Inglaterra

O próximo demitido?

Depois de três anos de estabilidade entre os quatro ‘grandes’ da Inglaterra, poderemos ver duas trocas de treinadores em seqüência nesta temporada. José Mourinho já deixou o Chelsea, e Rafa Benítez parece caminhar rapidamente rumo à demissão no Liverpool.

Embora os resultados dos Reds nesta temporada estejam um pouco abaixo do desejado – especialmente na Liga dos Campeões, onde podem passar o vexame de ser eliminado na primeira fase –, não são eles o principal motivo que faz Benítez balançar no cargo.

O problema é que a relação entre o técnico e os donos do clube parece ter degringolado. A origem da discordância é financeiro: Benítez acha que o Liverpool precisa gastar com contratações em janeiro, Hicks e Gillett acham que não.

Até aí, seria uma discordância normal. Só que Benítez decidiu criticar publicamente a política dos donos. E, como seria de se esperar, levou uma baita bronca. Isso gerou uma cena bizarra numa coletiva de imprensa, na qual Benítez respondeu todas as perguntas dos jornalistas com a frase: “Meu foco é treinar o meu time”. Em outra entrevista, o espanhol mostrou interesse em dirigir a seleção inglesa e, mesmo após a bronca, insistiu em repetir as críticas aos donos do Liverpool, dizendo que os norte-americanos “não entendem como são as transferências na Europa”.

Com resultados medianos nesta temporada e tamanha insubordinação, não seria nenhum absurdo demitir Benítez. Isso não aconteceu ainda – e talvez nunca chegue a acontecer – por um motivo: o técnico tem o apoio da torcida. Os fãs ficam do lado do espanhol em reconhecimento a seu feitos à frente do Liverpool. Além disso, torcedores sempre querem reforços para seu time. Benítez sabe desse apoio e, por isso, também força a barra para cima dos donos.

O desfecho mais provável para a rusga é que o espanhol deixe o Liverpool sim, mas só no fim da temporada. Duas coisas, porém, podem mudar o cenário. Por um lado, o técnico pode conseguir ganhar algum título importante, o que garantiria sua permanência. Por outro, Hicks e Gillett podem convencer José Mourinho a assumir os Reds, o que permitiria a demissão imediata de Benítez. De uma forma ou de outra, é uma turbulência que o time não precisava, numa temporada que já se mostra difícil.

Troca-troca acelerado

A insegurança dos técnicos em seus cargos neste Campeonato Inglês parece que está ficando cada vez pior. Nesta semana, já chegou a seis o número de times que trocaram de treinador – e olha que ainda estamos na 14ª rodada. O pior é que não faltam nomes que ainda podem engrossar a lista: Southgate (Middlesbrough), Allardyce (Newcastle), Benítez (Liverpool), Sanchez (Fulham)…

A vítima da vez foi Billy Davies, do Derby. Essa foi, provavelmente, a demissão mais injusta da temporada, mesmo com os Rams ocupando a lanterna do campeonato. O grande ‘pecado’ de Davies foi ter conseguido subir com o Derby na temporada passada. Isso foi um feito inesperado, já que havia pelo menos seis times melhores que o dele no Championship. Se o Derby tivesse sido derrotado nos playoffs, pode apostar que Davies ainda estaria empregado agora.

Apesar de ter subido com um time notoriamente ruim, Davies não teve verba para trazer reforços. Diferentemente do que fez o Watford na temporada passada – também subiu com um time ruim, mas, consciente de suas limitações, manteve o técnico Adrian Boothroyd mesmo ficando em último lugar –, a diretoria demitiu Davies porque o treinador não conseguiu fazer um milagre. É verdade que depunha contra o treinador seu discurso derrotista, mas isso não é motivo suficiente para mandar um técnico embora.

Para seu lugar, quem chega é Paul Jewell. Trata-se de um bom nome, para um time como o Derby, já que tem experiência em salvar equipes ruins do rebaixamento (já fez isso com o Watford e com o Wigan). O que é difícil de entender é por que ele aceitou esse cargo. Afinal de contas, Wigan e Birmingham – times que contam com elencos bem melhores e também ficariam satisfeitos em escapar do rebaixamento – tentaram contratar o técnico, mas ele não aceitou.

