O Villan da história

Martin O’Neill é um personagem pouco reconhecido fora do Reino Unido. Como jogador, foi bicampeão da Copa dos Campeões pelo Nottingham Forest e capitão da seleção da Irlanda do Norte na Copa do Mundo de 1982, quando os norte-irlandeses venceram a Espanha em Valência e só foram eliminados na segunda fase, diante da França de Platini. Como técnico, O’Neill conquistou duas Copas da Liga inglesa com o Leicester City e três Campeonatos Escoceses com o Celtic, além de um vice da Copa Uefa com o clube de Glasgow.
Esse currículo lhe valeu apelidos como “Blessed Martin” e “The Magnificent” e seu nome já foi cogitado para grandes equipes e a seleção inglesa, mas o máximo que conseguiu foi mesmo o Celtic. Isso deixa no ar a sensação de que é um treinador que ainda precisa de um grande trabalho, sobretudo para quem acompanha o futebol britânico de longe. Preconceito. Basta ver o que ele tem feito com o Aston Villa.
Quando o norte-irlandês assumiu o clube de Birmingham, em 2006, o Villa era uma equipe que se consolidara no meio da tabela, sem pretensões de voltar a ser a potência que conquistou uma Copa dos Campeões e sete Campeonatos Ingleses. Na temporada 2005/6, os Villans terminaram na 16ª posição, apenas duas acima da zona de rebaixamento (encabeçada justamente pelo rival Birmingham City).
Com o novo comandante, os Lions não fizeram grande investimento em reforços. No entanto, a mudança de comportamento em campo foi notável. Adotando um futebol com defesa segura e rápidos contra-ataques, o Aston Villa rapidamente se colocou na disputa por uma vaga na Copa Uefa. Uma má fase no meio da temporada tirou as esperanças da equipe, mas a 11ª posição ao final era uma evolução significativa em relação ao ano anterior.
O trabalho de O’Neill ficou ainda mais marcado na temporada seguinte, quando o Villa terminou na sexta posição. Aí, ele já contava com a chegada do empresário Randy Lerner, dono do Cleveland Browns da NFL que comprou o clube de Doug Ellis (que comandou o clube por 23 anos). O norte-americano não injetou zilhões de libras no elenco, mas ajudou a dar mais estabilidade administrativa aos Villans.
Para esta temporada, O’Neill montou uma equipe simples e sem grandes estrelas, mas com jogadores interessantes em posições-chave. O goleiro Friedel é experiente e tem um nível de confiabilidade razoável. A defesa tem uma linha apenas regular, com Luke Young, Davies, Laursen e Shorey. A partir do meio-campo, a situação melhora. Reo-Coker e Ashley Young são meias eficientes e, um pouco à frente, Gareth Barry tem nível de seleção inglesa (para ser reserva, bem entendido). No ataque, o discreto e oportunista Carew e o promissor Agbonlahor.
Ainda falta profundidade ao elenco, e isso deve custar caro em um campeonato longo e difícil. De qualquer modo, O’Neill mais uma vez montou uma equipe competitiva. O que ficou provado pela contundente e convincente vitória por 2 a 0 sobre o Arsenal em Londres. Um resultado que colocou o Aston Villa ao lado dos Gunners na quarta posição da Premier League. É cedo para dizer que o time das Midlands pode tirar o londrino da próxima Liga dos Campeões, mas, no mínimo, os Lions se apresentam como alternativa mais viável à mesmice dos “quatro grandes”.
Fundamentos
Gomes, Jéfferson, Artur e Fábio. Os dois primeiros foram formados no Cruzeiro, os dois últimos ficaram no clube mineiro por anos. No caso dos quatro goleiros, uma coisa em comum: a capacidade de fazer grandes defesas unida ao costume de cometer graves falhas de fundamento, sobretudo em bolas cruzadas. Sinal de que pode haver um problema já na formação, algo que o Tottenham poderia ter considerado ao contratar Gomes.
O goleiro dos Spurs nunca escondeu suas limitações. No ano em que o Cruzeiro conquistou a Série A, Gomes cometeu várias falhas graves. A passagem no PSV não foi diferente. Ainda que o brasileiro tivesse passado segurança e feito boas temporadas, ele não deixou de cometer sua cota de falhas bisonhas. Isso não o torna um goleiro ruim, mas sim, um que precisa estar confiante e bem protegido para poder se expor menos. Sobretudo, repetindo o parágrafo anterior, em bolas cruzadas.
Em crise técnica desde o início da temporada, o Tottenham não podia se dar ao luxo de esperar seu goleiro entrar em boa fase. No entanto, os bons resultados que vieram desde a chegada de Harry Redknapp tiraram parte da pressão sobre os jogadores. Ao menos, o rebaixamento parece facilmente evitável.
Quando os Spurs entrarem em “velocidade de cruzeiro” no campeonato, há uma perspectiva razoável de a defesa estar menos pressionada e dar mais proteção para Gomes mostrar suas virtudes. O problema é saber se o brasileiro ainda será o titular do time quando isso ocorrer. E talvez a reserva fosse o melhor para Gomes no momento.
De qualquer modo, a contratação do Tottenham não foi de todo injustificada. Só faltou mais conhecimento a respeito das características do goleiro trazido da Holanda para saber o que esperar dele. Criando a expectativa de estar com um craque do gol, é evidente que qualquer erro levaria à decepção.



