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Os melhores negócios da janela de inverno na Premier League

Não foi um mercado de inverno com transferências bombásticas ou de altos investimentos dos grandes clubes, mas a movimentação dos ingleses foi intensa nas últimas semanas. A Premier League gastou € 146,2 milhões, mais do que qualquer outra liga nacional europeia nesta janela – e, deste montante, € 94,3 milhões foram empregados em jogadores que estavam em outros países. Um crescimento de quase 70% em relação ao valor registrado em janeiro de 2012.

Se os primeiros colocados na tabela foram tímidos em seus negócios, o protagonismo ficou para aqueles que buscam ascensão. O Queens Park Rangers torrou os milhões do magnata Tony Fernandes para deixar a lanterna, enquanto Newcastle e Fulham apostaram em determinados nichos para melhorar suas posições. Nas próximas linhas, acompanhe uma análise da janela de janeiro, com os principais negócios firmados no período.

O clube que melhor contratou

Tímido nas contratações durante o início do mercado, o Newcastle teve que correr atrás do prejuízo diante da campanha ruim. Alan Pardew fez a rapa na Ligue 1, gastando € 22,2 milhões para reforçar todos os setores do campo. Na defesa, Debuchy namorava há tempos com os Magpies, enquanto Yanga-Mbiwa é opção bastante confiável para a rotação entre os zagueiros. Moussa Sissoko chegou impressionando com excelente atuação contra o Chelsea, combinando vigor físico e técnica – o volante da seleção francesa representa o melhor negócio da EPL, combinando qualidade e baixo custo (€ 3 milhões). E, no ataque, Gouffran atuará pelas pontas, com Papiss Cissé assumindo papel central.

Outro clube que merece menção honrosa é o Fulham, trazendo quatro jogadores sem gastar um tostão, com destaque a Emanuelson. E os Cottagers poderiam causar ainda mais impacto, não fossem as frustrações nos negócios com Stekelenburg e Gomis.

O clube que poderia ter feito mais

Pela situação que vive na tabela, seriamente ameaçado pelo rebaixamento, o Aston Villa fez muito pouco para tentar se salvar. Os Villans contrataram apenas dois jogadores, ambos apostas. Pagaram € 2,4 milhões em Yacouba Sylla, volante de 22 anos que ganhava destaque no Clermont, da Ligue 2. Além dele, acertaram o empréstimo de Simon Dawkins, meia do Tottenham que fez sucesso na MLS atuando pelo San Jose Earthquakes. Christian Benteke continuará tendo que carregar o time até as rodadas finais.

A principal contratação

A saída de Demba Ba do Newcastle era bastante óbvia. O jogador não escondia a vontade em buscar outro clube e a cláusula de rescisão de € 8,5 milhões não representava grande empecilho. O Chelsea acabou se antecipando aos concorrentes e sanou a principal carência de seu elenco, dando uma opção ao irregular Fernando Torres. O desempenho do senegalês não é tão devastador quanto nos Magpies, mas começou animando a torcida dos Blues, marcando três gols em cinco partidas como titular.

A maior pechincha

O Tottenham traria Lewis Holtby sem custos no início da próxima temporada, mas resolveu antecipar o negócio e pagar € 1,75 milhões ao Schalke 04. Ganha um meio-campista bastante promissor e que pode permitir variações táticas a André Villas-Boas. O jogador de 22 anos deve ser escalado na maioria das vezes como armador, mas também possui predicados para atuar em uma posição central no 4-4-2. Filho de inglês, o alemão já tinha manifestado o desejo em disputar a Premier League e os Spurs aproveitaram.

A contratação mais cara

Foram duas: Daniel Sturridge e Chris Samba, trazidos por € 15 milhões por Liverpool e QPR. Sturridge tem impressionado pelo desempenho inicial com os Reds, com quatro gols em seis jogos. O entrosamento com Luis Suárez é imediato, dando velocidade ao ataque e demonstrando qualidade nas finalizações – longe de lembrar o engodo nos tempos de Chelsea. Samba, por sua vez, é parte do projeto de Harry Redknapp para salvar o QPR, que também abriu a carteira para contratar o bom Loic Rémy para o ataque. É um bom zagueiro, sobretudo pela força física, mas o dinheiro gasto para repatriá-lo do Anzhi talvez tenha sido um pouco demais.

A venda mais cara

Os torcedores e os jornais sentirão falta da figura de Mario Balotelli, mas o Manchester City não fez mal ao se desfazer do atacante. O rendimento do italiano foi baixíssimo nesta temporada e suas polêmicas com Roberto Mancini já começavam a minar o elenco. Diante da proposta de € 20 milhões do Milan, era melhor vendê-lo. Sua motivação parece outra com os rossoneri: foram 34 finalizações e um gol em 15 jogos com os Citizens nesta EPL, pouco diante dos oito chutes e dois gols na estreia em San Siro.