Aliás, essa não foi a única decisão ‘estranha’ da semana. Alex McLeish, que fez campanha excelente à frente da Escócia nas eliminatórias para a Euro-2008, deixou a seleção para assumir o… Birmingham. Veja bem: o treinador abriu mão da razoável chance que tinha de ir para uma Copa do Mundo para dirigir um clube sem rumo (atualmente, não se sabe quem é o dono, pois há problemas na venda para Carson Yeung) e cuja maior perspectiva é brigar para não ser rebaixado. Se não atingir essa meta, provavelmente estará sem emprego daqui a seis meses. Com essas coisas, fica difícil discordar quando dizem que o futebol de seleções está desvalorizado…

Nem festa, nem luto

Ainda cambaleantes pelo baque das eliminatórias da Eurocopa, as seleções das Ilhas Britânicas conheceram seus adversários no caminho rumo à África do Sul. Ninguém pode comemorar muito o resultado, mas também é verdade que o sorteio poderia ter sido muito pior.

As manchetes ficaram com a Inglaterra, que terá que enfrentar de novo a Croácia, que a eliminou da Euro-2008. Muita gente torceu o nariz, mas esse resultado foi, na verdade, excelente. É preciso lembrar que os ingleses caíram para o ‘pote 2’ do sorteio e corriam o risco de enfrentar seleções como Itália, França e Alemanha. Dos nove possíveis adversários do ‘pote 1’, só a Grécia poderia ser considerada mais fraca que a Croácia.

Onde a Inglaterra deu azar, sim, foi no ‘pote 3’, que trouxe a Ucrânia como oponente. Em vez de pegar adversários mais tranqüilos, como Bélgica, Suíça ou Finlândia, os ingleses vão ter que bater um time que chegou às quartas-de-final do último Mundial. Completam a chave Bielorrússia, Cazaquistão e Andorra.

Em suma, não chega a ser um grupo fácil, mas é uma chave na qual se esperaria que a Inglaterra ficasse em primeiro lugar. O que preocupa, claro, é que era exatamente isso o que se dizia do grupo dos ingleses nas eliminatórias para a Euro…

A Escócia, por sua vez, pegou um grupo relativamente bom. É muito difícil imaginar que os escoceses possam derrotar a Holanda, mas nunca se pode esquecer que a Oranje, de tempos em tempos, tropeça nas próprias pernas e dá vexames – como aconteceu nas eliminatórias-2002, quando ficou atrás da Irlanda. Mais animador ainda é o resto da chave, onde aparece a Noruega como principal adversário. Se a Escócia jogar o mesmo que no último ano, deverá ficar em segundo lugar, ganhando uma vaga na repescagem. Ali, as chances de classificação são 50-50.

A Irlanda do Norte caiu no grupo mais equilibrado destas eliminatórias. Pensar em classificação não é impossível, mas tal feito não deixaria de ser uma enorme surpresa. O fato é que, com exceção de San Marino, todos os adversários são difíceis: República Tcheca, Polônia, Eslováquia e Eslovênia. Dependendo da boa ou má fase dos adversários, é possível pensar em qualquer resultado entre o primeiro e o quinto lugar. Na ‘média’, terceiro parece o mais provável.

Quem se deu melhor, sem dúvida, foi a Irlanda. Se o primeiro lugar do grupo 8 com certeza será da Itália, ficar em segundo não é nada difícil, já que bastará derrotar a Bulgária, que há tempos não joga bem – e tomar cuidado com o Chipre. Na repescagem, como já foi dito, as chances são de 50-50.

Por fim, Gales caiu num grupo bem difícil, com as fortes Alemanha e Rússia e a ascendente Finlândia. Mas a verdade é que, mesmo se a chave fosse fácil, os galeses não teriam chance de classificação.

CURTAS

– Uma curiosidade sobre o grupo da Inglaterra nas eliminatórias: há 20 anos, nenhum de seus adversários existia.

– A Croácia era parte da Iugoslávia; Ucrânia, Belarus e Cazaquistão estavam na União Soviética; e Andorra ainda não era filiada à Fifa.

– Novidade no futebol de seleções: Escócia, País de Gales, Irlanda e Irlanda do Norte anunciaram a criação da ‘Copa Céltica’, um torneio bienal de seleções, que teria a primeira edição em 2009.

– As federações disseram que convidaram também a Inglaterra, mas a FA não teria mostrado interesse.

– Agora que Inglaterra, Escócia e Irlanda estão sem técnico, trazemos uma parcial de quem são, hoje, os favoritos para assumir cada seleção (segundo as casas de apostas).

– Para a Inglaterra, os nomes mais prováveis, na ordem são: José Mourinho, Fabio Capello, Harry Redknapp, Martin O’Neill e Alan Shearer.

– Para a Escócia, fala-se em: Billy Davies, Gary McAllister, Craig Levein, Graeme Souness e Jim Jeffries.

– Na Irlanda, os favoritos são: Terry Venables, Liam Brady, Gerard Houllier, David O’Leary e Roy Hodgson.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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