Inglaterra

O limite do interesse

O Manchester United será o primeiro clube europeu a disputar mais de um Mundial de Clubes da Fifa. Os Red Devils estiveram presentes na edição de 2000, quando ficaram na quinta posição, atrás de Vasco e Necaxa na primeira fase, e reaparecem no torneio neste ano, já no Japão. E, como já ocorrera há oito anos, há sérias dúvidas a respeito do quão dedicado o time inglês está na competição que, em teoria, deveria ser a mais importante do planeta.

O questionamento em torno da dedicação dos mancunianos é pertinente. Em 2000, a diretoria chegou a abrir mão da vaga – foi convencido pelo governo britânico, que visava bajular a Fifa na corrida pela Copa de 2006 – e o time foi fotografado mais vezes em ensaios de escola de samba e outros programas de turistas no Rio de Janeiro do que treinando. Foi nítido o desinteresse do Manchester United em suas partidas. Perder do Vasco de Romário, Edmundo, Juninho Pernambucano e Mauro Galvão no Maracanã era um resultado aceitável, mas empatar com o Necaxa no sufoco já é difícil de entender.

O Manchester United não deve ter a mesma atitude na próxima semana. Não se imagina ver os jogadores na noite de Tóquio se esbaldando em sushis – os nas junk foods que a juventude nipônica devora em doses industriais – ou gastando a voz em karaokês. Quem tentou convencer o mundo disso foi Olé Gunner Solskjaer, ex-atacante do clube e bastante influente até hoje – ocupa o cargo de técnico do time B –, afirmou que se arrepende do fato de não ter levado o Mundial de 2000 a sério.

O norueguês admitiu que só percebeu a importância do torneio depois de encerrar a carreira. “Lá estão os melhores times do mundo e agora que eu me aposentei que percebi que não levamos a competição no Brasil tão a sério. Não é um torneio no qual você normalmente pensa que vai disputar e não vê sua importância, mas outros times consideram esse o maior jogo do ano e, como vamos disputá-lo agora, temos de querer ganhá-lo”.

De qualquer modo, há indicação de que o Mundial de Clubes não é exatamente a prioridade do calendário vermelho. Logo após o empate por 0 a 0 com o Tottenham, os Red Devils embarcaram para o Japão. Paul Scholes, um dos líderes do elenco, disse que preferia ficar na Inglaterra e jogar suas partidas pela Premier League a viajar ao outro lado do mundo. O meia tem em vista o fato que o Manchester United já tem um jogo a menos e acumulará outro, o que projeta uma maratona de jogos em janeiro.

A declaração de Scholes parece mais consistente, até porque dá a sensação de que reflete a média de opiniões do elenco. Considerando que o Manchester United terá pela frente adversários fracos – o vice-campeão equatoriano, o 12º do Apertura mexicano e o 9º da J.League –, nem será necessário tanto esforço para levar o troféu a Old Trafford.

Ince nas cordas

No início da temporada, a contratação de Paul Ince como técnico do Blackburn foi bastante repercutida. Primeiro, pelo fato de ser o primeiro britânico negro a treinar um time da primeira divisão inglesa (os outros dois eram estrangeiros, o holandês Ruud Gullit e o francês Jean Tigana). Depois, por ser um ídolo do futebol local que rapidamente ganhava espaço em uma nova carreira.

O ex-volante estreou como técnico-jogador do Swindon Town, mas seu primeiro trabalho de verdade foi com o Macclesfield Town, ameaçado de rebaixamento na quarta divisão. O treinador assumiu o time na última posição e evitou a queda. Na temporada seguinte, conduziu o Milton Keynes Dons para o título da quarta divisão.

Essa trajetória de rápido sucesso motivou o Blackburn – que perdera Mark Hughes para o Manchester City – a promover sua estréia na Premier League. Pode ter sido uma subida muito rápida e precipitada. Após 17 rodadas, os Rovers venceram apenas três partidas no Campeonato Inglês e ocupam a penúltima posição, cinco pontos atrás do antepenúltimo colocado (Sunderland).

Ao que tudo indica, o emprego de Ince subiu no telhado. Durante a semana, o técnico havia se reunido com dirigentes do clube e for devidamente pressionado para comandar uma reação imediata. Houve conversa com os jogadores, mas o desempenho no jogo seguinte, contra o Wigan no último sábado, foi patético e o Blackburn colecionou sua sexta derrota seguida.

Ince diz que ainda acredita na recuperação e não sai no que depender dele. No entanto, o clima é dos piores no clube. A situação está tão delicada que até Steve Bruce, técnico do Wigan e amigo de Ince da época em que defendia o Manchester United, deu seu pitaco. No caso, recomendou ao colega a manter-se fiel a suas crenças e buscar nelas a solução.

Talvez o técnico não tenha tempo para isso.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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