex-companheiro de clube Rio Ferdinand, o ex-atacante de 45 anos explicou como as sucessivas lesões o impediram de manter o nível dos tempos de Liverpool e Real Madrid, afetando não apenas seu desempenho em campo, mas também sua relação mental com o jogo.
Owen do auge precoce ao declínio físico
Owen surgiu no Liverpool com apenas 17 anos e rapidamente se firmou como uma das maiores promessas da Premier League, conquistando duas vezes a Chuteira de Ouro, prêmio concedido ao artilheiro máximo da Europa. Em 1998, brilhou na Copa do Mundo com um gol histórico contra a Argentina, consolidando-se como estrela internacional.
Três anos depois, foi peça-chave no triplete dos Reds (Copa da Inglaterra, Copa da Liga e Copa da Uefa), desempenho que o levou a conquistar a Bola de Ouro de 2001.
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Em 2004, transferiu-se para o Real Madrid, onde marcou 16 gols em 45 partidas. Mas sua carreira mudou após a ida ao Newcastle, em 2005. Lesões musculares recorrentes limitaram sua sequência em quatro temporadas no norte da Inglaterra e acabaram marcando o restante da carreira, incluindo as passagens pelo United e pelo Stoke City, até a aposentadoria em 2013.
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O tempo frustrante no Manchester United
Na conversa com Ferdinand, Owen admitiu que passou a dividir sua carreira em duas fases: antes e depois das lesões — e falou da mágoa interna com seu tempo.
“Eu amei estar no United, amava você e os caras. Mas eu não era eu. Eu sei o que eu era aos 18 anos e o que fui aos 30. Eu me sentia envergonhado. Entrava em estádios como Old Trafford e pensava: não quero que as pessoas se lembrem de mim assim. Ainda marcava, mas não era o que eu fui, e isso me matava por dentro”, desabafou.
PIC: Ex-#mufc players Paul Scholes and Michael Owen on the United bench. pic.twitter.com/LCttKEVNu6
— Manchester United (@ManUtd) August 16, 2014
Owen explicou que a mudança de estilo, de um atacante explosivo e decisivo para um jogador mais dependente do coletivo, afetou profundamente sua mentalidade.
“Eu não conseguia mais arrancar o coração de um time sozinho. Dependia dos outros para receber a bola e finalizar. Eu não me aposentei pelo corpo, mas porque minha mente estava explodindo”, acrescentou.
Apesar das frustrações pessoais, Owen teve momentos importantes no Manchester United, como a conquista da Premier League de 2010/11 e de uma Copa da Liga. No total, ele encerrou a carreira com 222 gols em 482 partidas por clubes e 40 gols em 89 jogos pela seleção inglesa.
Mesmo admitindo que seu fim de carreira não refletiu o auge vivido no Liverpool e na seleção, Owen segue reconhecido como um dos maiores talentos de sua geração — um craque que, sem as lesões, poderia ter escrito uma história ainda maior.