O pior aconteceu

É hora de luto na Inglaterra. Depois de cinco vitórias seguidas, os ingleses foram derrotados pela Rússia e precisam de um milagre para chegar à Eurocopa.
A partida em Moscou foi um bom exemplo de tudo o que a seleção inglesa tem de bom e de ruim. Jogando sob pressão, frente a uma torcida hostil, o time soube se recuperar de um início ruim e passou a dominar o jogo. Quando Rooney abriu o placar – com um belo gol, mostrando que ele é mesmo um craque – foi nada mais do que o merecido. No começo da segunda etapa, os ingleses continuaram bem e perderam duas chances de ouro de matar o jogo.
Aí veio o lado ruim. Com a vantagem de um gol e o domínio das ações, a Inglaterra se acomodou. Guus Hiddink, ótimo treinador que é, mudou a Rússia, ao colocar Pavlyuchenko em campo. McClaren não julgou necessário adaptar a equipe e, de repente, eram os donos da casa que dominavam as ações.
É verdade que o azar também contribuiu: aos 24 minutos, o árbitro marcou pênalti em uma falta que Rooney fez fora da área, originando o gol de empate russo. Com a torcida em êxtase, os donos da casa logo marcaram de novo, frente a uma Inglaterra estarrecida. Faltando 17 minutos, os ingleses precisavam desesperadamente de um gol. Até recuperaram o domínio do jogo, mas só criaram uma chance. Quando o juiz apitou o fim da partida, a Eurocopa tinha ficado longe, muito longe.
Agora, para se classificar, a Inglaterra tem que vencer a Croácia. Mas essa não é a pior parte: os ingleses também têm que torcer para que a Rússia tropece contra Israel – que só joga para cumprir tabela – ou contra Andorra. Outra possibilidade também seria a Croácia perder para a Macedônia. Ou seja, agora, só um milagre coloca a Inglaterra na Eurocopa.
Se der a lógica, esta será a primeira vez desde 1994 que a Inglaterra fica de fora de um torneio importante, quebrando uma série de seis participações seguidas (três Euros e três Mundiais). O pior é que o grupo inglês estava longe de ser um pesadelo. Um ou outro tropeço contra Rússia e Croácia seria aceitável; ficar atrás dos dois na classificação final, não.
Com esse resultado, Steve McClaren certamente será demitido. A dúvida é se a Football Association fará isso imediatamente ou esperará até o fim das eliminatórias (ou da Eurocopa). O negócio, agora, é começar a se organizar para evitar repetir o fiasco nas eliminatórias para a Copa de 2010.
Falta mais um ‘milagre’
A quarta-feira foi negra para o futebol britânico. Depois de a Inglaterra levar uma virada da Rússia, a Escócia amarelou feio e perdeu para a Geórgia. Mas, pelo menos, o sonho escocês ainda vive. Só que, para se classificar, o time vai ter que derrotar ninguém menos do que a Itália.
A derrota para a Geórgia foi especialmente amarga porque, no sábado, os escoceses fizeram grande partida contra a Ucrânia. Com impressionante autoridade, ganharam dos ucranianos por 3 a 1. E mais: diferentemente de outras vitórias, esta raramente esteve ameaçada. Parecia que o time da Escócia está traçando uma curva ascendente, em termos de rendimento.
Tentando diminuir a pressão, o técnico escocês Alex McLeish manteve o discurso humilde, após a vitória: “Ainda é difícil que nos classifiquemos, mas conseguimos nos manter cabeça a cabeça com dois dos quatro melhores times do mundo. Os favoritos ainda são Itália e França”. Tão incrível é a situação da Escócia que até o próprio técnico se confundiu: “Não está em nossas mãos… ah, na verdade, está em nossas mãos sim! Mas também está nas mãos dos franceses e dos italianos, por isso ainda não acho que estejamos na melhor posição”.
Supondo que ninguém tropece contra Geórgia, Lituânia e Ilhas Faroe, o caminho dos escoceses é claro: para chegar à Eurocopa, precisam ganhar da Itália, em Glasgow. Com um empate, precisaria torcer para a França, na última rodada, perder para a eliminada Ucrânia. Em condições normais, qualquer um desses resultados poderia ser chamado de ‘milagre’. Mas, para quem já conseguiu tantos resultados incríveis nestas eliminatórias, um a mais não é impossível, certo?
CURTAS
– A seleção do País de Gales está em crise.
– Os galeses perderam por 3 a 1 para o Chipre, e John Toshack quase pediu demissão.
– Em vez de cair fora, o técnico decidiu passar um esculacho público nos jogadores.
– Em situação um pouco melhor está a Irlanda, que descolou um empate por 0 a 0 com a Alemanha.
– É verdade que os alemães precisavam apenas de um empate para se garantirem na Euro…
– As chances de a Irlanda ir para a Eurocopa são praticamente nulas. Mas, pelo menos, o time fez uma campanha digna.
– No entanto, isso não deve impedir a demissão do técnico Steve Staunton ao fim das eliminatórias.
– Caiu o segundo técnico da temporada na Premier League. E, por incrível que pareça, não foi Martin Jol.
– Quem saiu foi Sammy Lee, que deixou o Bolton “por consenso”, após seis meses no clube.
– Essa história de efetivar o assistente (Lee) depois que um técnico importante (Sam Allardyce) vai embora não dá certo nunca. Mas tem time que ainda insiste…
– Paul Jewell (ex-Wigan), Chris Coleman (ex-Fulham) e Phil Brown (Hull) são os favoritos para assumir o Bolton.
– Ryan Giggs renovou seu contrato com o Manchester United até o fim da próxima temporada.
– Com isso, o meia de 33 anos tem tudo para superar o recorde de Bobby Charlton e tornar-se o jogador com mais partidas pelo Manchester United.
– O lendário Charlton jogou 759 vezes pelos Red Devils; Giggs, 726.



