Os 40 anos de Patrick Vieira, um volante monstruoso, um símbolo do Arsenal e da França
É muito difícil imaginar uma seleção ideal dos anos 2000, com os 23 melhores jogadores da década, sem Patrick Vieira. Pouquíssimos volantes em sua época foram tão bons quanto o francês. Talvez nenhum tenha sido tão completo. Força física e passadas largas, solidez e qualidade técnica, ótimo nos desarmes e nos passes, dominante de área a área do campo, chute forte e ameaça no jogo aéreo. O camisa 4 foi o esteio de grandes equipes ao longo de sua carreira. Um craque e um líder, também pela maneira como se portava em campo e ajudava na organização tática de seus companheiros. Um monstro, que completa 40 anos nesta quinta, e merece todas as lembranças.
O senegalês que emigrou à França aos oito anos de idade estourou no Cannes, clube responsável também por revelar Zidane. Após estrear aos 17 anos, com 19 já ganhava a braçadeira de capitão. E o sucesso repentino o levou logo ao estelar Milan de Fabio Capello, onde teve poucas chances para jogar. Algo que, no fim das contas, acabou sendo ótimo. Em 1996, Arsène Wenger convenceu o garoto a se juntar ao Arsenal, sua primeira grande aposta como treinador do clube. Vieira não mudou apenas a sua história como também a dos próprios Gunners. Ao seu redor, os londrinos montaram uma equipe fortíssima. O volante se transformou na referência do time que voltou a frequentar o topo da Premier League. Conquistou três vezes o campeonato nacional, além de quatro a Copa da Inglaterra.
A fase de Vieira na virada do século era tão impressionante que, entre 1999 e 2004, ele foi eleito em todos os anos para o time da temporada da Premier League. Em 2001, mesmo sem o título, recebeu também o prêmio de craque da liga. Mas o ápice viria mesmo em 2003/04, quando o camisa 4 já vestia a braçadeira de capitão, herdada de Tony Adams. O francês teve papel essencial na formação dos Invincibles, com a conquista do primeiro título invicto no Campeonato Inglês desde 1889. Em tempos de rivalidade intensa com o Manchester United, o meio-campista ainda protagonizou uma rixa épica com Roy Keane.
Ao mesmo tempo, Vieira também arrebentava com a seleção francesa. Reserva na Copa de 1998, deu o passe para Petit sacramentar a vitória sobre o Brasil na final. Já na Eurocopa de 2000, se tornou uma das principais peças na conquista dos Bleus. Em uma equipe em transição, também despontava como uma das bases. E, com a aposentadoria de Deschamps, formou uma dupla de volantes fabulosa ao lado de Claude Makélélé.
Em 2005, diante de uma proposta da Juventus, Vieira deixou o Arsenal – que começava a confiar em Cesc Fàbregas como seu substituto. O meio-campista viveu uma temporada sem o mesmo destaque de antes, apesar do título (cassado) da Serie A. Mas a sequência valeu para a Copa do Mundo de 2006, na qual só não foi mais importante do que Zidane, destruindo principalmente contra a Espanha. A partir de então, suas aparições com os Bleus minguaram, até o último momento de relevância como capitão na fraca campanha da Euro 2008. Já entre os clubes, sem o mesmo vigor físico, Vieira compôs a multicampeã Internazionale, tricampeão italiano, antes de sair para o Manchester City, encerrando a carreira também como uma influência para o clube que se restruturava.
Hoje técnico, Vieira dá seus primeiros passos na nova função. Por toda a sua representatividade como jogador, a expectativa é a de que também tenha sucesso na empreitada. Afinal, a inteligência do volante era enorme. Seus predicados como capitão e como organizador de jogo já o capacitavam para o trabalho à beira do campo desde aquela época.