A venda que fará mais falta

Por mais que o Queens Park Rangers tenha ido para o mercado com cheque em branco nas mãos, o clube deverá sentir a falta de Ryan Nelsen. O veterano não apresentava uma qualidade técnica excepcional, mas era regular e representava a principal liderança de Harry Redknapp em campo. O neozelandês segue para a Major League Soccer, onde iniciará a carreira de técnico no Toronto FC.

O maior vexame da janela

Peter Odemwingie acabou merecendo as chacotas pelo papelão que protagonizou no último dia de janelas. Mesmo após o West Brom negar a oferta do QPR, o meia-atacante foi até Loftus Road tentar forçar a negociação. Acabou barrado pelos seguranças, que não queriam alimentar uma relação ruim entre os clubes. Difícil deverá ser o ambiente para seguir com os Baggies. Mesmo sendo um jogador importante no elenco, não será surpreendente se o nigeriano for hostilizado pela torcida.

A principal surpresa

Se o fechamento da janela foi pouco pródigo em novidades, o West Ham tratou de espantar o mercado brasileiro na primeira semana de janeiro. Os Hammers já tinham Andy Carroll no elenco e haviam confirmado a chegada de Marouane Chamakh horas antes, mas resolveram apostar em Wellington Paulista. Trazido por empréstimo do Cruzeiro, o atacante ainda espera a primeira chance no time principal para mostrar que pode vingar na Premier League. Até aqui, atuou apenas com o time sub-21, marcando um dos gols na vitória sobre o Arsenal.

A principal aposta

O Southampton prima pela qualidade de seus olheiros e promete mais um sucesso com Vegard Forren. O zagueiro era um dos pilares do Molde, bicampeão norueguês, e atraia o interesse do Liverpool. Porém, o jogador de 24 anos foi comprado pelos Saints por € 4,75 e deve se tornar titular rapidamente. Mais um nome a se observar é o de Brek Shea. O meia de 22 anos vem de boas temporadas com o FC Dallas na MLS e assinou com o Stoke por € 3 milhões.

Fique de olho

Trazido no início da temporada pelo Manchester United, Angelo Henríquez não teve chances no time principal durante seus primeiros meses com os Red Devils. No entanto, o clube concordou em dar rodagem ao atacante de 18 anos na Premier League, liberando-o ao Wigan por empréstimo. Revelação da Universidad de Chile na Libertadores 2012, o garoto chegou impressionando Roberto Martínez, com um gol logo na estreia. Concilia faro de artilheiro com bastante mobilidade para sair da área.

Como foi a janela para os principais candidatos às competições europeias?

– Manchester United: Apesar das necessidades para a cabeça de área (especialmente após a baixa de Darren Fletcher) e para a defesa, segue apostando no mesmo elenco. A única contratação de peso, o atacante Zaha, só chega na próxima temporada.

– Manchester City: Também não trouxe ninguém e ganhou um bom dinheiro com a venda de Balotelli. Era esperada a chegada de um novo atacante, mas Roberto Mancini deve dar mais espaço a Guidetti, que volta ao elenco após séria lesão no joelho.

– Chelsea: Pelas reclamações de Rafa Benítez com as poucas opções no elenco, era de se imaginar um pouco mais de ação. Demba Ba e o lateral Wallace são os únicos novatos e até Benayoun, de volta após empréstimo frustrado ao West Ham, tem ficado no banco.

– Tottenham: Fez um grande negócio com Holtby e trouxe de volta o promissor zagueiro Fryers à Inglaterra, mas não buscou o planejado centroavante. Não pagou o que o Inter queria em Damião e terá que reatar a paz com Adebayor, que volta da Copa Africana.

– Everton: Depois de contrariar sua lógica tradicional no mercado, ao gastar fortunas no verão, os Toffees controlaram o bolso no inverno. Sem acordo com Álvaro Negredo, investiu apenas em John Stones, lateral de 18 anos que ganhava espaço no Barnsley.

– Arsenal: Wenger fez seu teatrinho ao criticar a janela de inverno, mas tinha interesse em David Villa. A única novidade, contudo, é Nacho Monreal, que chega como titular após a lesão de Gibbs. A confiança fica nos reforços do verão, que se encaixam progressivamente.

– Liverpool: Os Reds se desfizeram de alguns nomes excedentes no elenco e buscaram juventude para o ataque. Sturridge se adaptou imediatamente e Philippe Coutinho deve servir como opção, permitindo também variações táticas a Brendan Rodgers.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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