O Leicester botou o Chelsea na roda para simbolizar a reviravolta que vive a Premier League
Nenhuma das 160 partidas disputadas na Premier League 2015/16 foi mais emblemática do que a realizada nesta segunda. O jogo no King Power Stadium representou a temporada que surpreende os prognósticos, com o aumento do equilíbrio graças à bonança financeira. Uma competição na qual o atual líder, de início, parecia um mero candidato ao rebaixamento. Mas na qual quem luta realmente contra o risco de queda é o então campeão. Leicester City e Chelsea fizeram o duelo de opostos. Prevaleceu justamente o que seria imprevisível meses atrás, e que neste momento parece tão óbvio: 2 a 1 para as Raposas, que colocaram o time de José Mourinho na roda e se mantiveram na liderança.
O Chelsea dominava a posse de bola no início do jogo, mas não se impunha. Pelo contrário, a partida se sugeria aberta, dependente da inspiração dos ataques. E os Blues tiveram uma má notícia quando Eden Hazard (que não faz grande temporada, é verdade) se lesionou. Mau agouro do que viria logo depois, aos 34 minutos. A ótima forma do Leicester se resumiu em uma belíssima jogada coletiva – que, em contrapartida, também dependeu da frouxidão excessiva dos londrinos. Em toque de bola envolvente, o time da casa foi se aproximando da área. Até que a dupla letal aparecesse: Ryad Mahrez cruzou e Jamie Vardy apareceu para cabecear. Em 15 das 16 rodadas, o camisa 9 ajudou o time com gol ou assistência, em contribuição que valeu 17 dos 35 pontos das Raposas.
O Chelsea tentou responder de imediato, e chegou a carimbar a trave instantes depois. A noite, contudo, era mesmo do Leicester. Os líderes da Premier League ampliaram a vantagem logo aos três minutos do segundo tempo, com Mahrez. E em lance de pura beleza do argelino, para sublinhar também seu ótimo momento. O meia chamou Azpilicueta para a dança e, depois de dois cortes desconcertantes, mandou a bola no ângulo de Courtois. Um verdadeiro golaço, já o seu 12º na Premier League – atrás apenas de Vardy na artilharia, e empatado com Lukaku.
Depois disso, o Leicester se retraiu em campo, e o Chelsea partiu para a pressão. E o time da casa, empurrado por sua torcida, conseguiu se safar. Schmeichel realizou um milagre no mano a mano com Diego Costa, enquanto Christian Fuchs salvou bola em cima da linha pouco depois. Não era para ser o dia dos Blues. A equipe visitante até conseguiu diminuir, em cabeçada de Rémy, que havia saído do banco pouco antes para substituir Oscar. Todavia, o esforço dos londrinos e a iniciativa de Mourinho em buscar o ataque, botando até mesmo Pedro no lugar de John Terry, acabaram sendo em vão.
A cada rodada, o Leicester impressiona mais. E o que parecia apenas uma boa fase, desde a arrancada surpreendente no final da última temporada, agora representa a consistência de um time. Por mais que, no papel, a concorrência se sugira mais forte, ninguém tem conseguido superar o Leicester na tabela. As Raposas vêm mantendo a liderança justamente pela regularidade contra os times menos cotados. Só que, neste contexto, a vitória sobre o Chelsea representa muito. É o primeiro dos grandes a ser derrotado. Prepara a equipe de Claudio Ranieri para a dura sequência do final do primeiro turno, contra Everton, Liverpool e Manchester City. Se conseguirem passar ilesos, os atuais líderes firmam definitivamente suas intenções quanto ao título.
Enquanto isso, o Chelsea acumula a sua nona derrota, menos apenas que Sunderland e Aston Villa. Neste momento, os Blues só estão a um ponto de rebaixamento. E José Mourinho, que parecia ainda o técnico ideal para tirar os londrinos da crise, já não conta mais com tanto apoio. Na temporada passada, após 16 rodadas, o Chelsea era líder e o Leicester ocupava a lanterna. Um ano depois, são faces distintas da grande reviravolta na Premier League.



